terça-feira, 1 de setembro de 2026

O cu pelo nariz acima

Águas mil
Era um bêbedo que realmente sabia estar. Cada vez que se urinava pernas abaixo, ele dizia, sem perder a compostura: - Rebentaram-me as águas. Levem-me à maternidade, por favor!

A Bó de Basto contava. Já não lembro se era história verdadeira derivada a alguém da família antiga ou apenas diz-que-diz-que a respeito de vizinhos lá da aldeia, liornas, às tantas. Sei é que era um casal e que o casal se tratava reciprocamente por vossemecê - forma de tratamento muito mais rústica e ancestral do que cuidam as "tias" e os "tios" do então-vá e as "sobrinhas" ou "sobrinhos" do veja-bem.
Naquele tempo e pelo menos na nossa zona, beber vinho era, à falta de outros horizontes, um honrado modo de vida. E, quanto ao casal da nossa história, marido e mulher também bebiam a sua pinguinha, que era uma forma modesta de dizer que passavam todo o santo dia com a malga de americano caseiro enfiada nos queixos. Que se segue: de vez em quando, à noite, o caldo entornava-se. Fosse pelo vinho, fosse pela falta de petróleo na candeia, que se chamava "luz", e os fósforos para a acender chamavam-se "lumes", também ditos "palhites", fosse pelo empurrão traiçoeiro do fogo da lareira, o casal desavinha-se. Nada de grave ou físico, apenas desconversa. Ralhava um, ralhava o outro, cada qual ameaçava, "caralho que!...", mas nada. Até que uma maré, ele - só podia ter sido ele -, sacramentalmente dono da última palavra e mortinho por ir para a cama, arrumou a questã a seu favor da melhor maneira que soube e pôde, que foi, virando-se para ela, atirar súpeto: "Ora meta-me o cu pelo nariz acima". Para logo remendar, coçando as partes com um entusiasmo que só visto: "Ora vá bardamerda, que até me enganei", porque evidentemente o que ele queria dizer era "Ora meta-me o nariz pelo cu acima", como toda a gente diz. E depois foram fazer meninos um com o outro, que naquela terra era assim e muito.

Em Basto, no Inverno, no tempo em que havia estações do ano, o frio era muito, não existia electricidade nem televisão, era noite logo às cinco da tarde ou antes, mas ninguém se queixava e nasciam muitas crianças. Em Portugal era noite há mais de quarenta anos, e outros portugueses noutros sítios estariam ainda em pior situação, suspeitava-se de bico calado lá naquele fim do mundo alumiado a "pitroil". Por outro lado, nunca percebi como é que aquele povo não morreu inteiro vítima de uma epidemia de incêndios vínicos e domésticos. Já agora: se a "luz" fosse a pilhas, isto é, se fosse uma lanterna, ou "lenterna" ou "linterna", uma novidade que chegou a Passos com os anos de atraso do costume, então chamava-se "foxe", evidentemente por causa de ser um foco, um foco de luz, devendo dizer-se "focse". E, sim, escrevi mesmo questã, não lhe falta o ó final. Era assim que se falava, questã, respeitando o feminino.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Os cinemas também se abatem

Fitas...
Não vá em fitas! Máscara de ferro é uma coisa, testa-de-ferro é outra.

O cinema foi sempre a coisa mais importante da minha vida, até deixar de ser. Creio que a última vez em que entrei numa sala de cinema convencional levava pela mão o meu filho, ou vice-versa, para vermos "O Rei Leão", portanto no Verão de 1994 e, lamentavelmente, era a versão portuguesa.
Comecei cedo, ainda de calças curtas e a dar uso nas legendas às primeiras letras que trazia aprendidas da escola. Era o tempo do cinema ao ar livre na parada das traseiras dos velhos Bombeiros, na Rua José Cardoso Vieira de Castro, entre os dois palacetes. Debaixo da escadaria do quartel foi montada uma espaçosa e saudabilíssima cabina de projecção toda ela construída em lusalite, e o terreiro enchia-se de cadeiras e bancos corridos com costas. O operador era o Porinhos, se não me engano, eu via os filmes da janela do quarto do meu padrinho e tio Américo, derivado à falta de idade, depois o cinema acabou sem mais nem menos, sem me avisarem ou explicarem, a parada lá ficou, como o próprio nome indica, e o barraco, de tão jeitoso, aproveitou-se para arrecadação das tralhas do meu avô.
Ainda em Fafe, mais tarde, tornei-me ferrinho do Teatro-Cinema, andei pelas aldeias com o Pimenta, de catrel e altifalantes, a anunciar os "ma-gní-fi-cos" filmes que, pelo Verão, passavam no campo de futebol e eram tão fraquinhos, frequentei bissextamente o salão inacabado do Martinho da Granja, se a memória não me atraiçoa, e fui uma ou duas vezes ao Estúdio Fénix. Entretanto, levado pela vida, tinha-me virado para Braga - São Geraldo e Teatro-Circo -, e para Guimarães - São Mamede e Jordão. Vi cinema, de forma avulsa e por exemplo, em Vila Real, Figueira da Foz, Amadora, Lisboa, Dublin, Roma, Manchester ou Bordéus, onde de momento estivesse e pudesse.
Instalei-me no Porto e não me escapou um: Águia D'Ouro, Batalha, Carlos Alberto, Charlot, Coliseu, Estúdio, Estúdio Foco, Estúdio 400, Júlio Dinis, Lumière, Nun'Álvares, Passos Manuel, Olímpia, Pedro Cem, Rivoli, Sá da Bandeira, Terço, Trindade, Vale Formoso, Chaplin, em Leça da Palmeira, e até o Vitória, na Circunvalação, mas tecnicamente do lado de Rio Tinto, Gondomar.
E agora, que é deles? Onde estão os velhos cinemas do Porto? Fecharam todos? A cadeado? Foram todos ao shopping e perderam-se? Eu sei que também não vou ao cinema há mais de um quarto de século, mas a culpa não é minha: é do meu filho, que cresceu, e isso realmente faz-me diferença.

À facada, era tiro e queda

Uns para os outros
José deu uma facada a António. António deu um tiro a José. É a vida. Temos de ser uns para os outros.

Sou dos filmes de cobóis desde pequenino e particular consumidor dos spaghetti de Sergio Leone com molho de Ennio Morricone. Comecei a vê-los no Cinema de Fafe há mais de meio século e nunca mais parei. Tenho-os agora na despensa, a colecção completa e indispensável, que me foi oferecida pelo meu irmão Orlando. Gosto. Gosto e assobio. Vejo-os sempre que me apetece, e se dão na televisão (como dão de vez em quando na RTP 2, cada vez menos, ou agora nestes canais que nos saem do bolso, como, por exemplo, outro dia, no Fox Movies), não mando ninguém ver por mim. Vejo eu próprio, em pessoa. Vejo e assobio. Porém, ao fim destes anos todos e após milhões de sessões, devo confessar o seguinte: continuo sem perceber a dinâmica da morte dos bandidos. Há ali qualquer coisa que não bate certo. Quer-se dizer - os bandidos é como tordos, morrem uns atrás dos outros, do mais fraquinho e insignificante até chegar ao chefe que até sabe artes marciais, e assim é que está bem, ordem acima de tudo, mas já reparastes à custa e ao fim de quantos balázios? Já contastes quantas balas são precisas para matar um bandido, um só, nem que seja um simples soldado raso, um bandido tão bandido que nunca abriu a boca durante o filme, um figurante praticamente? Mais de dezasseis e todas na muche, isto é, na mosca, até que o estafermo do bandido, um só, aceite esticar de vez o pernil, deixando o filme avançar. É muita despesa e má propaganda à inquestionável pontaria, por exemplo, de um atirador do calibre de um Clint Eastwood. Em contrapartida, quando a coisa é resolvida à facada, o mau da fita morre logo à primeira. Tiro e queda, já vistes?
Acho mal. E portanto assobio.

domingo, 30 de agosto de 2026

À espanhola, mas sem castanholas

As barbas de molho
Até que um dia, de tanto ouvir falar naquilo, ele pôs as barbas de molho. Mas nunca soube para quê. Se ainda fosse bacalhau! Ou, vá lá, pelo menos uns tremoços...

Antes que o mundo acabe, faço questão de esclarecer o seguinte: bacalhau à espanhola não é caldeirada de bacalhau, tampouco ensopado de bacalhau. Ide a Fafe a aprendei: bacalhau à espanhola é um prato que pede azeite e não água. Perguntai aos antigos. É quase um guisado, de molho grosso e aveludado, e com o tempero apurado até aos limites legais de sal, pimenta, alho, louro e salsa. Por mim, também malagueta. Colorau, um nada só para dar cor, mais dourada do que vermelha. E, tomai nota, o pimento e o tomate são duas desnecessidades usadas apenas por quem pensa, mas não sabe, que só assim é que é "à espanhola". Erro crasso. O bacalhau à espanhola é à portuguesa! É à moda de Fafe, como era feito em todos os lares, ricos, pobres ou entremeados, pensões, tascos e saudosas casas de pasto da minha terra. Depois chegaram os restaurantes. E os snack-bars. E as tascas. E escangalharam tudo...

(Falo em fim do mundo e falo a sério, e não em cuecas, porque isto aqui não está para brincadeiras, um destes dias acordamos e está tudo morto, peço desculpa por ser tão cru. Entre solstícios e eclipses, luas de sangue, apagões, meteoros, asteróides, cometas e sextas-feiras 13, terramotos e terroristas, Elon Musk, Donald Trump e Vladimir Putin, claques de futebol, Montenegro, Ventura e rusgas policiais, basta uma corrente de ar, coisinha de nada, um arzinho que lhe deu, e a casa vem abaixo, quer-se dizer, já não há mais bacalhau para ninguém. O que é pena, porque, sejamos honestos e reconhecidos, o bacalhau é o melhor amigo do homem, só lhe falta ladrar, e, se tivéssemos mais um bocadinho de tempo, de mundo, vamos dizer assim, se calhar o bacalhau... au... au... ainda lá chegava.)

De volta ao tacho, ao nosso bacalhau à espanhola. O bacalhau até pode ser de quarto, daquele que, inteiro, não mede mais do que um palmo, e pode ser pouco, praticamente espinhas. Não faz diferença nenhuma. O importante é o gosto que o bacalhau empresta, o equilíbrio do tempero geral, a consistência da molhanga. Quando eu era pequeno e os tempos eram de mais pobreza do que agora, a minha mãe fazia um bacalhau à espanhola a que, honestamente, chamava batatas à espanhola. E vós não fazeis ideia do que perdestes por nunca terdes provado as batatas à espanhola da minha mãe...
E pronto, era isto. O mundo já pode acabar. Estou preparado, enfim de consciência tranquila. Andava com esta espinha atravessada na garganta, mas está o assunto resolvido. E agora, se me dais licença, vou à cozinha salgar uns ossinhos da suã para o almoço de terça-feira.

Um tubarão na sopa

Ambos os dois
A minha sogra tinha 87 anos e padecia de um apetite voraz. Prato, sopa e sobremesa em quantidades que eu aqui não digo para evitar a abertura de um conflito diplomático com a Somália. Digamos apenas que a minha sogra era uma multidão a comer. Certo dia perguntei-lhe:
- E agora, quer fruta ou bolo?
- Pode ser - respondeu-me a minha sogra.
- Pode ser o quê? - insisti, até porque a minha sogra é um bocadinho surda quando quer.
- Fruta e bolo - esclareceu a minha sogra, sem sequer olhar para mim.
A minha sogra tem actualmente 94 anos. E continua a bombar.

Parecendo que não, isto interessa muito a Fafe, agora que Fafe tem o oceano da Barragem de Queimadela. Era uma notícia e a notícia tinha um título. O título tinha tudo para ser um bom título, tirando o facto de ser um título de merda. Dizia o jornal de referência: "Vale mais um tubarão no mar do que na sopa". Um tubarão na sopa? Um tubarão? Com cabeça e tudo? Ou a cabeça é para cozer à parte, com grão? Desculpai-me que meta o bedelho, mas chamar a mosca ao assunto não seria mais credível? Quero eu dizer: mais vale uma mosca no ar do que na sopa. Isto é que está certo, ou não? É que os nossos pratos, ainda que peguemos nos sopeiros, ainda do tempo do Mário da Louça, são muito pequeninos. E cada vez mais. Por causa dos tubarões - os outros.
Resumindo e concluindo: hoje é Dia Internacional do Tubarão-Baleia, e, olhai, bom proveito!...

sábado, 29 de agosto de 2026

Quando se perdia a mondinense

Dois copos e um quarto
Bem medida, uma garrafinha de cinquenta centilitros (50 cl), isto é, meio litro, ou, chamando a coisa pelo nome, um quartilho, dá dois copos e um quarto. Era exactamente dessas que ele bebia: para ter onde dormir...

Há muitas maneiras de o dizer, deste e do outro lado do mar: beber, alcoolizar-se, emborrachar-se, embriagar-se, inebriar-se, tachar, tomar, encharcar, chumbar-se, avinhar-se, enfrascar-se, ficar de pileque, alto, grosso, mamado, tomar um porre, praticar desporto líquido, molhar os pés, ficar como um escalo, como uma nabo, como um cacho, como um avião, ficar doente, indisposto, apanhar uma ramada, uma piela, uma perua, uma bebedeira, uma carraspana, uma borracheira, uma cardina, um pifo, uma tosga, uma touca, uma bezana, uma narsa. Mas: perder a mondinense, suponho que só em Fafe se dirá. Ou dizia. Perder a mondinense.
A Mondinense disputava então com a João Carlos Soares o negócio do transporte rodoviário colectivo de passageiros entre Porto e Fafe e vice-versa. Eu era passageiro. Eu ainda hoje sou passageiro. Os asmáticos autocarros da Mondinense, que, se não me engano, faziam a viagem pela serra da Agrela, via Santo Tirso, numa espécie de breve apresentação turística à Rota da Prostituição de Baixa Montanha, tinham "escritório" numa obscura garagem à beira do desabamento e tresandando explosivamente a mijo, vomitado, fumo e gasóleo, ali para os lados do portuense Jardim de São Lázaro. A Mondinense era isso. E a João Carlos Soares, que tinha banca na Rua de Camões, ao lado da Estação da Trindade, e vinha por Famalicão, é actualmente Arriva.
Mas a explicação da expressão nossa? Perder a mondinense. Então: bebia-se e perdia-se a memória e esqueciam-se as horas. Esqueciam-se as horas e bebia-se e perdia-se a memória. Perdia-se a memória e esqueciam-se as horas e bebia-se. E assim se perdia a mondinense.

Nostradamus, vostradais, elestradão

O cigano e o sapo
Havia aquele cigano, espírito de contradição, que só entrava em estabelecimentos que tivessem um sapo de louça a servir de porteiro.

Nostradamus, estais a ver? Se não estais a ver, pensai em Orson Welles e chegais lá. Ah, também não estais a ver Orson Welles! O grande realizador e actor americano, a voz potente, a presença imensa, o "Citizen Kane", o pregador de partidas que, em Outubro de 1938, transmitiu a versão radiofónica da "A Guerra dos Mundos", de H. G. Welles, simulando uma reportagem em directo sobre a invasão da Terra por marcianos, e os americanos, que acreditam em tudo, até no Trump, caíram que nem patos e o medo paralisou pelo menos três cidades e o pânico tomou conta de várias localidades próximas de Nova Jersey, onde o programa era feito e onde, faz de conta, o ataque começara. Ainda nada? Não adiantou? Também não interessa, eles são realmente muito antigos. Michel de Nostredame, aliás, foi um boticário e médico francês da Renascença que praticava muito bem a alquimia e rondava satisfatoriamente o ocultismo e a astrologia. Escreveu um famoso livro em versos intitulado "As Profecias", o qual, como o próprio nome indica, conteria previsões codificadas acerca do futuro, e tão codificadas seriam que só alguns muito poucos é que continuam a acreditar naquelas cousas sem sentido. Ou, a posteriori, com o sentido que se lhes quiser encaixar. Pois Orson Welles é o apresentador-narrador do documentário de 1981, de Robert Guenette, "Nostradamus - O Homem que Viu o Amanhã", que vi no Porto, creio que no Cinema do Terço, no seu glorioso tempo de reprises, meia dúzia de anos depois. Também já lhe tiraram a tosse, ao velho Cinema do Terço, mas não era de nada disto que eu queria falar.

Eu sou de Fafe. Com muito gosto! E a sina, em Fafe, era lida por umas senhoras ciganas às quartas-feiras em cima da Arcada, sempre com um olho na mão e outro na polícia. A alternativa mais académica e legal era a balança colocada à porta do "escritório" das camionetas do João Carlos Soares, mesmo em frente ao Café Avenida. Subia-se para a balança, metia-se a moeda e saía um cartãozinho com o peso mais ou menos e o horóscopo resumido. Quem não ficasse satisfeito, era só pesar-se outra vez e o futuro mudava imediatamente. O peso às vezes também...
Fafe era terra aberta aos ciganos. Os ciganos de Fafe eram fafenses sem discussão, fafenses iguais entre todos os fafenses, aprendi isso desde pequeno. Em Fafe, os ciganos eram uns de nós. Em nossa casa, no Santo e depois no Assento, onde vinham amiúde buscar roupa usada ou pedir conselho à minha mãe, os ciganos comiam à nossa mesa, connosco, e eram tratados pelo nome de cada qual, não por ciganos. Quer-se dizer, não eram ciganos, eram, repito, uns de nós - o que sempre me pareceu a coisa mais natural do mundo.
Não sei como é agora em Fafe com os ciganos, mas quero acreditar que está tudo nos conformes. Fafe - que, entre outros não menos honrosos galhardetes, é Zona Livre de Armas Nucleares, recebeu o selo de mérito RACCI, categoria prata, e foi reconhecida pela ONU, ó meu Deus pela ONU, como Cidade Resiliente 2030 - só pode continuar a ser uma terra aberta aos ciganos. Um destes dias, tenho a certeza, o Município ainda vai pedir o respectivo diploma.

Nostradamus, nome latino e artístico, padecia de epilepsia psíquica, de gota e de insuficiência cardíaca. Se a isto tudo somarmos a habilidade para a leitura dos astros e das cartas de tarô, facilmente perceberemos que o artista viveu e morreu antes do tempo. O nosso Miguel seria o convidado ideal, diário, bidiário, ou talvez até terciário, para todos os programas das manhãs e das tardes das televisões generalistas portuguesas de hoje em dia.
A mais eficaz profecia de Nostradamus acabou por ser, lamentavelmente, a do seu próprio falecimento. Em 1566, dia 1 de Julho, inesperada véspera do definitivo dia 2 de Julho, estava o profeta cada vez mais à rasca derivado ao dramático agravamento da gota e da artrite, chamou o seu secretário e, entre trovões e relâmpagos e talvez sarças ardentes de febre, disse-lhe o que já lhe dissera mais do que uma vez: de amanhã não passo. E finalmente acertou.