terça-feira, 3 de março de 2026

Diálogos fafenses 77

Sou o meu irmão gémeo
- Então hoje resolveu aparecer...
- Não.
- Não?...
- Não.
- Mas você...
- Não sou eu.
- Você não é você?...
- Não. Sou o meu irmão gémeo.

O que eu sei de Alberto Feijóo

Somente às refeições
Por indicação médica, bebia apenas às refeições. E comia de manhã à noite.

Sobre o líder do PP espanhol, o galego Alberto Núñez Feijóo, eu sei o seguinte: ele gosta muito da costelinha assada e do bacalhau na brasa da Casa Álvaro, em Valença, e come os dois pratos à mesma refeição. Bebe verde tinto, que traça eventualmente com uma seven up, e creio que assim fica tudo explicado. Não são de confiança os indivíduos que misturam vinho bom, ou bô, com seven up...

A receita da remessa

A ciência
Está cientificamente provado: o álcool afecta de forma diferente o homem e a mulher. O mercurocromo não.

Uma infusa de satisfatórias dimensões. Vinho, branco ou tinto, e açúcar, de preferência amarelo, à moda de Fafe. Mexe-se com uma colher, se houver, ou com os dedos. Da mão. Junta-se-lhe cerveja ou, para coninhas, seven up. O equilíbrio das quantidades fica ao gosto do fabricante. Chama-se a isto "receita" ou "remessa" e deve beber-se bem fresco, mas sem gelo, porra! Os coninhas podem chamar-lhe cocktail...

Por outro lado. Há a questão das remessas familiares, tão importantes para a nossa economia, e neste caso as quantidades devem ser calculadas, ajustadas e acrescentados em função do número de parentes presentes. Se, em famílias mais numerosas e capazmente apreciadoras, uma infusa não for suficiente, então a remessa pode muito bem ser elaborada e servida num cântaro, num balde, num alguidar, numa bacia, no depósito da água, no tanque ou na banheira, se estiver de vago.

As mulheres de Pedro Arroja

É de homem
Homem que é homem não quer nada com mulheres.

Passa das nove e um quarto. Quatro mulheres esperam junto aos portões fechados do palacete-escritório de Pedro Arroja no número 282 da Avenida de Montevideu, na Foz selecta, Porto rico com vista para o mar. Quatro mulheres evidentemente trabalhadoras. Espanto-me. Penso. Não pode ser, não acredito que o Sr. Arroja tenha mulheres ao seu serviço. A escangalharem o quê?, as mulheres. Na empresa do Sr. Arroja até as senhoras da limpeza devem ser homens, tenho a certeza. Continuo a pensar. As mulheres enganaram-se, foi o que foi, e logo as quatro, porque quando as mulheres se ajuntam ainda é pior, desnorteiam-se. Extraviaram-se, é o mais certo. Querem entrar noutro palacete qualquer, uns números à frente ou atrás, mas não sabem. Às tantas era para apresentarem-se no Palacete de Fafe e perderam a Mondinense. Bem o observara em devido tempo o Sr. Arroja, famoso economista e comentador televisivo: as mulheres padecem deveras dessa idiossincrasia tão incorrigivelmente feminil que é a total ausência de sentido de orientação. Não têm tino, as mulheres. Pois se não têm pénis nem testículos, como poderiam?

segunda-feira, 2 de março de 2026

Diálogos fafenses 76

Directo ao assunto
- Ora então o que é que o trouxe aqui?
- Vim a pé, senhor doutor...

Os bois chamam-se pelos nomes

Sete vidas
Cada vez que morria, o gato sabia que era a brincar. Chegou à sétima... e lerpou.

O porco é Ruço. A porca Vadia. A vaca Amarela. O boi Barrão. O touro Osborne. A turina Malhada. A vitela À Moda de Fafe. O cão Bobi. O elefante Dumbo. A cadela Laika. A Santa preguiça. O cachorro Kent. O gato Maltês. A gata Borralheira. A cabra Cega. A ovelha Dolly. O cabrito Montês. O cavalo Silva. O burro Velho. O rato Mique. O coelho Branco. O macaco Adriano. O leopardo Negro. O urso Teddy. O teddy Boy. A chinchila Mila. O furão Furão. A tartaruga Ninja. A cobra Dora. A mulher Alheia. O homem Erecto. O peixe Dourado. O surfista Prateado. A sardinha Biba. A pita Arisca. A periquita Alegre. A parreca Molhada. A pomba Branca. O crocodilo Dundee. A lontra Badocha. O pato Patola. O galo Badalo, a galinha Balbina, o pinto Jacinto e o peru Gluglu.
Assim se chamam os bois pelos nomes.

Condutora inteligentíssima

Pegada ecológica
Tinha uma pegada deveras ecológica. Fosse aonde fosse, ia sempre em pezinhos de lã.

Um casal de idosos num daqueles carrinhos portáteis, os papa-reformas, como alguém teve a feliz ideia de lhes chamar. Nas calmas, evidentemente. Atrás do carrinho de corda, uma condutora de um veículo a sério (à séria, se lido em Lisboa), talvez eléctrico, uma verdadeira automobilista. A condutora, jovem e dinâmica, urgente, tem óculos de sol e pressa de ambulância: buzina, assobia, gesticula, grita através da janela aberta:
- A passear!?...
Era domingo, duas da tarde, na ensolarada estrada à beira-mar. Condutora inteligentíssima! Sim, às tantas os velhos iam mesmo a passear...