segunda-feira, 11 de maio de 2026

Os rabilhos, sem menosprezo pelos outros

O mercado de peixe
Quem é que ainda se lembra de ver a funcionar o velho Mercado de Peixe de Fafe, na Feira Velha, o nosso pequeno "Ferreira Borges"? A funcionar e a cheirar, isto é, a feder e a exabundar de moscas, que aquilo era um pivete que não se podia. Talvez por isso o povo o tenha adoptado como latrina pública, mesmo ali nas barbas da Câmara, durante a sua longa temporada de abandono.

Rabilhos. Os japoneses são malucos por rabilhos. E as notícias dão conta disso, de vez em quando. É um assunto que me interessa sobremaneira, isto dos rabilhos japoneses. Aqui atrasado, um atum com 278 quilos foi comprado por dois vírgula sete milhões de euros, em Tóquio evidentemente, no mercado de Toyosu, que substitui o famoso mercado de Tsukiji, que era o maior mercado de peixe do mundo e uma das principais atracções turísticas da capital japonesa. O atum em questão foi a grande estrela do sempre muito aguardado primeiro leilão de Ano Novo, e bateu, sem culpa nenhuma, todos os recordes. Sei disto tudo porque o jornal Público mo contou na altura. E o Público, por favor não confundir com o Correio da Manhã, conta muito bem estas e outras extraordinarices. Para além disso, o Correio da Manhã é em vermelho.
Meses antes, um atum com 162 quilos tinha sido vendido por 4,3 milhões de ienes (quase 33 mil euros), ainda no velho Tsukiji, no seu último leilão, a uma escassa semana de fechar portas. Um atum praticamente dado, em boa verdade. Com efeito, em Janeiro de 2013, sempre contado pelo jornal Público, atentíssimo a estas coisas até mais não, um atum gigante fora comprado, no mesmo mercado, pelo então preço recorde de 1,38 milhões de euros. O peixão pesava 222 quilos, ficando por isso a cerca de quatro mil e setecentos euros cada quilo, é só fazer as contas. O outro, o tal do Ano Novo, custou mais de dez mil euros o quilo. Ora passa-se o seguinte: aqui atrasado comprei um atum anão, cá em Matosinhos, na peixaria da Dona Augusta, por pouco mais de euro e meio, eu seja ceguinho, e mais fresco era impossível. Pesava quase três quilos, saiu-me a rondar os 50 cêntimos o quilo.
As notícias afirmam que o atum gigante japonês era "rabilho". O meu atum anão, sinceramente não sei. Mas também foi comido. Em bifinhos. De cebolada. E que bem que nos soube.

Não percebo se é a fartura que os desorienta, mas a verdade é que os japoneses são mesmo um bocado tolos nisto de compras. Em Julho de 2014 soube-se que um cacho com 34 uvas, cada bago a pesar cerca de 30 gramas, foi vendido pelo simbólico preço de quatro mil euros. As uvas eram da raríssima casta ruby roman. E eu? Ainda ontem comprei na frutaria aqui da rua um bom gaipelo com 15 bagos e dois pequeninos, e não paguei mais do que cinquenta e três cêntimos. Evidentemente não eram ruby roman, muitíssimo longíssimo disso. As minhas uvas eram colhão-de-galo e, se quereis que vos diga, fiquei muito bem servido...

Uma questão de chá

O milagre do vinho
Os médicos disseram-lhe que nunca mais poderia beber. E no entanto ele conseguiu beber até ao fim, apanhando carraspanas de caixão à cova. Foi considerado um milagre.

Contava-se. Havia umas irmãs em Fafe que saíam ao café para tomar chá - gente fina, conhecida e provavelmente falida. Era um chá para as duas, ambas as manas de mindinho espetado, requintadas, naftalínicas, vagarentas, excêntricas, assoprando cerimoniosamente, lábios em biquinho, uma beberricando pela chávena e a outra pelo pires, combinação lá entre elas e o velho empregado do café. As boas senhoras estavam na minha lista de presumíveis Miss Marple. O chá, constava, era vinho branco.

O Sr. Fala-Barato, pai, era um homem imponente e tomava chá. Tomava chá no Café Chinês, porque isto anda tudo ligado. O Sr. Fala-Barato, que também era um homem antigo e sábio, chegava lentamente, sentava-se com todos os vagares e uma das filhas, via de regra a mais nova, e pedia, muito simplesmente: - Chá prò velhote!
Às vezes, em dias talvez de melhor disposição e superavit de autoestima, o Sr. Fala-Barato, que também tinha a sua piada, investia um pouco mais nas palavras e dizia: - Chá prò velhote, que o velhote merece!...
Eu era pequeno, mocico de escola, ouvia tudo e aprendia muito bem. Tomei conta da frase e ainda hoje lhe dou uso, sem nunca esquecer a fonte. Os poucos que partilham a mesa comigo e já tantas vezes me ouviram dizer, quando reabasteço, "Um copinho prò velhote, que o velhote merece", ficam agora a saber de onde é que me saiu a ideia.

Quanto a mim, realmente, nunca fui dado a chás, tirante o chá de parreira e hoje em dia, derivado à idade, infusões de barbas de milho e pés de cereja, para o estupor da bexiga. As voltas que a vida dá: barbas de milho, já as fumei bem fumadas, em devido tempo, na infância fafense, misturadas com folhas secas de vide, para aromatizar, e agora levo com o chá. Quer-se dizer. Falo de chás e os vapores da memória puxam-me para os curandeiros, talhadores e endireitas de Fafe e arredores, mulheres e homens honrados e competentes, abençoados por saberes antigos, e generosos aliviadores de corpos e espíritos. Safaram-me algumas vezes. Este povo sabia muito de chás, mais do que o habilitado propagandista da santa Alexandrina, nos nossos dias de feira, e quase tanto como o Quinzinho da Farmácia, nos outros dias todos. Tínhamos um rico sistema de saúde. E depois ainda veio o bruxo, não nos falta mesmo nada, não nos podemos queixar...

Uma feira que era três, talvez quatro

O homem-crocodilo
Despedido pela Lacoste, o homem-crocodilo fez-se à vida e foi com a mulher vender nas feiras. Mas bastante contrafeito.

A feira de Fafe era três. Um três-em-uma, três feiras numa só, pague uma e leve três. A feira de Fafe era um pacote, uma pechincha. Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três! Tínhamos a Feira propriamente dita, no terreiro do Largo, actual Praça 25 de Abril. Tínhamos a Feira das Galinhas, na hoje chamada Praceta Egas Moniz. E tínhamos a Feira do Gado, na Feira Velha, agora dita Praça Mártires do Fascismo. As três eram apenas uma, coincidiam no mesmo dia, quarta-feira, como ainda hoje, a dispersão geográfica não passava de um pormenor, mas de vanguarda. Se fosse hoje, dir-se-ia que era uma feira em três pólos. Ricos tempos! Tínhamos muito, tínhamos tudo, uma fartura. De feira estávamos nós bem servidos, faltava-nos era dinheiro para as compras.
Era. A feira de Fafe era três, talvez quatro. Em bom rigor, a feira começava antes da feira, logo por Cima da Arcada, numa espécie de antecâmara dedicada às artes performativas e da propaganda, espaço semanalmente ocupado pelo vendedor de banha da cobra, pelos milagres e mezinhas da santa Alexandrina de Balasar, pelas pacientes Testemunhas de Jeová e, ocasionalmente, pelo Rei das Limas, que, no entanto, era praticamente da casa, como fazia questão de apresentar-se. E havia também um sítio especial para o pão, diversos tipos de pão regional, doméstico, de Fafe e das redondezas até Amarante, especialidades vendidas por duas ou três senhoras e por um senhor que vestia um avental de peito, comprido até aos pés, impecável de branco e de limpeza.
Descidas as escadas, no Largo, os ourives instalavam-se debaixo dos arcos da Arcada ou logo em frente, hoje sítio de esplanadas e medíocres programas de televisão de aluguer. Parecia que o ouro do mundo inteiro se juntava ali, em cima de bancas de madeira forradas a flanela negra, as nossas ourivesarias Martins e Pérola também montavam estendal, e eu ficava a imaginar aqueles ourives todos com os bolsos dos casacos cheios de pistolas e espingardas caçadeiras, e sobretudo com uns tomates muito grandes dentro das calças, porque de outro modo não podia ser. Eles andavam assim carregados de terra em terra, quer-se dizer, sem seguranças, sem carrinhas blindadas, sem telemóveis, sem ligação directa à polícia, sem satélites, sem drones, nada, só o patrão e talvez um empregado de preferência solteiro, sem filhos e eventualmente borrado de medo, os dois enfiados na velha carripana e a rezar o terço. Isto é, estavam mesmo a pedi-las...
No terreiro da feira era o costume. Hortaliças, legumes, verduras, frutas, talvez secção de louça e panelas. E muito povo. A feira instituíra-se local de encontro semanal, mais do que a missa de domingo, e aqui, zona de cozinha e mesa, eram sobretudo mulheres. Outra vez descendo, para a Feira Velha, aí eram principalmente homens, lavradores em maioria, com as carteiras a abarrotar de notas de conto. À roda da escola fascista cujas pedras deram, por milagre, em capela, vendia-se e comprava-se gado. Bois, vacas, bezerros. E alfaias agrícolas, e jugos e sogas, e pipas e dornas, e latoaria, e fatos e samarras e capotes e croças e chapéus e bonés e sapatos e botas e galochas e chancas e socos. E nos tascos das redondezas, isto é, na vila inteira, apanhavam-se pielas de caixão à cova. Lá dentro, na escola, era um cheiro a bosta que se não podia, mas o regime realmente também não se recomendava...
Gado de mais pequeno porte, digamos, frangos, galos, galinhas, garnisés, pintainhos e coelhos das mais variadas origens e díspares feitios, isso era mais cá para cima, na Feira das Galinhas, larguinho de terra virado para a Igreja Nova e onde se mercavam também ovos, farinhas, feijão e milho, saquinhos de sementes, tudo colocado no chão estreme, em carreirinhas ordenadas, honestas, sem truques para enganar o freguês. Fazia-se comércio directo. Havia quem levasse à feira galinhas de patas atadas, debaixo do braço forte ou enfiadas em cestas de vime com a crista de fora, e trouxesse para casa meia dúzia de sacos de feijão e grão, sacos de pano, sossegados no açafate muito bem tenteado na cabeça com rodilha.
A Feira das Galinhas funcionou também, transitoriamente, no Largo Ferreira de Melo, entre os sanitários do Jardim do Calvário e as traseiras com laguinho do posto da Polícia de Viação e Trânsito. E, lembro-me agora, chegou a haver um mercado de sábado, mas só pelas manhãs, parece-me, no nosso Santo Velho, outro terreiro. Era uma feirinha.
Há muito despejada do Largo, a feira de Fafe andou entretanto com a tenda às costas, deu as suas voltas, até assentar arraiais na hoje chamada Praça das Comunidades, feita de propósito para a função. E ali está de armas e bagagens, creio que bem instalada e para ficar. Mas é só uma...

domingo, 10 de maio de 2026

Cor de burro quando foge

Dia do Panda
O Dia do Panda é apenas uma vez por ano, mais concretamente a 16 de Março. De resto, anda sempre de Mercedes.

Os Porsche eram verdes, como o do João Ricardo Mendes Ribeiro. Os Volksporsche eram amarelos, como o do Armando das Mobílias. Os Rolls-Royce eram pretos, como o da visita do Tomás. E os Ferrari eram vermelhos, subversivamente vermelhos. Tudo ao natural, como Deus quis e criou, de Fafe para o mundo inteiro. Depois, não sei dizer quando, alguém de muito mau gosto trocou as tintas e lançou o caos. Agora vai por aí nas estradas uma babilónia de cores e carros que ninguém se entende, pelo menos eu.

Condutora inteligentíssima

Pegada ecológica
Tinha uma pegada deveras ecológica. Fosse aonde fosse, ia sempre em pezinhos de lã.

Um casal de idosos num daqueles carrinhos portáteis, os papa-reformas, como alguém teve a feliz ideia de lhes chamar. Nas calmas, evidentemente. Atrás do carrinho de corda, uma condutora de um veículo a sério (à séria, se lido em Lisboa), talvez eléctrico, uma verdadeira automobilista. A condutora, jovem e dinâmica, urgente, tem óculos de sol e pressa de ambulância: buzina, assobia, gesticula, grita através da janela aberta:
- A passear!?...
Era domingo, duas da tarde, na ensolarada estrada à beira-mar. Condutora inteligentíssima! Sim, às tantas os velhos iam mesmo a passear...

O Fredinho Bastos e o Tangerina

Desenho Nestinho

O novo administrador
Ele tomou posse e imediatamente operou uma revolução completa na frota da empresa. Os veículos passaram a chamar-se viaturas.

Eu ia ver o Rali com o Fredinho Bastos. O Rali assim com merecida maiúscula inicial era um acontecimento emocionante pelo qual esperávamos ansiosamente durante um ano inteiro e que se dividia em três partes, como jogo e meio de futebol: a viagem até à Lagoa, sempre em modo de rali a partir de Medelo, a passagem do rali propriamente dito, que para nós os dois acabava logo após o sétimo ou oitavo carro, e a merenda que se seguia, nem que chovessem canivetes, pelo menos se os canivetes fossem pequenos e chovessem fechados. Eu, por mim, ficava ali a ver o resto dos concorrentes até ao fim, mas o Fredinho fazia questão de me ensinar a relatividade das coisas e a prioridade de umas sobre outras. "O rali já acabou, isto agora não é nada. Vamos mas é comer", dizia todos os anos, sem querer saber da minha opinião. E lá íamos atacar o farnel, preparado com todo o carinho pela sua mulher - uma Senhora a quem devo muito mais do que apenas bolinhos de bacalhau e panados, aliás de categoria. O Rali era o Rally de Portugal. E o Fredinho foi o meu professor de ralis.
Eram outros tempos. Fazíamos o caminho de regresso até ao carro pela estrada do troço de competição, encostando à berma quando se aproximava o roncar de mais um motor, mas (o Fredinho tinha razão) aquilo era só bazófia, muito roncar para tão pouco poder. Dava tempo para tudo. Até para cumprimentar pilotos e penduras da segunda metade da tabela, que estavam no largo do famoso Santuário de Nossa Senhora das Neves ainda à espera da ordem de saída. O Fredinho conhecia aquela malta toda. Ele, Alfredo Bastos, também tinha sido corredor de ralis.

Aqui que ninguém nos ouve. Fafe era uma terra de partidos, de facções, de rivalidades tolas, de antagonismos pascácios. Era uma mania, como uma doença, uns por uns e outros por outros, senão, nos tascos e nos cafés, ia-se discutir o quê? Havia que ateimar por alguma coisa. Tínhamos os dois grupos de futebol - o Sporting Clube de Fafe e o Futebol Clube de Fafe -, que já não são do meu tempo, por muito pouco, tínhamos e temos as duas bandas de música - Revelhe e Golães - e respectivos bandos de apaixonantes, tínhamos a Escola Industrial contra o Colégio, tínhamos o PS de Fafe pim e o PS de Fafe pam e o PS de Fafe pum e o PS de Fafe pim-pam-pum, tínhamos a Rua de Baixo e a Ponte de Ranha, que de vez em quando também faziam faísca e, noblesse oblige, andavam à coiada, tínhamos os dois cangalheiros, Albano da Costa e Damião Monteiro, até tínhamos o Foto Victor e o Foto Jóia e as suas clientelas rivais, portanto a coisa mais natural do mundo era que a população fafense também se dividisse em claques entre os dois fângios locais, o Fredinho e o Tangerina, como quem diz, o Motinha, embora só o Fredinho tenha feito carreira oficial, primeiro com o NSU creio que TTS e depois com o famoso Vauxhall Viva GT, marcando habitualmente presença em ralis, rampas e não me lembro se também na velocidade de Vila do Conde. Para além disso, o Fredinho dava também uma mão como motorista dos Bombeiros, e aí, meus amigos, de sirene ligada, então é que era sempre a abrir. Desse tempo e dessas lides, do que eu mais gostava era do rali chamado Rali à Lampreia, pronto, já disse, achava e acho um piadão ao nome, e ele ainda anda por aí.
Quanto ao Motinha, quer-se dizer, ao Tangerina, não fazia parte do meu círculo, dos lugares das minhas modestas frequências, embora também parasse no Peludo, ocasionalmente, e foi o mais próximo que lhe cheguei. Em rigor, confesso, eu é que não fazia parte dos seus conhecimentos, suponho até que ele nunca reparou em mim, nunca sequer soube da minha existência, e o prejuízo foi todo meu. O Tangerina, quer-se dizer, o Motinha, era um relâmpago ao volante. Por exemplo. Às vezes o Motinha estava no café em Fafe e sem mais nem menos dizia que ia tomar um café à Póvoa, que era a Póvoa de Varzim, que ia e já vinha, e realmente metia-se no carro, ia num instante à Póvoa, tomava o café, se calhar até com cheirinho, e passados, quê, nem dez minutos, já estava outra vez no café em Fafe agarrando a conversa como se nada fosse. Era extraordinário. Eu tinha muita pena do Tangerina não saber de mim como o Fredinho sabia. Boleias para a Póvoa, assim, ir num pé e vir no outro, a mil à hora e de braço de fora, duas ou três vezes por dia, sobretudo no Verão e praticamente sem sair de casa, quem mas dera naquela altura.

Portanto, o Fredinho sabia que, depois de Jean-Luc Thérier, Rafaello Pinto, Markku Alen, Hannu Mikkola (navegado por Jean Todt, o ex-chefe da Ferrari na F1 e ex-presidente da FIA), Ove Andersson, Sandro Munari, Bjorn Waldegaard, Jean Pierre Nicolas, Walter Röhrl ou Michèlle Mouton, pouco mais havia que realmente interessasse ver. As "bombas" já tinham passado: os Alpine Renault, os Fiat 124 Abarth, os belíssimos Lancia Stratos, os Fiat 131 Abarth, os Audi Quattro e até o Opel Ascona, que em Portugal, antes do 25 de Abril, se chamava Opel 1904 SR por causa da moral e dos bons costumes. Isto que não saia daqui, mas os carros que vinham a seguir a estes andavam menos em quatro rodas do que nós os dois, o Fredinho e eu, com uma perna às costas...
Nós íamos no Vauxhall verde e cinza que o Fredinho levara à Rampa da Penha, e eu fui lá a pé para ver, uns anos antes, com o Bergiga e de merendeiro, no reinado do estupendo Chevrolet Camaro de Ernesto Neves. O icónico Vauxhall, preparado pelo próprio Fredinho e pelo avinhadíssimo Valdemar Mecânico, ou "Paredes", ainda mantinha as barras de protecção e os assentos e volante de competição. Era de uma incomodidade dolorosa, porque andávamos sempre nas horas, e de lado, mas extremamente seguro. Diziam ao Fredinho que ele conduzia muito bem. Ele respondia: "Toda a gente conduz bem até bater. Eu também."
Naquele tempo, o Rali em Fafe era a Lagoa e era um mundo. Anos mais tarde foram inventadas as outras classificativas, as que agora chamam milhares de peregrinos dos quatro cantos do planeta e sobretudo de Espanha e dão nas televisões internacionais com saltos e tudo. O Fredinho, convém não esquecer, também teve a ver com isso.

sábado, 9 de maio de 2026