sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Ó filha, se mo desses!...

Para o maneta
O povo é tolo, e manda tudo para o maneta. O Maneta aproveita, já comprou carro novo e está a fazer obras em casa. À pala.

Era uma senhora de idade, e quando digo senhora de idade quero dizer uma senhora um bocadinho mais velha do que eu, que também sou um senhor de idade. A senhora estava aflita no multibanco, à boca da rua, mesmo no centro de Fafe, e ainda por cima era quarta-feira. Que confusão! A senhora pretendia consultar o movimento da conta, a opção não se encontrava disponível, a máquina não dava talões, ela queria vir embora, sair dali, ir para casa, mas não sabia o que fazer para reaver o cartão, que continuava enfiado lá nas profundezas da ranhura, como se tivesse caído num buraco negro. A senhora pediu ajuda a quem passava e uma alma caridosa mandou-a carregar na "tecla vermelha", ela carregou, nervosa, atabalhoada, enganou-se, tornou a carregar, e enquanto isso já a máquina lhe solicitava, em alta voz, feminina e maviosa, "Por favor, retire o seu cartão!", e o Largo inteiro a ouvir. A voz solicitou uma vez, solicitou duas vezes, "Por favor, retire o seu cartão!", parecia que impaciente, acusadora. E a senhora, cheia de vergonha e já de cabeça perdida, respondeu-lhe no mesmo tom, em desespero de causa: - Ó filha, se mo desses!...

Queres dinheiro? Toma!

As extraordinárias descobertas da ciência
Os cientistas descobriram: os neutrinos têm massa. Os portugueses, de uma forma geral, antes pelo contrário.

Metido sorrateiramente na caixa de correio da porta de casa, um prospectozinho 21x10 em couchê fatela escrito dum lado só. Pergunta, em letras garrafais, vermelhas, "Precisa de dinheiro?" e, ainda enorme mas a preto, "Tem imóvel?"... E passa a explicar, em caracteres mais recatados: "Mesmo com penhoras, dívidas fiscais ou problemas bancários, temos a solução! Contacte-nos. Resolvemos em 48 horas. Análise gratuita". Seguem-se dois números de telemóvel, e mais nada, nem um nome, uma morada, uma marca, pois, como diz o Evangelho, "Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que fez a direita, a fim de que a tua esmola fique em segredo" (Mateus 6:3-4). Ó almas caridosas e secretas! Ainda há gente boa, graças a Deus...

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Frases que nunca te direi

Moto mutuatus
Perguntaram-lhe se tinha vindo de moto próprio. Ele disse que não, que era a do filho. 

Há frases assim, de categoria, que eu nunca na vida vou conseguir dizer, pelo menos sem me escangalhar a rir. Frases extraordinárias, antológicas, de filme ou de colecção, frases de classe, de poder, mas que exactamente por isso me ultrapassam, estão muito acima das minhas posses, do meu nível de vida, serão sempre areia demais para a minha modesta camioneta.
"Vou falar com os meus advogados". Mas, ó valha-me Deus, eu não tenho advogado, no singular, quanto mais advogados, no plural. Eu sou um banana, não me meto com ninguém. Se eu tivesse dinheiro para advogados, gastava-o mas era em raspadinhas.
"Os médicos dizem que". Isso é que era bom, quem me dera, e com um, unzinho que me falasse e ouvisse, já eu ficava todo contente. Mas não: estou há mais de dois anos à espera de uma consulta urgente que já me foi adiada por três vezes.
"Isto não é o que parece, eu posso explicar". Com a minha cara quando sou apanhado, tudo é o que parece ou até pior. É, é. Quanto mais explico, mais me enterro.
"Siga-me aquele carro". E dou a ordem a quem? Ao motorista do autocarro? Ao maquinista do metro? Havia de ir longe, havia...

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Mulheres nuas no Vaticano

Jornalismo
Mas que grande desgraça! Que tragédia! O dia mais negro daquela terra! O ambiente só aliviou um bocadinho quando os jornalistas encontraram o cadáver do sobrevivente...

Madeleine McCann desapareceu. E o desaparecimento da "pequena Maddie" foi o melhor que aconteceu ao meu jornal naquele ano de 2007. As notícias saíam que nem pãezinhos quentes, para delícia de um público ávido de drama, coscuvilhice e sangue cor-de-rosa. E se não havia notícias, "inventavam-se" notícias. O monstro precisava de ser alimentado e as vendas iam de vento em popa.
Uma vez o chefe mandou-me ligar ao Presidente da República, a todos os antigos presidentes da República vivos, ao primeiro-ministro, a todos os ex-primeiros-ministros vivos, ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol, ao seleccionador nacional, que era o Scolari, aos presidentes e treinadores de FC Porto, Benfica e Sporting, ao Freitas do Amaral (já não me lembro como é que este apareceu na lista, mas ele aparecia sempre), ao cardeal-patriarca de Lisboa e... ao Papa. "Ao Papa?", perguntei eu, só para ter a certeza. "Sim, pá! Liga ao Papa! Queremos um depoimento do Papa sobre o desaparecimento da Maddie". Foi assim, palavra de honra, que o chefe me respondeu.
Portanto tinha de ligar ao Papa, que era Bento XVI. O resto era fácil, era como se já estivesse feito. Pelo prestígio, pelo rigor e seriedade, pela sua inatacável ética editorial, pelo respeito e admiração que impunha na sociedade portuguesa, o jornal onde eu trabalhava, e que só fazia merda, tinha praticamente linha directa com aquela gente toda. Agora, falar com Sua Santidade, isso, sim, seria um desafio, e ainda por cima eu estava muito mal visto no Vaticano, pelo menos desde 1987, quando lá fui com Cavaco Silva, no seu tempo de primeiro-ministro. É claro que eu podia enfiar-me no bar o dia inteiro a "tentar ligar ao Papa" e à hora do fecho da edição avisava o chefe, em Lisboa, de que "Não consegui, pá, desculpa, o gajo armou-se em difícil, não fala, eu ainda disse que ia da tua parte, mas nem assim o tipo se descoseu, sabes como são os alemães, teimosos do caralho". Porém, apesar da fama que faço render, eu não frequentava o bar.
Pensei então: o que é que há de mais parecido com o Papa e a que eu possa realmente chegar? E lembrei-me: o cardeal português D. José Saraiva Martins, que também estava em Roma como o outro, o Ratzinger, e creio que ainda era prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Meti as mãos ao caminho, fiz chamada atrás de chamada e ao fim da tarde consegui enfim falar com ele. Atendeu-me cheio de bondade e essessss nassss palavrassss. Conhecia o caso, sim, e deu-me a sua opinião numa conversa de quase um quarto de hora. Falou-me da menina desaparecida, disse-me que rezava por ela, mas lembrou, com lucidez e sabedoria, que é fundamental que os pais não se ponham a jeito (a expressão é minha) para que semelhantes tragédias aconteçam. Vós também percebeis, tal como eu percebi, para quem é que o nosso cardeal enviava este recado. Sim, para os estranhíssimos paizinhos da "pequena Maddie". E estranhíssimos também sou eu que digo.
No fim, D. José Saraiva Martins fez-me um pedido: "Olhe, depois mande-me o jornal, se faz favor". E eu mandei. O meu jornal era o 24horas. Exactamente. O jornal com fotografias de raparigas todas boas e as mamas ao léu. Deve ter sido um sucesso no Vaticano.

O jornal 24horas nasceu em 1998, com dinheiro suíço, muito, e morreu oficialmente em 2010, um ano depois de os seus alegados responsáveis terem liquidado a redacção do Porto, a sangue frio e pelas costas. Podem limpar as mãos à parede. Mas tinha piada o pasquim, que até chegou a ser bem feito e é a bíblia do jornalismo que hoje se faz em Portugal. No meu tempo, em 2004, o 24horas atingiu uma circulação de 60 mil exemplares por dia.
Há vinte anos, quando por lá suava as estopinhas esgravatando lixo, e os jornalistas de referência, gravata e fato às riscas faziam pouco de nós, eu dizia-lhes que se rissem baixinho, porque um dia todos os jornais portugueses seriam como o 24horas. E são. Todos. E as televisões também. Embora feitos e feitas evidentemente por jornalistas de referência, gravata e fato às riscas que trabalham pouco e agora já não têm vergonha nenhuma, nem do prejuízo que dão. O bom jornal 24horas de Alexandre Pais, que uma certa e determinada rapaziada depois estragou e descarregou sanita abaixo, está hoje em dia muito bem representado na imprensa nacional. "Je suis 24horas", dizem eles todos os dias, sem saberem que dizem, porque eles também não sabem o que fazem. Mas o 24horas, o genuíno, faz falta, e então nesta época tão asinina seria um mimo. Não fazeis ideia do que eu me rio ao ler os momentosos assuntos que saem agora nos jornais e a pensar no que nós teríamos feito com eles. Seria um sucesso, diariamente a malhar e a chusma e pedir bis, coisa para anos. A desgraça que nos caiu em cima foi ter-se-nos acabado o folhetim da "pequena Maddie", que era o nosso abono de família.
A mirabolante CMTV e respectivo jornal andam agora a desenterrar o assunto e devem estar a facturar que se fartam. Recensões disparatadas, notícias a martelo, falsas maddies ou novas buscas, velhos novos suspeitos ou nem por isso, vale tudo, é sempre a bombar, e depois ainda há a "grávida da Murtosa" e o Cristiano Ronaldo. Porque o público merece...

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Homem que é homem joga "de mane"

Bilhar de bolso
O bilhar de bolso, é preciso que se note, não se chama assim por ser jogado numa mesa pequenina e talvez portátil.

Em Fafe jogava-se "de mane", e às vezes forte e feito. Desafiar alguém para um jogo "de mane", ó meus amigos, era caso sério, provocação do piorio, aviso de trovoada, podia-se até morrer, pelo menos de vergonha. Jogar "de mane" era assunto para homens de barba rija, nem que fossem crianças ou mulheres. E era também malandrice, sim. Era um repente, palavra de honra, mas que parecia uma eternidade. Um momento suspenso no tempo, é assim que me lembro e creio que digo bem. - Vai um joguinho? - dizia um, de olhos faiscantes, nervoso, coçando o coldre. - Contigo, só se for "de mane"... - respondia o outro, manhoso, pendurando o casado e ajeitando as partes, e fazia-se um silêncio inteiro na sala, um silêncio com fundo, até parecia que tocava "Il Triello" de Ennio Morricone mas só para dois mais eu, que, campeoníssimo dos acasos, estava sempre presente nestas ocasiões, quanto mais não fosse para ouvir a música imaginária, creio aliás que era o único que tinha essa estranha capacidade, e nesse sentido, às tantas, até fazia falta ao enredo. Para além disso, eu entendia-os como mais ninguém, legendava-lhes a conversa com pronúncia e entoação de livrinhos de cobóis, isto na minha cabeça, e depois contava assim aos adultos, que achavam um piadão ao "caralho do moço".
Jogava-se, portanto, a dinheiro. Era isso que "de mane" queria dizer. A expressão era auto-suficiente, valia só por si, mas era isso que implicada: dinheiro em jogo, aposta. Às vezes uma coroa, três tostões, cinco coroas, numa lerpa furtiva entre miúdos, ao domingo à tarde, atrás da esquina, só para começar carreira. Por norma vinte escudos, cinquenta ou cem, cada um, em todo o caso eram fortunas, para maiores de idade e chefes de família, uma nota em cima da outra, dobradas e depositadas maldisfarçadamente sob a tabela do bilhar, ali à vista de toda a gente e à espera do vencedor.
Que se segue. "Mane" afinal seria money, a palavra inglesa para dinheiro, aportuguesada às três pancadas, simplificada aos trambolhões para a nossa linguagem de rua, de feira, mas isso em Fafe não se sabia, não havia essa noção naquela época, era o que eu então supunha, porque a mim esta correspondência tão evidente passou-me completamente ao lado, e eu tinha a mania que era fino. E também não sei como é que se construiu a expressão completa "de mane", significando "a dinheiro", sendo certo que realmente me parece que agrada muito mais ao nosso ouvido ouvir dizer "de mane" do que "a mane".
Acredito que "de mane" era talvez fafês puro, original, e posso estar redondamente enganado. Não encontrei a expressão noutro lado, aliás em lado nenhum, nem em Fafe, verdade seja dita, mas também não me esforcei por aí além. Estou aberto ao desmentido e à correcção, se for esse o caso.
Eu era mocico, maluco por cinema e livros, sobretudo aos quadradinhos, entregava-me de alma e coração aos meus afazeres de mirone desimpedido, permanentemente em cima do acontecimento, fora as vezes em que a minha mãe me ia buscar pelas orelhas, e foram tantas. A minha mãe parecia que tinha radar. E eu tinha ideias e teorias. Para mim, na minha gloriosa ignorância, a expressão "de mane" vinha mas é de mano a mano, de homem para homem, cara a cara, face a face ou arca por arca, como também se falava antigamente. Indicava um confronto directo, proporcional, um duelo, uma luta ou uma competição entre duas pessoas em igualdade de condições, como anotam hoje os dicionários e tal qual como no desafio do bilhar, estais a ver, por isso, que, apesar de provavelmente errado, não era assim tão tolo o meu pensar naquela altura.

Ordem para tramar Sócrates

Até começou bem...
Sócrates começou como filósofo em Atenas e jogou na selecção brasileira de futebol. Anos mais tarde foi primeiro-ministro de Portugal. Estragou tudo. 

Ano de 2004. O Presidente da República Jorge Sampaio despede o primeiro-ministro Pedro Santana Lopes, por indecente e má figura. Eleições legislativas são antecipadas e marcadas para 20 de Fevereiro de 2005. José Sócrates é o novo líder do PS e da oposição. Vai a votos. Durante a pré-campanha e campanha eleitoral, critica Santana Lopes, que se recandidata pelo PSD e promete não aumentar impostos. Como se não aumentar imposto fosse defeito.
O meu jornal manda-me "tramar" Sócrates. "Vamos entalar o gajo". É preciso ligar-lhe imediatamente e perguntar-lhe então se, caso ganhe as eleições, vai subir os impostos. Mas que pergunta inteligente! Que armadilha bem montada! Pincéis desta marca sobravam sempre para mim. Como já deveis saber, porque eu estou farto de o contar, as pessoas de bem, ou as pessoas de mal que faziam questão de aparentar uma fachada de bem, recusavam-se a falar com o 24horas: tinham consciência de que, se abrissem a boca, tudo o que dissessem poderia ser usado contra elas. E geralmente era. Nem que lhes telefonássemos apenas para saber as horas, haveria de sair dali cagada da grossa. Nós depois ligávamos a ventoinha e espalhávamos a merda toda. Dito de outra forma: as pessoas minimamente informadas fugiam de conversar connosco como o diabo foge da cruz. Umas tinham vergonha na cara ou medo e outras desprezavam-nos simplesmente. Umas e outras sabiam que as nossas perguntas tinham quase sempre volta de foda. Se desse jeito, pedíamos a A para falar de B, para a seguir metermos A e B no mesmo saco e malharmos nos dois como se fossem um só. Por outro lado, havia quem fizesse tudo para aparecer, mesmo no 24horas, ou principalmente no 24horas.
Portanto, o meu jornal manda-me "tramar" José Sócrates. É só ligar-lhe, a ele que nunca atende o 24horas e que escorna os jornalistas em geral por uma questão de princípio. Ligo, ligo, ligo, o dia inteiro. E nada e nada e nada, o dia inteiro. Ao pôr-do-sol tento o inimaginável truque, o long shot, como Lisboa gosta de me dizer e eu parto-me a rir: marco o número de Pedro Silva Pereira, o braço-direito de Sócrates, e sai-me do outro lado o Sócrates inteiro e desconfiado, num por acaso que me enche de adrenalina. Identifico-me, ele vai desligar de seguida, peço-lhe que não e faço-lhe a pergunta de um milhão de dólares: - Se vencer as eleições, se for para primeiro-ministro, vai subir os impostos?
José Sócrates não me manda àquela parte, mas podia, que eu não lhe levaria a mal. Ainda assim, empertiga-se, serigaita-se, despeita-se, esganiça-se e responde-me agressivamente: - Mas quem é que você é? E quem é que pensa que eu sou? Isso é uma pergunta ridícula. Acha mesmo que eu lhe vou responder? Sei muito bem o que quer, mas daqui não leva nada. Não lhe respondo. Acha que eu sou um principiante? E o senhor não tem nada de útil para fazer?...
Tenho. E faço. "Reformulo" e ponho pó de talco na pergunta: - Se o Senhor Engenheiro for o próximo primeiro-ministro, posto que ganhe as eleições, vai subir os impostos?
Sócrates quase que rebenta. Discutimos mais uns três minutos, tempo de um assalto no boxe, um a bater no ceguinho, o outro a agredir o invisual, eu não sabia que sabia discutir assim com cabeçudos, e ele desliga.
Saio dali exausto, nervoso e contente com a discussão. É ainda a adrenalina a mexer comigo. Geralmente, o que (não) consegui é mais do que suficiente para ser a capa inteira do meu jornal no dia seguinte, em letras garrafais: "Sócrates entalado pelo 24horas" ou "24horas entala Sócrates" ou "Sócrates não responde ao 24horas" ou "Sócrates tem medo do 24horas" ou "24horas assusta Sócrates" ou.
Apresso-me a ligar para Lisboa. Conto a minha façanha, espero pelos parabéns. O chefe de turno, jovem turco, critica-me, irritado, "A resposta do gajo é inaceitável!", engulo em seco e explico ao chefe, "Olha, foi o que eu disse ao gajo, que até ia da tua parte e que tu nunca na vida irias aceitar uma resposta assim, e que portanto ele que me dissesse mas é o que tu queres que ele diga, que até já tens o título feito e tudo, mas não adiantou..."
O meu textinho saiu a uma coluna numa página interior, provavelmente par. Do assunto da manchete desse dia não me lembro. Quanto a José Sócrates, por aí anda. E o jovem chefe, velho e ainda tolo, também...

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Viva a República! E viva O Desforço!

Superioridades
Toda a gente sabe que a "superioridade moral" da direita é muito melhor do que a "superioridade moral" da esquerda. E vice-versa.

Viva a República! Das bananas, das lagostas, dos camarões, dos tubarões, das tapas, das tipas, da cerveja, do café, da música, do livro, das letras, das tretas, dos bifes, dos camones, do reggae, de emaús, do churrasco, das francesinhas, da pequenada, das mamãs, da quarta geração, das flores, da saudade, dos sabores, do medo, do se7e, do oito, do direito, do esquerdo, da mafia, da glória, da carne, do petisco, dos cachorros, dos cucos, dos kágados e de todos os animais em geral. Viva! Viva a República! Vivam O Século Ilustrado, A Capital, o Diário Popular, o Diário de Lisboa, O Comércio do Porto e O Primeiro de Janeiro! Vivam O Desforço e o Almanaque Ilustrado de Fafe. Vivam! Vivam! Vivam! Três vezes vivam, e paz às suas almas.