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terça-feira, 17 de março de 2026

O passeio do jovem ciclista em cuecas

O ciclista isolado
Era um ciclista que se isolava com frequência. E também com fita preta Advance desde 1,44 sem IVA.

Palavra de honra, em cuecas. Os famosos slipes ou trusses, como dizia, com todos os erres e mais um, o nosso saudoso Zé Manquinho. Em cuecas, portanto. O jovem ciclista atravessou com a maior das descontracções a praça principal da nobre vila de Caminha, perante o espanto e a reprovação compungida da distintíssima esplanada do Café Central que rebentava pelas costuras de senhorecas e senhorecos, sobretudo portuenses da Foz chique em gozo de segunda casa ou terceira, e eu ali a aproveitar o sol e a contar à Mi as esplêndidas excursões do Bô da Bomba ao Alto Minho para fafenses remediados e pobres, amiúde simplórios e bebedolas. Primeiro para cima, depois para baixo, pedalando em preparos tão resumidos, o ciclista em cima da bicicleta, parece impossível num centro histórico conformemente homologado e registado para os devidos efeitos! A indignação foi praticamente geral, até as arcas dos gelados Olá coraram, um pouco mais. E perceba-se o escândalo: era domingo e hora da missa para os indígenas, valha-me Deus...

domingo, 1 de março de 2026

O Velho Lau e o Lausperene

Baralhar e dar de novo
Era um baralho com cinco ases. Ás de espadas, ás de paus, ás de copas, ás de ouros e ás do pedal.

Que fique assente de uma vez por todas: o Velho Lau e o Lausperene não são uma única e mesma pessoa, como muito boa gente cuida, e, aliás, Lausperene nem sequer é pessoa. O Lausperene, ou Sagrado Lausperene, é a exposição e adoração permanente do Santíssimo Sacramento nas igrejas ou capelas. O Velho Lau é Venceslau Fernandes, ex-ciclista realmente de longeva carreira e pai da triatleta Vanessa Fernandes, Velho porque ganhou a Volta a Portugal de 1984, tinha então 39 anos, e correu até aos 46, derivando talvez daí, de tanta perenidade, a compreensível confusão...

Claro que vi Venceslau Fernandes em acção. Tantas vezes em Fafe, mas não só. Com as camisolas da Ambar, do Sangalhos, do Benfica, do FC Porto, da Ajacto e outras de que menos reza a história. E lembro-me até do Cedemi, embora a minha memória não consiga fazer a ligação ao Velho Lau. Evidentemente também frequentei Sagrados Lausperenes no meu tempo, mas isso, se fosse a contar, já seriam outros quinhentos...