terça-feira, 13 de outubro de 2026

Sei de sítios

Povo que apetece abraçar
Depois do almoço, perfeito, sento-me à porta do cafezinho ao lado, fumando a velha cachimbada e bebendo o meu CRF "em balão previamente aquecido", mas só de memória, porque há muito me deixei de tabaco e aguardentes. Entretenho-me a catalogar o "dégradé" de azuis das serranias à volta e tento dar sentido aos desenhos atabalhoados das nuvens. Ali estamos, eu e a Mi, felizes, em paz, abençoados. As pessoas da terra passam, reconhecem-nos, de nos verem amiúde, saúdam-nos, fazem-nos festa. - Já cá não vêm há muito! Têm de aparecer mais vezes! Gostamos de os ter cá! -, dizem-nos. É, há povo assim, povo que apetece abraçar.

Sou devoto dos prazeres da mesa, da santa trincadeira, como lhe chamava mestre Aquilino. Gosto da liturgia de uma boa refeição, em família ou com amigos, gosto de comer, gosto do que é bom, e sei o que é bom. Também sei fazer, e até bastante bem, tenho essa vantagem. Sou um apaixonado pela boa e honesta cozinha portuguesa. Gosto da cozinha portuguesa tal qual ela é, na sua pureza original: tradicional, apurada, robusta, variada, generosa. Um bom prato, uma especialidade daquelas de trás da orelha, é capaz de me fazer andar duzentos ou trezentos quilómetros pelo prazer de o degustar. Sei de sítios como quem sabe de ninhos. Sei de sítios que não conto a ninguém, nem sob tortura, e se a tortura não for a da fome. Sei de sítios que vão morrendo pouco a pouco, uns atrás dos outros, abandonados por quem não sabe. Uma desgraça.
Vim habituado ao bom desde Fafe. Enquanto posso (e posso cada vez menos, como a maioria dos portugueses), vou a esses sítios onde já há muito eu e a Mi somos tratados como amigos ou família, com direito a mimos especiais, mas tenho de admitir que é sobretudo a comida que lá me leva. Vou pelo gosto, pelo paladar, é este o meu parâmetro de aferição e escolha fundamental.
Mas respeito quem se deixa seduzir por outras variáveis gastronómicas ou paragastronómicas, como, por exemplo, essa coisa tão vaga ou talvez não como é "o serviço" ou "o atendimento". Sim, aprecio a boa educação, e pratico, gosto que me tratem nas palminhas, não entro em filas, nunca aguardo por vez, nunca, e detesto esperar à mesa. Mas interessa-me principalmente a qualidade da comida. O asseio, a limpeza e, lá em cima da escala, sempre, a rica comidinha.
Ah!, dizem-me, em tal restaurante o serviço é excelente, está-se muito bem. Acredito. Mas isso também nos spas, segundo suponho, e nem por isso vou lá comer.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

No Minho, mais perto do céu

Livro das lamentações
O dinheiro não cai do céu. E é pena.

O Minho cheira a Natal, sabeis? O Alentejo e Trás-os-Montes decerto também cheiram, as Beiras e o Ribatejo lá terão os seus aromas, mas a mim o que me interessa aqui é o Minho, e quanto mais alto melhor. Entra o Outono, a friagem, e o Minho, abençoado tempo, começa a cheirar a Natal. Ao Natal antigo, já posso dizê-lo. Os últimos lavradores do Minho fazem fogueiras nos campos como fizeram os seus pais e os pais dos seus pais, queimando folhas secas e gravetos velhos, emprestando ao ar um perfume doce de lareira. De lar. Dá uma vontade tola de abrir a janela do carro, largar a cabeça ao gelo e fechar os olhos. E eu abro e eu largo e eu fecho. A janela, a cabeça e os olhos, respectivamente. Sou pendura, graças a Deus, não sei conduzir, vamos em segurança.
Ando sempre de nariz no ar, tenho talvez um lado canino que desconhecia em novo e já começo a admitir. Farejo. Os cheiros interessam-me particularmente, orientam-me, transportam-me aos sítios. O cheiro a especiarias leva-me a Angra do Heroísmo, Óbidos cheira a chocolate, Fundão à flor da cerejeira e Vila Nova de Foz Côa às amendoeiras em flor. Fafe cheirava a sabão amarelo e Matosinhos cheira mal.
Que depressa vão os dias! Tinha razão o nosso bom padre Fraga: ainda há pouco foi Janeiro, passámos agora Agosto e já estamos no fim do ano, meus meninos. Estamos no Natal. Estamos sempre no Natal.
É. A memória também vai ao cheiro: a querida Bó de Basto, pequerricha, resmungona e bondosa, aquecendo o vinho na infusa esbotenada que tem dentro uma maçã acabadinha de assar no borralho. O fumo das giestas molhadas e que, ainda assim, ajudam a espertar o braseiro. Os malabarismos a toque de caixa do testo da velha chocolateira desbordante de café que não passava de cevada. A garrafa da aguardente do avô que bastava aliviar-lhe a rolha para logo sarar constipações e até unhas encravadas. A luz bailarina da candeia fazendo filmes mudos e de terror nas paredes da cozinha, negras de fumo e do luto da vida. E a canela. Sim, as queimadas agrícolas de Novembro e Dezembro, no Minho, são temperadas com canela. Quem disser o contrário, anda muito mal informado ou está a pensar nos  fogos de Verão. 
Então. Vamos lá, que são que horas! De novo na estrada de um carro só, o fumo, os fumos, aqui, ali, mais adiante, novelos que sobem da terra suada, letra a letra inventando palavras de faz de conta. São os índios a mandar recados uns aos outros, gosto de pensar, e rio-me outra vez moço. Fafe, Medelo, Marinhão, Moreira do Rei, Várzea Cova, Passos logo ali em baixo, tecnicamente já em Cabeceiras de Basto, devagar se vai ao longe. Assim vamos, a Mi e eu, para não perdermos pitada. Tive tanta sorte: a minha mulher converteu-se ao minhotismo, já há muito, andamos sempre os dois ao mesmo. O fumo acinzenta o verde que cresce ao abandono e as leiras lavradas e cada vez mais raras. Acinzenta a paisagem mas limpa a alma. Este fumo aconchega-nos, abraça-nos, obriga-nos a abraçarmo-nos. Por causa do fumo, o céu é mais baixo, estamos mais perto do Céu, estamos mais perto uns dos outros, e apetece-me inspirar a plenos pulmões a ver se consigo guardar este fumo e este cheiro, esta paz, para o resto do ano, para o resto da vida. Quem me dera aqui à noite, toda as noites, com este cheiro, com este céu. Este céu cheio de estrelas, que eu bem as sei. Devia ser proibido alguém morrer sem ter uma mão dada e um céu assim para olhar. Olhar... e só então partir. 

domingo, 11 de outubro de 2026

Dom Vilaça, senhor de Paredes de Coura

Foto Fernando Veludo

Mais vale quase do que realmente
A família é uma coisa muito estranha. Já reparastes que o mais forte laço familiar acaba por ser aquele que une as pessoas que "é como se fossem da família"?

Aquilino Ribeiro (1885-1963) percebia de comida, segundo consta e deixou escrito. E seria provavelmente um bom garfo. Na cozinha e à mesa, o escritor de Sernancelhe gostava do que era bom e sabia o que era bom. Perdia-se por bolinhos de bacalhau (pastéis de bacalhau, se lido em Lisboa), apreciava caldo-verde, adorava carne de porco em vinha-d'alhos, conhecia as "dez" maneiras de cozinhar truta, assim e assado, e fazia questão de explicar ao detalhe como tudo devia ser trabalhado antes, durante e depois do lume. Por estas e por outras, há até quem diga que existe uma certa "gastronomia aquiliniana". E eu sei lá.
Ora, havia um sítio e um homem em Portugal que guardavam e serviam a cozinha e as palavras de Aquilino como se a tarefa lhes tivesse sido encomendada por quem de direito, e por acaso nunca foi. Era de livre e espontânea vontade. Podeis crer: a gastronomia aquiliniana de carne e osso, a que realmente existiu, foi inventada por outro, muitos anos depois da morte do próprio Aquilino Ribeiro. E o outro era Manuel Vilaça Pinto, o homem extraordinário que, nos bons velhos tempos, levava tanto povo a Paredes de Coura como o famoso festival de música - e a terra talvez não o tenha reconhecido suficientemente, pelo menos em tempo útil. O sítio era o seu Restaurante Conselheiro, espetado no coração da vila, mesmo em frente à Câmara Municipal.
O restaurante chamava-se Conselheiro derivado a outro figuraço local, o Conselheiro Miguel Dantas (1836-1905), com nome de rua, estátua e tudo, mas toda a gente ainda hoje pensa que era por causa do Sr. Vilaça propriamente dito. O Sr. Vilaça era, com efeito, conselheiro para todo o serviço. De comidas e de vidas. E um bom amigo. Querido e saudoso amigo. Tratava-me por "Amigo Hernâni", um "Amigo Hernâni" muito nasalado, que a Mi ainda hoje imita tão bem, sentava-se à mesa connosco, no nosso cantinho reservado, bebia um copo, enchia-nos de mimos gastronómicos, às vezes, no fim, recusava-se a receber, não dava hipótese, conversávamos entretanto de jornalismo, de política, de "famosos" da televisão e de gajas boas como o milho, que era o seu assunto predilecto. Era amiúde "um bocadinho" inconveniente, sobretudo na presença de senhoras, mas o que se havia de fazer, aquele era o nosso Dom Vilaça, como eu o tratava, não o reconheceríamos de outra maneira. Falávamos também de futebol, evidentemente, do seu Sporting, que só lhe dava desgostos, dos presidentes e treinadores pataratas que só o envergonhavam. Era um sportinguista de berço, inteiro e militante. Sofredor e adiado, como é todo o bom sportinguista. O jovem Manuel Vilaça tinha sido um prometedor praticante de atletismo em Alvalade, medalhado, internacionalizado, lá pela segunda metade da década de 1950, e a pancada ficou-lhe. Perdoava o meu portismo, mas Pinto da Costa é que não. Tinha-lhe uma osga tão grande que não sei se não foi disso que o velho papa-títulos morreu.
No Conselheiro restaurante, inimitável santuário gastronómico do Alto Minho interior, é que nasceu a "cozinha tradicional" de Paredes de Coura, isso posso garantir. A feijoada do Corno do Bico, a panela de cozido, o cozido frito, o bolo no tacho, o cabrito avinhado em verde tinto, o bacalhau alto de cebolada com lasca de presunto e broa frita, as pataniscas com arroz de feijão branco, as trutas de escabeche. "Trutas que pediam boca que as soubesse apreciar", no dizer antecipado de mestre Aquilino. Foi tudo ali congeminado, desculpai-me a rudeza da descrição, os nomes assim tão crus, sem confitados nem emulsões, sem camas de, mas era apenas comida, coisinhas boas e apetitosas, nada de números de circo ou arte surrealista. E o Conselheiro era único até nisto: promovia Aquilino Ribeiro todos os dias, sem subvenções e sem esperar por cinquentenários ou outros aniversários. E o Sr. Vilaça encarregava-se de ensinar Aquilino em cada um dos seus pratos. E oferecia aos seus clientes um livrinho cheio de citações do autor de "Terras do Demo", palavrinhas que tinham a ver com o que se acabara de comer. E era tudo tão bom - a comida e as palavras...
Vinha gente de Lisboa e de mais além, vinham de propósito. Por ali passaram inúmeros figurões da praça nacional. Só eu contei, por acaso, o escritor Mário Cláudio, habitual freguês do estabelecimento, a actriz Paula Guedes, os actores e encenadores Diogo Infante e José Martins, o actor Pedro Giestas, o historiador e político Fernando Rosas, o jovem humorista Bruno Nogueira, o comendador Rui Nabeiro (1931-2023), família e entourage, o treinador de futebol Vítor Oliveira (1953-2020), o jornalista Alberto Serra e Miguel Veiga (1936-2016), advogado e co-fundador do PSD no Porto, os dois nas andanças de um programa da RTP precisamente sobre Aquilino Ribeiro, a respeito do livro "A Casa Grande de Romarigães".
Um dia eu deixei de poder ir ao Conselheiro. E parece que se passou o mesmo com toda a gente. De repente, Portugal inteiro ficou em casa a tomar conta dos velhos. O restaurante fechou. E esta é a história da minha vida: eu deixo de aparecer, e as casas fecham. Isto já vem desde o tempo do Cinema de Fafe e passou-se outra vez ultimamente com o Restaurante Cruzeiro, em Santa Maria do Bouro, Amares. Palavra de honra, fico com um sentimento de culpa de que nem fazeis ideia. Mas o Conselheiro. Dom Vilaça foi descansar para o Algarve, junto da filha, que o acompanhava há anos. Estava, de facto, bastante doente e amargurado. Eu costumava ligar-lhe todas as semanas e ele comovia-se muito, alegrava-se, desfazia-se em agradecimentos que só me envergonhavam. Depois, não sei dizer quando, o telefone deixou de atender-me...

sábado, 10 de outubro de 2026

Os dias inúteis

Sempre a dar-lhe
Esteve de baixa em Janeiro e Fevereiro, pelo seguro em Março e Abril, de quarentena em Maio, dispensado sem perda de salário em Junho, sob "lay-off" em Julho, chegou a Agosto e meteu férias.

Quem terá inventado a teoria dos "dias úteis" e das "horas de expediente"? Donde veio semelhante ciência? Porque é que, não vamos mais longe, os meus sábados, os meus domingos, os meus feriados e dias santos, as minhas férias, se eu as tivesse, hão-de ser considerados dias inúteis e, digamos assim, imprestáveis para a Nação?
Eu por acaso não concordo, e também sou Nação, segundo suponho. Pela parte que me toca, comigo isto dos dias úteis funciona exactamente ao contrário, foi sempre exactamente ao contrário. Os meus dias mais profícuos foram e são os fins-de-semana e afins, aproveito-os até ao tutano, todos os minutos e segundos, coisinhas de nada dão-me imenso prazer, gozo como um perdido, a minha mulher que o diga, que ela é que me leva, nós fazemos os dias de mão dada. Chamar-lhes inúteis, a estes meus dias esplendorosos e cheios, é uma estupidez rematada. É de quem não sabe o melhor.
São-me tão úteis os meus dias inúteis. De resto, não descansei enquanto não consegui transformar todos os "dias úteis" dos outros em "dias inúteis" para mim, para nós, isto é, reformei-me mal pude, logo que atingi a idade, nem mais um dia de emprego e horário, que trabalho é outro assunto, tenho agora finalmente um modo de vida completamente "inútil" e geralmente feliz. Ajudo pessoas, nas horas vagas. A inutilidade é uma coisa bastante útil, é só o que vos digo. Regalo-me.
Depois, chateiam-me as "horas de expediente", expressão tão prestável ao duplo sentido e que sempre me deixou com a pulga atrás da orelha. Fico a magicar no seguinte: será que, das 9 às 17, nas Finanças, no Registo, nas autarquias ou nos ministérios, o papel do funcionalismo passa por lançar mão de todos os truques e armadilhas possíveis e imagináveis, para nos infernizar a vida e sacar-nos tudo, até o cotão dos bolsos, a mando do Estado? Então mais vale ir lá bater à porta depois do fecho dos serviços. Pode ser que, fora de horas, sem a obrigação do "expediente", sejamos enfim atendidos com honradez.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Ó filha, se mo desses!...

Para o maneta
O povo é tolo, e manda tudo para o maneta. O Maneta aproveita, já comprou carro novo e está a fazer obras em casa. À pala.

Era uma senhora de idade, e quando digo senhora de idade quero dizer uma senhora um bocadinho mais velha do que eu, que também sou um senhor de idade. A senhora estava aflita no multibanco, à boca da rua, mesmo no centro de Fafe, e ainda por cima era quarta-feira. Que confusão! A senhora pretendia consultar o movimento da conta, a opção não se encontrava disponível, a máquina não dava talões, ela queria vir embora, sair dali, ir para casa, mas não sabia o que fazer para reaver o cartão, que continuava enfiado lá nas profundezas da ranhura, como se tivesse caído num buraco negro. A senhora pediu ajuda a quem passava e uma alma caridosa mandou-a carregar na "tecla vermelha", ela carregou, nervosa, atabalhoada, enganou-se, tornou a carregar, e enquanto isso já a máquina lhe solicitava, em alta voz, feminina e maviosa, "Por favor, retire o seu cartão!", e o Largo inteiro a ouvir. A voz solicitou uma vez, solicitou duas vezes, "Por favor, retire o seu cartão!", parecia que impaciente, acusadora. E a senhora, cheia de vergonha e já de cabeça perdida, respondeu-lhe no mesmo tom, em desespero de causa: - Ó filha, se mo desses!...

Queres dinheiro? Toma!

As extraordinárias descobertas da ciência
Os cientistas descobriram: os neutrinos têm massa. Os portugueses, de uma forma geral, antes pelo contrário.

Metido sorrateiramente na caixa de correio da porta de casa, um prospectozinho 21x10 em couchê fatela escrito dum lado só. Pergunta, em letras garrafais, vermelhas, "Precisa de dinheiro?" e, ainda enorme mas a preto, "Tem imóvel?"... E passa a explicar, em caracteres mais recatados: "Mesmo com penhoras, dívidas fiscais ou problemas bancários, temos a solução! Contacte-nos. Resolvemos em 48 horas. Análise gratuita". Seguem-se dois números de telemóvel, e mais nada, nem um nome, uma morada, uma marca, pois, como diz o Evangelho, "Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que fez a direita, a fim de que a tua esmola fique em segredo" (Mateus 6:3-4). Ó almas caridosas e secretas! Ainda há gente boa, graças a Deus...

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Frases que nunca te direi

Moto mutuatus
Perguntaram-lhe se tinha vindo de moto próprio. Ele disse que não, que era a do filho. 

Há frases assim, de categoria, que eu nunca na vida vou conseguir dizer, pelo menos sem me escangalhar a rir. Frases extraordinárias, antológicas, de filme ou de colecção, frases de classe, de poder, mas que exactamente por isso me ultrapassam, estão muito acima das minhas posses, do meu nível de vida, serão sempre areia demais para a minha modesta camioneta.
"Vou falar com os meus advogados". Mas, ó valha-me Deus, eu não tenho advogado, no singular, quanto mais advogados, no plural. Eu sou um banana, não me meto com ninguém. Se eu tivesse dinheiro para advogados, gastava-o mas era em raspadinhas.
"Os médicos dizem que". Isso é que era bom, quem me dera, e com um, unzinho que me falasse e ouvisse, já eu ficava todo contente. Mas não: estou há mais de dois anos à espera de uma consulta urgente que já me foi adiada por três vezes.
"Isto não é o que parece, eu posso explicar". Com a minha cara quando sou apanhado, tudo é o que parece ou até pior. É, é. Quanto mais explico, mais me enterro.
"Siga-me aquele carro". E dou a ordem a quem? Ao motorista do autocarro? Ao maquinista do metro? Havia de ir longe, havia...