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quarta-feira, 18 de março de 2026

A vidinha a andar para trás

Em dois sítios
Ele era um tipo manifestamente azarado. Caiu e partiu o braço em dois sítios: mais precisamente em Mirandela, há coisa de dez anos, e no Sabugal, fará amanhã quinze dias.

Eu andava com grandes esperanças. O velho Dickens que me desculpe o abuso, mas sobravam-me razões para tamanho optimismo: num dia achei um cêntimo e no dia seguinte dei de caras com dez cêntimos, assim sem mais nem menos, naquele bocado de Cima da Arcada entre a memória dos Armazéns Cunha e as saudades do Américo das Bicicletas, aquele sítio é realmente uma mina. Não havia dúvidas, as caminhadas matinais estavam a fazer-me bem, pelo menos ao porta-moedas, e então pus-me à tabela, armado em garimpeiro, permanentemente a olhar para o chão mal colocava o pé no passeio e com a cabeça a fazer contas de multiplicar. Sempre por dez. Portanto, um cêntimo, dez cêntimos, a seguir seria um euro, depois dez euros, cem euros, mil euros, dez mil euros, cem mil euros e assim sucessivamente. Contava ficar rico em menos de uma semana. Mas durante uns dias, nada, nem um tostão para amostra, e eu já estava a desmoralizar, confesso. Até que ontem achei cinco cêntimos à beira da praça de táxis e hoje encontrei um cêntimo em frente ao Club Fafense. Quer-se dizer. Ainda fiquei pior, porque, assim inesperadamente a desmultiplicar, suponho que mais dia menos dia sou eu a perder dinheiro. E, que se segue, pelo sim e pelo não, vou deixar terminantemente de ir ao Largo. Para além disso, estou farto de me esbarrar nas pessoas, sobretudo às quartas-feiras...

domingo, 14 de setembro de 2025

Vós não sabendes nada!

Gaba-te cesta
Era um homem muito antigo. Falavam-lhe em gigas e ele imaginava cestas...

Uma rapariga da minha idade, isto é, uma "idosa", descendo a Arcada em direcção ao Mário da Louça se ainda houvesse, em passeio, de braço dado e discutindo alegremente com o neto, moço com ares de universitário repetente e bem disposto, os dois perdidos de riso. Quadro bonito. Flagrante exemplar da harmonia familiar e do eterno conflito de gerações, a sabedoria dos antigos contra a ignorância de hoje em dia. E diz ela, toda despachada e gramatical, aritmética, falando para o rapaz, sim, mas sobretudo para o redor, para quem a quisesse ou não ouvir, e suspeito que especialmente para mim, que lhe pareço de igualha e vou em sentido contrário, apontado à memória do Américo das Bicicletas: - O quê? Eu até sei as letras romanas, quanto mais! Vós agora é que não sabendes nada...
E realmente.

Agora, uma revelação. O Sr. Américo das Bicicletas, que eu conheci muito bem, era, se não me engano, padrinho do meu padrinho e tio Américo. O que quer dizer que o Sr. Américo das Bicicletas era praticamente meu padrinho-avô, e eu nunca tinha pensado nisso, o que é extraordinário. Pensei hoje, agora, sem mais nem menos, ou por causa dos números romanos, e fiquei muito feliz. Porque eu gostava muito da figura do Sr. Américo das Bicicletas.