segunda-feira, 17 de agosto de 2026

O meu primo Abenedego

Mais leve que o ar
Há quem seja magro, mas Hélio realmente abusava. Um dia levantou voo...

Diz que há um australiano que detém o recorde mundial do nome mais comprido do mundo, um nome com mais de duas mil palavras, é preciso um camião para andar com o nome às costas e leva quinze dias a assinar, adeus ó vai-te embora. O nome mais comprido de Portugal é reclamado pelos admiradores do rei D. Manuel II (1889-1932), que se chamava, completamente, Manuel Maria Filipe Carlos Amélio Luís Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis Eugénio, e há quem acrescente, de Bragança Orleães Sabóia e Saxe-Coburgo-Gotha.
Em Itália, um casal foi proibido de dar o nome de Sexta-Feira ao filho, mas na China, aqui atrasado, havia quase seis mil pessoas que se chamam Ano Novo. Em Portugal, país de brandos costumes, parece que ainda ninguém foi tão longe, mas apenas porque não é, ou não era, permitido. No Ministério da Justiça existia mesmo uma lista negra de mais de 2.500 nomes próprios e esquisitos que já tinham sido pedidos e recusados.
E alguns deles nem lembrariam ao diabo, como, vede lá, Jesus Cristo, Deusa, Adoração, Imaculada, Cristão, Cristo ou Maria da Aleluia. Pérolas que constavam na lista de "Vocábulos Não Admitidos como Nomes Próprios" do Instituto dos Registos e do Notariado (IRN) e que estavam lá porque, exactamente, houve pais que tiveram a peregrina ideia de chapá-los da testa dos respectivos filhos. Não sei se ainda existe tal lista, que já estava há alguns anos sem qualquer tipo de actualização.
Os pais italianos queriam ser "originais", disseram aos jornais, mas o tribunal considerou, talvez acertadamente, que Sexta-Feira traria uma carga de "vergonha" e de "ridículo" à criança que fosse marcada para toda a vida com semelhante nome.
Ora, se os portugueses têm muitos defeitos, um deles não será certamente a falta de originalidade. E também aqui, no ramo dos nomes mais ou menos patetas, não ficamos a dever nada a ninguém.
Duvidais? Tomai então nota dos seguintes: Abenedego, Brilhantina, Consolino, Divinando, Estaline, Girina, Ismanuel, Jacquelino, Magnífica, Maxfredo, Ovnis, Paliologo, Romã, Sete, Togarma, Viking ou Zuzidine. Tudo nomes que alguém quis pôr aos filhos, mas que o bom senso da lei proibiu.

A sorte, para nós, fafenses à moda antiga, é que não há, nunca houve, norma para a atribuição de alcunhas, que nisso somos campeões. Ninguém nos bate na arte de crismar o parceiro, às vezes famílias inteiras, com apodos porventura espertos e patuscos, quando não carregados de desprezo e maldade, inveja e vingança, quase sempre explorando acintosamente particularidades físicas ou morais dos indivíduos em questão. Eu, por herança, sou "Perna-de-Pau" e "Bomba", amiúde "Dezassete", e também "Neques", mas pela costela de Basto. E, se quereis saber, tenho muito gosto!

Quando, há uns anos, fiz um pequeno trabalho jornalístico sobre nomes, o IRN esclareceu-me, cheio de a propósito, que o nome próprio das "crianças nascidas em Portugal que sejam portuguesas" deve ser "português, de entre os constantes da onomástica nacional ou adaptados graficamente à língua portuguesa, não devendo suscitar dúvidas quanto ao sexo". Filhos de jogadores de futebol e de artistas da televisão são casos à parte, foi o que então concluí.
Por outro lado, e voltando ao princípio, à questão do tamanho, o IRN informou-me que o nome completa de cada pessoa deve compor-se, no máximo, de seis vocábulos, isto é, até dois nomes próprios e quatro apelidos. Como, por exemplo, Duarte Nuno Fernando Maria Miguel Gabriel Rafael Francisco Xavier Raimundo António de Bragança. Não é?...

domingo, 16 de agosto de 2026

O homem mais procurado

O troglodita e os poliglotas
Ele diz que é troglodita, isto é, que fala várias línguas, e até pôs no currículo. Poliglotas, costuma explicar, eram os gajos dos dinossauros, com uma moca ao ombro e as mulheres arrastadas pelos cabelos.

Estais a ver o Florindo Cabeças, também conhecido como Lindinho da Mamã, Flox Bigfoot, Becas Língua-e-Dedo, Garanhão da Cumieira, Rochedo da Pegadinha, Estripador do Matadouro, Campeão da Ponta-e-Mola, Príncipe dos Faquires, Guardião dos Piças-Moles, Estoura-Vergas do Retiro, Fantasma do Palacete, Comandante-em-Chefe da Sargaça, Perseguidor de Lampiões, Esticadinho de Medelo, Fângio da Recta de Armil, aliás Colosso de Rodas, Furacão do Twist, Doutor Corrente-de-Ar, Duque do Palmanço, Fantástico do Terilene, TGV de Cepães, Weissmuller de Calvelos, Stradivarius de Golães, Sete-de-Paus do Assento, Cabeçudo Machoman ou Fló Ajeitadinho, também chamado Vânia Toleirona e, às vezes, Selma Sabrina? Não? Não estais a ver? É o que eu digo: hoje em dia ninguém sabe quem ele é. Nem eu.

Piadistas e outros mentirosos

Piada fina
A piada, para ser fina, não deve ter mais de três milímetros de espessura.

Havia uns tipos com piada, em Fafe. Piada fina e piada grossa, conforme. Contadores de anedotas, abrilhantadores de saraus de sociedade recreativa, animadores de café, pregadores de partidas, havia-os com fartura naquele tempo. E eram geralmente de partir a moca. Fafe é de rir, por natureza. Sempre foi. Já no meu tempo era de rir, ríamo-nos como perdidos, por tudo e por nada. Claro que antigamente éramos uns amadores, caseirinhos, artesanais, ríamo-nos uns dos outros, uns com os outros, às vezes uns contra os outros, tínhamos riso que chegasse, não mandávamos vir de fora. Éramos, em questão de riso, auto-suficientes.
As anedotas é que vinham do exterior, regra geral. Fafe não tinha então produção própria, quero dizer, os nossos piadistas eram mais divulgadores do que criadores. As redes sociais funcionavam boca a boca, como a respiração salva-vidas, e as novidades humorísticas chegavam até nós trazidas pelos vendedores ou caixeiros-viajantes que visitavam regularmente o comércio e a indústria locais. Debitar umas larachas, se possível frescas em ambos os sentidos - "já sabe a última?, é de bolinha!" -, fazia parte do ofício. Primeiro as anedotas e só depois a nota de encomenda, se corresse bem, era uma técnica de marketing como outra qualquer. Vendedor sem anedotas não ia a lado nenhum, essa é que é a verdade.
Neste deserto de criatividade, as excepções talvez fossem o António Augusto Ferreira, aliás António Augusto Abreu, e o extraordinário Zé Manel Carriço. O Tónio Augusto, pai do omnijornalista Carlos Rui Abreu, o qual, diga-se de passagem, é, sem comparança, o melhor relatador português de futebol de hoje em dia, na rádio Antena 1, e parece que Fafe ainda não tomou sentido disso, o bom do Tónio Augusto, era aqui que eu ia, abastecia-se de anedotas em Guimarães, onde por aquela altura já se encontrava estabelecido. A loja era de roupa, de moda, chamava-se T111, se não estou em erro, suponho que derivado à sua localização, no Toural, e ao número da porta, 111, ali a meia dúzia de passos da Basílica de São Pedro, cujos sinos tocavam às prestações de quartos de horas, e não sei se ainda tocam, o Hino de Guimarães. Quem também tocava o Hino de Guimarães, mas de uma ponta à outra e apenas uma vez por ano, era a nossa Banda de Revelhe quando ia às Gualterianas e fazia a rompida na cidade velha, em frente à Câmara Municipal, e eu sei de cor a música do Hino de Guimarães, e esta parte, sou obrigado a admitir, dada a rivalidade tola entre as duas terras, não abona nada a meu favor. Evidentemente também sei de cor a música do Hino de Fafe e, com ajuda, ainda me oriento na letra do refrão.
E então o que é que se segue? O Tónio Augusto todos os dias trazia de Guimarães anedotas frescas, ainda vivinhas, praticamente por estrear, e, quiséssemos ou não, dava-lhes a volta lá à maneira dele e contava-as pelas noites dentro do Verão fafense, na "esplanada" do velho Peludo, temperadas com fininhos e tremoços. Depois, terminada a função, metia-se no carro e ia para a Póvoa, ter com a família em férias, o que só lhe ficava bem.
A piada era fácil para o Tónio Augusto, porque ele era cómico de nascença. Ele era, dir-se-ia hoje, um predestinado, um Cristiano Ronaldo da pilhéria, um Lionel Messi do chiste. Uma vez, à hora da missa, jogava o Tónio Augusto nos juniores da AD Fafe, ainda no Campo da Granja, e rachou ou racharam-lhe a cabeça. Encostou ao banco, que era mesmo um banco, em madeira, corrido, ao fundo dos cinco réis de bancada, e o massagista, talvez o João Americano, tratava de enfiar-lhe uns agrafos no lanho escarrapachado e sanguinolento (não tenho a certeza se não estaria mesmo a ser cosido), mas ele não deixava, queria voltar ao jogo. Barafustava um, ralhava o outro, um a puxar para a frente e o outro a puxar para trás, escangalhados como parelha de palhaços ou bêbados matinais. Era mesmo de rir, parecia cinema mudo mas já em sonoro e a cores...
O Zé Manel Carriço era outra coisa. Ele não contava anedotas. O Zé Manel contava as suas histórias, verdadeiras mais ou menos, episódios protagonizados por ele próprio, mas cenas tão improváveis, tão esdrúxulas, tão gagas, com um fim tão inesperado, preparado e teatral, e tão bem contadas, que passávamos noites inteiras naquilo, só a ouvi-lo. E o Zé Manel era o primeiro a rir-se do que dizia, e ria-se sonoramente, afagando a pêra elegante, e o seu riso era como um fósforo em mato seco. E nós à volta éramos um incêndio de gargalhadas, incontrolável, escusavam de ligar para os Bombeiros. Os mesmos empregados do Dom Fafe que, da uma às cinco da manhã, pediam, de meia em meia hora, "Ó Sr. Zé Manel, por favor, precisamos de fechar, olhe a polícia, temos de ir dormir!", às seis já só queriam "Ó Sr. Zé Manel, conte mais uma!"...
Depois tínhamos os "profissionais", o Landinho Bacalhau, o antigo, e o Zé Fala-Barato, os nossos microfónicos apresentadores de espectáculos, pontas de lança do Grupo Nun'Álvares, paus para toda a obra, cheios de categoria, e sempre com uma chalaça na ponta da língua. E tínhamos os comediantes avulsos, repentistas, atacando pelo soleno. As sentenças idiossincráticas do Eduardinho da Cafelândia, as malandrices do Valença, as aventuras do Pimenta, as tiradas do Serafim d'Eiteiro, as saídas do Moisés, o Toninho da Luísa, que eu gostava de imaginar DaLuísa por causa do DeLuise americano, o Aníbal Carriço, o Zé do Registo em dias bons e fora do horário de expediente, o Zé Maria Sapateiro, o Sr. Lem, o Rates da Fábrica, o Manel Fogueiro, o Toninho do Café Chinês, o Aurélio Funileiro, o Chico Americano, o Tónio da Legião e o Aristides Carteiro, amiúde o Sr. Aristeu da Loja Nova e até o Joãozinho Summavielle, que aparecia pouco e só à noite, mas não deixava os seus créditos por mãos alheias.
Que rica terra! Estávamos, com efeito, muito bem servidos. Aliás, sobre toda esta esplêndida plêiade de bem-dispostos benévolos e amiúde militantes, tínhamos também a nossa conta de reconhecidos gabarolas e mentirosos, e Fafe era realmente abundante a esse respeito. Mentiam tanto e tão mal, patranhavam tão estrambolicamente os nossos queridos aldrabões, que acabavam por ter piada. Eram uns tontos, mas também uns pontos. Como aquele ilustre industrial fafense enquanto jovem que veio de férias do Ultramar e, palavra de honra, a guerra teve de parar até que ele regressasse ao mato. Raul Solnado, na verdade, não contaria melhor...

sábado, 15 de agosto de 2026

Agora, chama-lhe nomes...

E a culpa é do vinho?
Dizer-se que alguém tem mau vinho é um insulto ao vinho e uma grande injustiça. Há quem seja da pior espécie mesmo em jejum e abstinência, e que culpa é que tem o vinho? Mau vinho é outra coisa, e ainda assim serve para vinagre. Oportunamente abordaremos as não menos fracturantes problemáticas do mau fígado, do mau-olhado e do mausoléu.

"És um caguinchas!", chamou-lhe. "E tu és um parrano!", levou de troco. Todos os dias a mesma toléria, aqueles dois: colegas de escola, camaradas de armas, amigos do peito (mamaram da mesma ama e até bastante tarde), parceiros de quartilhos e do falar antigo, mas assim que tal, mal se entornavam no tinto, escamavam-se por dá cá aquela palha. - Que tal a pinga? - Calar... -, isto antes do destruete, sem mais nem menos, ali à frente do arraial inteiro: o arrepio, o atraso-de-vida, o borra-botas, o cagão, o moncoso, o ranhoso, o bisnaga, o torto, o piolhoso, o chulezeiro, o lamprancho, o pinante, o larilas, o maricandeiro, o azeiteiro, o boca-rota, o boca-suja, o leva-e-traz, o lambe-conas, o chupista, o choupilo, o mal-ajambrado, o todo-tirone, o lonchanei, o pinto-calçudo, o côdeas, o broeiro, o minguches, o cachicha, o piça-fria, o caga-na-saquinha, o corno, o sacrista, o licranço, o pascácio, o colhões-dácio, o videirinho, o sebento, o gijo, o catinana, o belga, o caiçara, o desgraça, o fastio, o esticadinho, o adeus-ó-vai-te-embora, o puta-velha, o boxevista, o já-me-tinhas-dito, o escova, o morgado, o penquicite, o bastelo, o bítala, o alma-grande, o meia-foda, o chega-rebos, o gibreiro, o armante também conhecido como senhor-caguei-pra-ele, o peneirento, o doutor-da-mula-ruça, o molho-de-ossos, o pau-de-virar-tripas, o meu-rico-menino, o remelado, o aluado, o lingrinhas, o matarruano, o burgesso, o chorinhas, o bronquite, o bom-serás, o enjoado-de-merda e o ganante, que tinha artes de desaparecer na hora das contas. Os do costume, portanto, e não estavam todos. Ainda por cima, com o molageiro, calistro profissionalizado e moina residente na mesa do canto, sempre a meter o bedelho, e às vezes carvão, como quem não quer a coisa. Que se segue? Apartava-os o alemido - "Bonda!", mandava ele, guindando-se da cadeira que já se lhe formatara ao cu, e ia às carreiras botar água na fervura antes que desse para o torto, escarmentado por mor daquela vez em que o liorneiro pôs tudo aos tiros só por ter chamado cosmopolita ao lincréu...
Quem me contou foi o anzoneiro.

O Animal e os outros animais

Aquela altura do ano
Uma vez em Agosto. "Cão deixado no lixo dentro de um saco gera onda de solidariedade em Vila Real", anunciava o jornal. Acrescentando: "Plataforma Proanimal alerta que nesta altura do ano há mais animais abandonados e menos pessoas disponíveis para os acolher." Verdade como punho, ontem como hoje. Embora não gere nenhuma "onda de solidariedade", está curiosamente a acontecer o mesmo com os velhos e com os recém-nascidos, por assim dizer, humanos - cada vez mais abandonados e com cada vez menos pessoas disponíveis para os acolher. É. Vivemos realmente uma "altura do ano" perigosíssima. Mas os cãezinhos, Senhor...

O cidadão Fernando Alves. O Animal, chamam-lhe, ou o Emplastro, que, segundo o semanário Expresso, foi contratado por agências turísticas para acompanhar os passeios pelo menos bêbados de mais de 15 mil finalistas universitários portugueses a Espanha, isto só em 2008. Quinze mil doutores, em dinheiro de hoje em dia, e devem estar todos agora a mandar no país. O extraordinário Emplastro que até foi ao Herman SIC e teve direito a dentes novos, dados por um desinteresseiro benemérito, ó que publicidade tão bem empregue.
Eu sei que há guerras por esse mundo fora, cá em casa Portugal arde, o país é assumidamente racista, já sem pedir desculpa, as crianças nascem na rua ou nas ambulâncias, bebés são deitados ao lixo e velhotes também, os ministros enrodilham-se em contas malfeitas e histórias mal contadas, os novos fascistas medram como cogumelos, as mulheres regressam à cozinha, até Deus anda metido com indivíduos da pior espécie, mas o campeonato de futebol começou e, portanto, o nosso Fernando apresentou-se ao serviço. A televisão sem ele é uma seca, e com ele também, mas o Fernando tem pinta. Tudo continua normal, normalíssimo, e cá vamos andando com a cabeça entre as orelhas, como dizia Sérgio Godinho, o escritor de canções. O pior é mesmo o defeso futebolístico, que, felizmente, já lá vai. No defeso, como o próprio nome indica, ninguém quer saber se o Fernando é herdeiro do Pinto da Costa ou filho do Luís Filipe Vieira, ou pai do Frederico Varandas ou sócio do António Salvador, e então o que é que se passa? Isto: sem câmaras de televisão para preencher, o Emplastro monta base à porta de um restaurante de Matosinhos, não sei se convidado ou somente tolerado pela gerência, e abrilhanta, à saída, copos de brutos, hic!, quero dizer, fotos de grupos, gente bem. Nos intervalos das suas pertinentes intervenções (faz cara de Emplastro, só lhe pedem isso), o Fernando deita-se na soleira da porta ao lado e então faz papel de famélico de Calcutá, o que lhe fica um bocado mal, estando ele gordo como um chino. E pede, se vê uma máquina fotográfica, "Uma moedinha, é para comer, é para comer..." - o número do costume. Não sei quem é que actualmente lhe está a cuidar da imagem e da carreira, o superagente Jorge Mendes não é de certeza, mas há ali qualquer coisa que não bate certo. Eu sei, já disse, é no defeso, mas isso não explica tudo.
O Fernando fez-se Emplastro a pulso, porque não é tolo nenhum - ao contrário do que muitas pessoas possam pensar -, mas também deu jeito a certas e determinadas televisões que ele fosse assim. E aos jornais. E às revistas. Pois se até o "entrevistavam" e lhe fizeram o "perfil"! Por outro lado, também já mete um bocado de nojo, não é verdade? Às tantas ainda o mandam para a Arábia Saudita.
Posso dar um palpite? Posso e é o seguinte: ninguém vai querer saber do Emplastro, quando o Fernando estiver deitado na soleira e for a sério (à séria, se lido em Lisboa). Nem os comensais arrotantes nem os estudantes terminais. Quem ousará sobressaltar-se quando o Animal for realmente abandonado?...

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A mania das grandezas

Para o Guinness
E finalmente colocou a melancia em cima do bolo. Era um bolo para o Guinness, é preciso que se note...

Portugal tem a Maior Renda de Bilros do Mundo, o Maior Arroz de Lapas do Mundo, a Maior Aula de Judo do Mundo, a Maior Aula de Surf do Mundo, a Livraria Mais Antiga do Mundo, o Maior Sobreiro do Mundo, a Maior Sardinhada do Mundo, o Maior Assador de Castanhas do Mundo, a Maior Concentração de Motas Antigas do Mundo, o Maior Pão com Chouriço do Mundo, o Maior Número de Não-Mágicos a Fazer Um Truque de Magia Num Único Local, a Maior Largada de Bolas do Mundo, o Maior Castelo Insuflável do Mundo e um Megaprato de Bacalhau Dourado que é o maior do mundo, tudo devidamente homologado pelo Livro dos Recordes do Guinness. Tem igualmente o Jornal Mais Pequeno do Mundo, a Maior Distância Percorrida em Cadeira de Rodas por 24 Horas, a Maior Omeleta do Mundo, a Maior Colecção de Garrafas de Uísque do Mundo, o Maior Número de Aviões de Papel Lançados Simultaneamente, o Maior Logótipo Humano do Mundo, o Maior Número de Horas Seguidas a Tocar Bateria, a Maior Onda Surfada, o Maior Número de Toques Numa Tecla de Piano Num Minuto e o Aplauso Mais Ruidoso do Mundo. Outro dia, Vila Verde informou que "entrou para a história", ao "conseguir a maior concentração do mundo de pessoas a dançar o vira minhoto", e eu, palavra de honra, não percebo porque é que Fafe se fica. Para além disso, Portugal tem ainda o inesgotável Cristiano Ronaldo, que, só à sua conta, dá ao país mais de trinta recordes, sem exagero. Com exagero, serão mais de cem...
Somos um país pela medida grande. É também nosso, e oficialmente certificado, o Maior Andor do Mundo: costuma sair à rua na Aparecida, em Torno, Lousada, a meio de Agosto. O famoso andor mede de alto quase 23 metros, pesa tonelada e meia e é transportado, diz-se, por mais de cem homens do sexo masculino. Aqui há uns anos, durante a procissão, o maior andor do mundo virou, caiu e feriu sete pessoas, número que, infelizmente, ficou muito longe de constituir recorde - e seria mais um para a conta. O desastre estava, no entanto, previsto: Deus, que gosta pouco de abusos de confiança, já se sentira incomodado com a Torre de Babel, e armou a confusão que se sabe.
Eu se fosse aparecidense - aparecidense e festeiro - e também tivesse a vaidade de pôr o nome da terra no índice do Livro dos Recordes, seria porém mais modesto, terreno e prático do que os construtores de sacristismos em altura. E não ia muito longe. Ficava-me ali pelas redondezas da capela e chamaria os do Guinness para provarem o cabrito assado no forno da Pitarisca. Evidentemente o melhor cabrito assado do mundo, estou farto de dizer, e não é preciso usar capacete.

A cocada e a monada

Como um passarinho
Morreu como um passarinho. Abatido a tiro.

A cocada e a monada, há quem as confunda. Porém existe-lhes uma diferença substancial. A cocada é uma pancada dada com a cabeça, uma cabeçada, e faz cócegas no nariz. A monada é uma porção de monos, macaquices, trejeitos, e, passando por cima do dicionário, evidentemente uma pancada dada com a mona, portanto uma cabeçada, mas não faz cócegas no nariz. Havia disso tudo em Fafe, e decerto ainda há. A tolada é outro assunto...