quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Lágrimas por Marcelo

A ignorância vem com a idade
Eu sabia tudo. Palavra de honra, eu sabia tudo de tudo. Depois cresci e deixei de ter certezas. Certeza nenhuma. Disseram-me que me fizera homem, com muito atraso, mas que sim. Não sei...

Junho de 1973. De visita a Londres, Marcelo é recebido por uma manifestação de protesto contra a presença de Portugal nas então chamadas províncias ultramarinas e, de uma forma geral, contra a, por assim dizer, política africana do Governo português. "Portugal no more massacres. Get out of Africa now!", lê-se em alguns cartazes de más-vindas. Eu nem queria acreditar. Fiquei de todo. Os meus olhos, virgens e patrióticos como eu inteiro, viam a preto-e-branco o que se passava no televisor do bar dos Bombeiros de Fafe, que eu tinha só para mim naquela clandestina hora do meio-dia, e a revolta transformava-se-me inesperadamente em choro. Chorei de raiva, dorido pelo Senhor Presidente do Conselho. Como se atreviam aqueles gajos?! Que vergonha! Que falta de respeito! Angola é nossa e ponto final, ainda que o caso fosse particularmente Moçambique.

No regresso a Lisboa, Marcelo foi, graças a Deus, surpreendido por uma manifestação espontânea muito bem organizada, uma manifestação a bem da Nação, de desagravo pessoal e de apoio às políticas africanas do Governo, uma manifestação contra as manifestações de Londres, mas com muito mais povo, muitas mais camionetas, muitos mais letreiros, muitos mais garrafões de vinho e salpicões e muitos mais Vivas!, toma lá ò camone a ver se gostas...
De certeza que foi gente de Queimadela. Queimadela estava sempre presente! "Não esperava esta manifestação, mas compreendo-a", dizia Marcelo, modestíssimo, do alto da varanda do Palácio de São Bento, rodeado pelos pândegos mandadores de Vivas!, assim à moda do nosso Velhinho, o Castro Mendes de Travassós, o trabalhista fafense, "ide por esses tascos abaixo, comei, bebei e pagai". E depois Marcelo falou de política, mas isso já não me interessava. Eu estava outra vez comovido, ranhoso, mas agora de auto-satisfação nacionalista, de respeitoso respeito a Sua Excelência. Quem me dera estar lá também com o garrafão. Ainda por cima eu nunca tinha ido a Lisboa e o vinho, certamente como a viagem, devia ser também de graça. Chorei, pois claro que chorei, e as lágrimas já me toldavam o preto-e-branco do aparelho, mas saí dali de alma lavada e, se quereis que vos diga (e ainda que não queirais), também eu algo desagravado. E então ri-me. Junho de 1973. O Marcelo era Caetano e eu, miúdo, ignorante, burro como uma porta, pensando que sabia tudo, ainda não sabia nada.

Diálogos fafenses 63

Diz-me Baudelaire, meu amor
- Oh! meu amor...
- Oh! minha querida...
- Diz-me Baudelaire, meu amor...
- Baudelaire, meu amor, minha querida....
- Oscula-me, meu amor...
- Osculando, minha querida...
- Amplexa-me, meu amor...
- Amplexando, minha querida...
- Afaga-me, meu amor...
- Afagando, minha querida...
- E agora coita-me, meu amor...
- Coitando, minha querida...
- Coitadinho...
- Coitadinha...

Conspiradores de carregar pela boca

Foto Hernâni Von Doellinger

Maxismo para principiantes
Depois de inventar o comunismo, Marx fez comédia em Hollywood, cantou "A mula da cooperativa", candidataram-no à Presidência da República pela UDP, abriu um restaurante em Fafe, foi inspector canino numa série da TVI e jogou a defesa-direito no Benfica e no FC Porto. Actualmente, em versão Nuno, diz piadas na rádio e às vezes no canal da televisão para antigos.

Portugal ardia no ano de 1975. Em Fafe, o ambiente político e social também se extremava, de uma forma particularmente artificial e burgessa, manobrada à distância, os artífices sem darem a cara e os burgessos na linha da frente, e com consequências tão trágicas, tão localmente desestruturantes, deixando feridas tão a céu aberto, que a nossa terra nunca mais foi a mesma - mas isso, a história dessa irreparável tristeza, fica para outro dia.
O País a ferro e fogo, e Fafe também. Havia ameaças, tiros, atentados, punham-se bombas, assaltavam-se e incendiavam-se sedes partidárias. Sobretudo a Norte. Sobretudo sedes do PCP. Com a bênção do cónego Melo. Dava na televisão, saía nos jornais, que tomavam posições panfletárias. No Comércio do Porto, dois jornalistas experientes e com óbvia agenda, Ercílio de Azevedo e Fernando Barradas, assinavam uma coluna que viria a dar brado, "Os Cravos na Ferradura", um espaço militante com o seu quê de reaccionário, como então se dizia à esquerda. Essas crónicas, geralmente bem esgalhadas, escritas às vezes com graça, foram o consolo e o farol doutrinário de muito boa e santa gente durante o PREC (Período Revolucionário em Curso) e o Verão Quente, do 11 de Março ao 25 de Novembro, e com tal sucesso entre os leitores mais conservadores ou fascistas recentemente desmamados que as tiragens do Comércio terão subido aos cem mil exemplares, contando-se até que houve jornais, em certos dias, a serem vendidos na candonga a 100 escudos cada um.
O êxito foi tal que alguns daqueles artigos transformaram-se rapidamente em livro, com prefácio de Paradela de Abreu, evidentemente. A obra, com o mesmo título da rubrica original, "Os Cravos na Ferradura", ainda hoje pode ser encontrada por aí, na internet, em diversos sítios de alfarrabistas e simpatizantes, mais ou menos recomendados.
O Comércio do Porto era objecto de culto. No país beato e de direita revanchista, guerrilheira, e em Fafe também. Um dia, 11 de Outubro de 1975, estava eu no tasco do Nacor com o meu tio Américo, eu e os meus 18 anos, na cozinha da Dona Isabel, que era um brinco e um mundo, e o Landinho Bacalhau, o antigo, anunciou que um grupo de ilustres fafenses iria homenagear naquela noite os jornalistas do Comércio. Seria com uma ceia, altas horas, no restaurante do Café Académico, e os homenageados fariam o favor de comparecer.
Eu quis logo saber se admitiam penetras, como quem diz, a minha pessoa. Eu queria conhecer jornalistas a sério, precisava de ver como é que eles eram. Se eram praticamente como nós, as pessoas normais. O Landinho explicou-me que "a condição sine qua non" para participar na coisa era ser leitor do Comércio do Porto, e isso eu era, porque o Comércio do Porto era o meu jornal, isto é, o jornal do café, do Peludo, mas que tinha de perguntar ao organizador do evento, que era o Senhor Francisco Oliveira, que disse que sim, eu podia ir. Por outro lado, aquela foi a primeira vez na minha vida em que ouvi a expressão cagona sine qua non e gostei bastante, embora esta seja também a primeira vez em que a uso motu proprio, e logo duas vezes. Qualquer dia tenho de usar a palavra "empoderamento", que também nunca usei. Ups...

Portanto lá fui. O grupo de ilustres fafenses era composto, se não me engano, pelo vimaranense Fernando Roriz, que foi deputado, presidente do Vitória e vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, entre outras encomendas, pelo Dr. Marques Mendes, Dr. Antunes Guimarães, Chiquinho Gonçalves, Manel da Pinta, o Landinho, o Francisco Oliveira, eu a um canto a tirar apontamentos de cabeça, decerto mais alguém ou alguéns de que não me lembro e, não sei porquê, gosto de pensar que o Dalmo Pinto também por lá passou ou esteve, antes, durante ou depois.
Um curioso painel, aparentemente heterogéneo, unido talvez, pelo menos naquela altura, se é razoável dizê-lo, por um certo anticomunismo, semântico, primário ou até mandante, consoante os casos, gente de alguma forma ligada ao PSD e ao PS locais, e eu, que não era de um nem de outro, antes pelo contrário, lá estava destoando como sempre e ainda hoje me sinto muito bem com isso.
Da parte do Comércio do Porto, o Fernando Barradas primou pela ausência, mas apresentou-se o Ercílio de Azevedo, acompanhado por dois futuros directores do jornal, o Silva Tavares e o Manuel Teixeira, que era então um rapazinho e que viria a ser também administrador da Lusomundo e chefe de gabinete de Rui Rio na Câmara do Porto, sendo mesmo considerado, ainda hoje, o principal conselheiro do ex-líder do PSD. Não eram os únicos, que nisto, quando é para comer e beber, os jornalistas aparecem sempre, mas varreram-se-me os outros.
A ceia foi a madrugada inteira e os pormenores mais delicados ficam, para já, comigo. Mal eu sabia como é que viria a ser a minha vida alguns anos mais tarde. Comeu-se e bebeu-se bem, isso posso desde já dizer. Falou-se muito. Eu não. Anticomunistou-se com assinalável pertinácia, atrevo-me a supor. O Dr. Guimarães meteu os jornalistas na ordem quando um deles, entusiasmado, se pôs em bicos de pés e falou em "descer as escadas do jornal para contactar com o povo", algo do género. Percebemos porque é que Ercílio de Azevedo, autor das famosas "Tripas à moda do Porto", escrevia melhor, segundo nos contaram, quando decilitrava. No centro da mesa havia um bolo que o Senhor Francisco Oliveira mandara fazer na Pastelaria Monumental. O bolo exibia uma ostensiva pena alegórica e decerto alguns dizeres alusivos aos plumitivos convidados. Não sei quem é que pagou a conta, bolo incluído, que deve ter tido uma saída do caraças, não faço sequer ideia se havia preço de inscrição ou multa de presença. Se havia, eu fiquei isento.

Agora. O Senhor Francisco Oliveira (1928-2021) era um querido amigo. Não naquela altura, mas nos últimos anos. Ligava-me de vez em quando, falávamos de Fafe, avisava-me que vinha ao Porto, a tratamento, mas só nos pudemos encontrar uma vez. Passámos um pedaço de tarde à conversa na Rua Sampaio Bruno, na esplanada de um cafezinho, contou-me do livro que queria escrever, tirei-lhe o retrato que pus lá em cima, visitámos a Feira do Livro, que por acaso naquele ano era ali ao lado, na Avenida dos Aliados. Ele comprou e eu não. Também ia sabendo dele pelo Bertinho Dantas.
O Senhor Oliveira, Francisco Oliveira Alves, era um homem bom, generoso, às vezes de uma desarmante pureza, e esforçava-se por fazer parte da História. Fez. Houve quem o usasse, e ele queixava-se. É um fafense excelentíssimo, certamente um dos melhores da sua geração. Para além disso, era pai do Chico, meu colega de escola e amigo de infância, mas isso já seriam outros quinhentos.
Só hoje, entre parágrafos deste texto, é que apaguei do meu telemóvel o número do Senhor Francisco Oliveira. Era assim que lá estava: Senhor Francisco Oliveira. Apaguei e, caramba, agora parece-me que perdi alguma coisa e não sei o que hei-de fazer ao velho cartão-de-visita corrigido à mão que ele um dia também me deu e eu ainda guardo...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Por mor de

Amai-vos uns aos outros (mas devagarinho)
Ele padecia de um tipo particularmente violento de paronímia. Amiúde confundia bondade com bondage - o que, convenhamos, é deveras inconveniente.

"Ó mor, mor!", dizem elas e dizem eles, namorando-se ou apenas chamando-se, às vezes agredindo-se, querendo dizer, tipo, amor. Elas e eles de todos os géneros e feitios e estratos sociais, um "mor" universal e transversal, ao contrário do que eu cheguei a pensar. Eu supunha que isto do "ó mor!" era conversa rafeira, chunga, patoá de bairro, mas estava enganado, é "ó mor!", tipo, para toda gente, pobre, rica e remediada, analfabeta e doutorada, provavelmente tenho de começar a sair de casa.
É claro que também há o mor que se lê e diz mór, e que é uma redução de maior, e não de amor, que se usa, por exemplo, na frase "assunto da mor importância" e, mais frequentemente, ligado por hífen ao nome que qualifica para indicar superioridade hierárquica ou chefia, ou até suprassumismo, caso de palerma-mor.
Maior, em Fafe, também se dizia moor e, sobretudo, maor, que a minha mãe ainda diz e eu, às vezes, por graça, também. Mas aonde eu queria chegar, e já cá estou, era ao "por mor de", lendo-se e dizendo-se, neste caso, "por môr de", como dizia tão bem a minha querida avó de Basto. "Por mor de" quer dizer "por causa de", "em atenção a", "para", "por amor de" ou, ainda melhor, "derivado a", na pândega, assertiva e estupidamente criticada adaptação de António Lobo Antunes, que eu tanto gosto de usar e abusar. É isso. Vou a correr, por mor de não me atrasar. Ou por outra: corro, derivado à pressa...

Diálogos fafenses 62

Ó mor, mor
- Ó mor, mor! Tu mamas, mor?
- Ó mor, claro que tamo, mor.
- Diz-me a verdade, mor. Tu mamas, mor?
- Tamo, mor. Tamo tipo bué, tás a ver, mor?
- Não, mor, tipo a sério, mor, tu mamas-me tipo... a sério, mor?
- Tamo-te, mor. Tamo-te tipo, mor.
- Mamas-me mesmo, mor?
- Tipo agora, mor?...

As paredes tinham ouvidos

Isto sou eu a falar

"Mas isto sou eu a falar", disse inesperadamente. E era. Realmente era ele a falar, sem qualquer sombra de dúvida. Mas que revelação extraordinária!

No tempo em que as pessoas falavam, as paredes tinham ouvidos. E os soalhos também. E os tectos. Mas as pessoas falavam, mulheres e homens, porque era preciso, falar era respirar, era prova de vida, e não vai assim há tanto tempo. Os cafés, as mesas de restaurante costumavam ser sítios de conversa, de tertúlia, de crítica, de protesto, de esgrima de argumentos. De vida. Ainda os nunos rogeiros e os marcelos rebelos de sousas não tinham sido inventados pela televisão e já nós sabíamos tudo de tudo, primeiro no Peludo e depois no Peixoto, cafés evidentemente em Fafe, que era o centro do mundo. Guerra, França, futebol, política, Mário Soares e Álvaro Cunhal, pesca e caça, religião, padres fodilhões, música, alterações climáticas, vinho, teoria da relatividade, teorias da conspiração, medicamentos, bolo com sardinhas, gajas e automóveis, festival da canção, rácios bolsistas e sobretudo motorizadas, Zundapp vs. Sachs, sabíamos na ponta da língua e cada qual dava a opinião que se impunha, a opinião definitiva. Fumava-se provisórios.

Tínhamos pontos de vista, prismas, ópticas, enfoques, perspectivas e até ângulos. Amontoávamo-nos em duas ou três mesas, perdíamo-nos noite dentro naquela conversa transversal, ecuménica, polifónica, finamente regada, em que toda a gente metia o bedelho, até os filhos da puta dos bufos da Pide, que aproveitavam para incendiar o assunto a ver o que aquilo dava. De uma forma geral, os bufos da Pide não eram nada bufos da Pide: autoproclamavam-se, gabavam-se, ameaçavam, faziam-se passar por bufos da Pide, salazares dos pequeninos, três em cada esquina, só para meterem medo, que era a coisa mais parecida com sexo que conheciam, ou para pavonearem um poder que nunca tiveram, nem em casa, onde levavam nos cornos e bico calado. Eram filhos da puta, isso é certo, e em Fafe havia diversos.
O 25 de Abril de 1974 veio realmente liberalizar o paleio à roda do cimbalino, mas nós nem precisávamos. Já há muito que falávamos pelos cotovelos e comíamos tremoços. Ou cascas, cascas de tremoços, à falta de conteúdo e de dinheiro no bolso. Mas não interessava - a conversa, para nós, era tudo.
Portanto, agora dá-me pena: de conversa, que é livre e de graça, estamos conversados - acabou-se, até no café, parece-me impossível. Eu, que actualmente não frequento, passo pelas montras e vejo: uma pessoa em cada mesa, cabeça enfiada no computador portátil, telemóvel colado ao ouvido ou à frente dos queixos, como se fosse um microfone, dedo saltitante a gatafunhar mensagens analfabetas e com carinhas redondas e amarelas e corações e dedos assim ou assado, ninguém conhece ninguém, ninguém fala com ninguém, parece que estão todos proibidos uns dos outros. Que desperdício de liberdade!
Nos restaurantes, o mesmo desconsolo. A família senta-se à mesa e ninguém pia. Vai-se ao bolso, rapa-se do telemóvel (permiti-me que continue com a generalização, para mim aqueles aparelhos que não distingo são todos telemóveis) e ignora-se com assinalável obstinação o irmão do lado direito, o padrinho do lado esquerdo, o pai e a mãe em frente, a avó na cabeceira para pagar a conta, ainda por cima. E não são só os miúdos. Também os graúdos, nomeadamente graúdas, cinquentonas, casadas assim assim ou tias praticamente por estrear, esfregando, esfregando o ecrã da lamparina mágica à procura de namoro e talvez sexo, vai ser desta que vão ser felizes.
É. As pessoas julgam que falam umas com as outras, mas não falam. Aquela ideia romântica de conversa morreu e foi enterrada. As pessoas hoje em dia são perfis, esgotam-se na "conversa" com os "amigos" do Facebook que não conhecem de lado nenhum, talvez valha uma saltada à cama. As pessoas esbanjam todas as suas doutas opiniões, todos os seus espertíssimos achismos, na Antena Aberta da rádio Antena 1 e no Fórum Sport TV. (Desculpai-me o parêntese: para mim nem é dia nem é nada se não ouço o que têm a dizer o senhor José Fonseca, 45 anos, informático, da Amadora, sobre a problemática do Cristiano Ronaldo e da Selecção Nacional, ou o senhor Afonso Palheta, 53 anos, aposentado, do Marco de Canaveses, a propósito da política de reflorestação do País.). Depois, as pessoas chegam ao café, chegam à mesa do restaurante, ou chegam a casa, à família, sítios da conversa antiga, cara a cara com outras pessoas de carne e osso, e ficam caladas e sós. Sós umas das outras. São criaturas sem assunto, estão vazias: já disseram tudo e não era nada.

Mas tornando à mesa do café. As cascas de tremoços eram roubadas da mesa do lado e são, é preciso que se note, o melhor que há logo a seguir aos tremoços propriamente ditos, sobretudo em caso (e era o caso) de cotão nos bolsos. Melhor, só mesmo lamber e raspar com os dentes o papel do pão-de-ló, que era a segunda coisa melhor logo a seguir ao pão-de-ló propriamente dito, que eu via ao longe uma ou duas vezes ao ano.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Para acabar com os mamões

Amigo do peito
Ele tinha 36 anos e gostava muito de mamar. A namorada despediu-se do emprego para poder amamentá-lo de duas em duas horas. Palavra de honra. Veio nos jornais.

É um homem que nunca reage a quente. Nem a frio. Isto é, mantém as decisões em banho-maria. Pesa os prós e os contras, mede os assim assins e pondera os vice-versas, segue ventos e marés. A ele, ninguém o apanha em falso. Toda a vida andou por lá, e é ali que quer ficar. Foi comunista, militou no PS e aderiu ao PSD, passou pelo Livre e pelo Bloco de Esquerda, experimentou a Iniciativa Liberal, o ADN e o PAN, liderou uma lista de "independentes" e actualmente concorre pelo Chega. Para acabar com os mamões!