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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Chama o Gregório!

O da porta
Ele sabia que o último copo é que lhe fazia mal. Por isso pedia sempre mais um.
 
O dia 1 de Janeiro foi inventado no dia 24 de Fevereiro de 1582 pelo papa Gregório XIII. Daí é que vem, em homenagem, a mais famosa expressão da noite de passagem de ano - Com licença, vou só ali chamar o Gregório...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Diálogos fafenses 52

Da parte da asa
- Boa tarde...
- E o que vai ser?...
- Queria um ano.
- Tem preferência? Par, ímpar, bissexto, comum?...
- Da parte da asa.

Período homólogo

- Boa tarde...
- E o que vai ser?...
- Queria meio ano.
- Novo ou usado?
- Novo, se faz favor.
- Da parte do primeiro semestre, portanto...
- Se ainda houver...

Bem passado
- Boa tarde...
- E o que vai ser?...
- Queria um ano.
- Como?...
- Bem passado.

Um ano casual
- Boa tarde...
- E o que vai ser?...
- Queria um ano.
- Bem passado?
- Mas sem vincos...

Em segunda mão
- Boa tarde...
- E o que vai ser?...
- Queria um ano.
- Novo?
- Pode ser usado. É para estragar...

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

As coincidências nunca são por acaso

Esta extraordinária e suspeitíssima coincidência de 31 de Dezembro ser todos os anos o último dia do ano e anteceder sistematicamente o primeiro dia do ano seguinte deveria levar-nos a pensar. Mas não, embebedamo-nos.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Bais à passage?

A ordem dos factores
Deitou as canas e apanhou os foguetes. Agora chamam-lhe Maneta.

A passagem de ano em Fafe era bem porreira no meu tempo. As motas juntavam-se e andavam sem escape à meia-noite, no Largo, como baratas tontas, sem rei nem roque, bebia-se Magos no velho café Peludo e, regra geral, vomitava-se abundantemente. Uma coisa verdadeiramente constada, uma festa inegavelmente de arromba! Vinha povo de fora, até de Guimarães como se fossem espanhóis, a Arcada enchia-se como um ovo, por baixo e por cima, por dentro e por fora. Era o delírio! Tremens. As motas eram sobretudo Zundapp e Sachs, faziam um cagaçal desgraçado e os tombos sem capacete eram saudados como se fossem golo do Benfica! Às vezes a festa metia também ambulância, num extraordinário espectáculo de som, luz e cor. O Magos era uma merda, mas naquela altura eu não sabia, faltava-me ainda o termo de comparação. Fazia também muito frio na rua, que era onde o ano passava, um frio literalmente de rachar, e já era uma sorte do caraças chegar a casa com o nariz e as orelhas inteiras, isto para não falar de outros acessórios corporais por norma mais recatados e indispensáveis. Na manhã do dia seguinte, que só começava, a bem dizer, à noite, o ano novo metia baixa.
Portanto, ia-se ao Largo ver o fim do ano, ia-se à "passage". O ano passava em Fafe apenas uma vez por ano, como no resto do mundo, embora no resto do mundo o ano não passe sempre à mesma hora, mas, não sei porquê, em Fafe parecia que o ano passava todos os dias, isto é, todas as noites. Os de agora podeis não acreditar, mas era assim a vida na nossa terra, e, garanto-vos, era de categoria.

A passagem de ano em Fafe actualmente chama-se Réveillon e é um certame, porque em Fafe hoje em dia tudo é certame, até uma festa profundamente religiosa como a Senhora de Antime, e se não é certame, pelo menos é evento e de certeza é icónica, a passagem de ano, porque em Fafe agora tudo é icónico. De acordo com os anúncios, o Réveillon 2025-2026 sucede no quentinho do Pavilhão Multiusos e apresenta uma série de peripécias com nomes estrangeiros, incluindo os artistas, tem área gold, área premium, área vip e área white, que deve ser o antigo peão, e todos os utentes, talvez prevenindo, devem usar pulseiras de cores diferenciadas como nas urgências dos hospitais. Motas a desbundar e ambulâncias em tinoni é que nada, em princípio, mas até pode ser que se arranje. Com efeito, está também prometida uma coisa chamada "pirotecnia de interiores", Deus queira que ninguém se aleije.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Boas entradas!

Testes em massa
Quando, por ocasião da pandemia, o Governo anunciou e promoveu testes em massa, ele pensou e disse: - Sim, evidentemente testes em massa, estou absolutamente de acordo. Mas testes em arroz? E testes em batatas? Que é deles?...

Cem gramas de camarão da costa, duas ou três pataniscas ainda quentes, uma posta de bacalhau frito da parte da asa, fria, uma cebola da monda avinhada em verde tinto e sal grosso, duas navalheiras, quatro mexilhões em vinagreta bem puxada, meia dúzia de azeitonas pequenas, pretas, assassinas, moelas se possível de coelho, polvo em molho verde, navalhas na plancha, iscas de fígado de cebolada, petinga de escabeche, uma mancheia de percebes ainda prenhes de mar, cracas, lapas, um bom verde branco do Minho mais alto e não demasiado fresco, isto, sim, são boas entradas. O resto é treta, só para cumprir calendário. E era a continha, se faz favor.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

O Natal já era

Bem passado
Um ano bem passado precisa de pelo menos dois minutos de cada lado.

Quando se apercebeu que faltavam apenas seis dias para o Natal e cinco para a Consoada, ele pensou, aflito: - Meu Deus, estamos quase no fim do ano! E escangalhou o pinheiro, e desfez o presépio, e deitou fora a água e o bacalhau, e tirou as luzinhas e as estrelinhas e os anjinhos e as anjinhas, e dependurou a bola de espelhos no meio do tecto e pôs Quim Barreiros na aparelhagem e lançou serpentinas e espalhou confetes e encheu balões e preparou a sala inteira, um brinquinho, para o réveillon...