Como uma vaca espanhola
O Dia da Língua Espanhola e o Dia da Língua Inglesa são no mesmo dia, 23 de Abril, o que é curioso, talvez até paradoxal, e não deixa de ter piada. Porque a segunda coisa mais engraçada do mundo é ouvir um espanhol a falar inglês. A coisa mais engraçada do mundo é, como toda a gente sabe, ouvir um italiano a falar inglês.
Uma vez, num Verão, o Facebook oficial da Câmara de Fafe tentou colmatar a habitual falta de "notícias" da silly season com a publicação de uma série de verbetes a respeito de pássaros. Isso, elencando, uma a uma, as, assim apresentadas, "espécies autóctones de Fafe", digamos, a passarada fafense. Uma iniciativa muito bonita, louvável, ecológica, leve e arejada, tirando o facto de, na verdade, não existirem "espécies autóctones de Fafe", que, se as houvera, tanto jeito dariam para expor e premiar, em lugar à parte e de honra, pelos 16 de Maio, nas Feiras Francas, entre o concurso pecuário e a corrida de cavalo a passo-travado. Mas não. Nem o passarinho dom-fafe é daqui natural, apesar de ter um nome assim aparentemente tão nosso. Há aves que, como dizem os especialistas, ocorrem em Fafe, isto é, podem ser vistas em Fafe, mas são de todo o lado, ou de quase todo o lado, não foram inventadas em Fafe, não nasceram em Fafe pela primeira vez, logo a seguir aos dinossauros ou, pelo menos, no tempo dos romanos, para depois se espalharem pelos quatro cantos do mundo, como os nossos emigrantes. E é isso o que "autóctone" quer dizer...
Haverá em Fafe, quando muito, espécies de aves autóctones de Portugal, que são poucas, sobressaindo evidentemente as galinhas: a galinha amarela ou galinha minhota, a galinha branca, a galinha pedrês portuguesa, a galinha preta lusitânica e o peru preto português ou peru preto alentejano. Mas pronto.
Foi em 2025. Se tomei devida nota, o Município fafense começou então por chamar a si a andorinha-das-chaminés, o tartaranhão-caçador, o corvo-marinho-de-faces-brancas, o papa-figos, o tartaranhão-azulado, a garça-real e o cuco-canoro. E eu fiquei, sentado, à espera do resto. Dos melros, dos pombos, das rolas, das pegas, das poupas, das fuinhas, dos bufos, das escrevedeiras, dos maçaricos, dos abutres e, por exemplo, dos papagaios, que realmente abundam em Fafe e também são filhos de Deus.
Entretanto a série parou por ali, tanto quanto me é dado saber, sem mais explicações até hoje. Talvez a obra tenha ficado a meio...
Foi em 2025. Se tomei devida nota, o Município fafense começou então por chamar a si a andorinha-das-chaminés, o tartaranhão-caçador, o corvo-marinho-de-faces-brancas, o papa-figos, o tartaranhão-azulado, a garça-real e o cuco-canoro. E eu fiquei, sentado, à espera do resto. Dos melros, dos pombos, das rolas, das pegas, das poupas, das fuinhas, dos bufos, das escrevedeiras, dos maçaricos, dos abutres e, por exemplo, dos papagaios, que realmente abundam em Fafe e também são filhos de Deus.
Entretanto a série parou por ali, tanto quanto me é dado saber, sem mais explicações até hoje. Talvez a obra tenha ficado a meio...