Os cientistas, quem os inventou?Quem é que inventou os cientistas? Esta parece-me fácil. Os cientistas só podem ter sido inventados por cientistas. Evidentemente. Mas quem é que inventou os cientistas?
sábado, 19 de setembro de 2026
Segurança do computador é comigo
terça-feira, 2 de junho de 2026
Os bons hábitos ainda moram em Fafe
Os sodomitas ficaram com a pior parte da fama. Os gomorritas safaram-se, vá-se lá saber porquê, e já ninguém sequer fala deles.
Apraz-me registar que, apesar da minha prolongada ausência, Fafe lá consegue aguentar-se, preservando pelo menos duas das suas mais icónicas e respeitáveis tradições: o jogo e a prostituição. Alegram-me sobremaneira as notícias que me vão chegando, de vez em quando. Notícias animadoras, aqui atrasado logo duas de uma vez, isto é, na mesma semana, a primeira dando conta de um apartamento que era usado em Fafe "para negócio de prostituição" e a segunda a propósito da detenção de catorze indivíduos num café "em Arões Santa Cristina por jogo ilegal". Detenção "em flagrante", no caso da batota, não sei em que circunstâncias no que diz respeito ao putedo, e eu gostaria muito de saber, porque, verdade seja dita, é sempre mais interessante de se ver. Por causa do corpo de delito.
Confesso. Eu já temia que, fruto de sucessivos banhos de cosmopolitismo e cultura de croquete, dados evidentemente nas minhas costas, Fafe se tivesse aos poucos deslavado e transformado numa dessas terras virtuosas e insossas, que nem coisam nem saem de cima, talvez até esquecendo e renegando as suas mais ancestrais e emblemáticas tradições, como por exemplo as corridas de jericos ou aquela tão bonita de afogar gatos no rio. Nos nossos rios e poças, que, não desfazendo, também são uma categoria. Mas não. Felizmente, não. Fafe mantém-se fiel ao seu passado glorioso, um farol civilizacional, uma metrópole de vanguarda moral, uma inapagável Las Vegas do vale do Ave com barragem e tudo, encravada entre a Póvoa de Lanhoso e Felgueiras, a zona de Basto, Vieira do Minho e Guimarães, consoante o lado por onde se lhe entre. E fiquei contente, claro que fiquei contente!
No caso da prostituição, o nosso apartamento, quero dizer, o de Fafe, funcionaria em estreita ligação com um outro apartamento localizado na Póvoa de Varzim, o que se compreende perfeitamente, uma vez que, como toda a gente sabe, a Póvoa de Varzim é Fafe no Verão. Já a conexão a um terceiro apartamento, em Viana do Castelo, poderá de alguma forma estar relacionada com as excursões que o meu avô da Bomba organizava antigamente a Fátima e, lá está, ao Alto Minho, com pernoita obrigatória em Viana. Prometo averiguar.
Quanto ao jogo ilegal, é a cara chapada de Fafe. Do pilas do Serafim Lamelas às madrugadas no Club Fafense ou no Fernando da Sede, do bilhar aos flippers no Peludo, em Fafe jogava-se a tudo, apostava-se por tudo e por nada. E sempre a dinheiro. E por isso daqui envio a minha mais compungida solidariedade aos catorze maduros, catorze magníficos, fafenses à antiga, que foram apanhados em Arões com as calças na mão, por assim dizer.
Foi um rude golpe. Juntamente com os jogadores propriamente ditos, dos 27 aos 83 anos, a GNR deteve também duas mesas e dezanove cadeiras consideradas perigosas, para além de um baralho de cartas há muito procurado pelas autoridades. Um rombo no negócio, um tiro no porta-aviões. Mas todos juntos haveremos de reerguer-nos. Bem hajam!
Claro que às vezes também há uns tiros e umas facadas, e isso é que era escusado, isso é que é imperdoável. Em todo o caso, foi sempre assim, infelizmente. Em Fafe, em Portugal, no mundo inteiro. Crime? Violência? Insegurança? Nem mais nem menos do que antigamente, provavelmente menos, mas com mais "notícias", com mais política, isto é, com maior "percepção"...
domingo, 29 de março de 2026
A problemática do bairro problemático
Prò maneta
Mandavam-lhe: - Espirre ou tussa para a dobra do cotovelo ou, de preferência, para um lenço de papel, e depois deite-o fora! Ele não fazia nem uma coisa nem outra. Era muito distraído e tinha medo de se enganar.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
Bais à passage?
A ordem dos factores
Deitou as canas e apanhou os foguetes. Agora chamam-lhe Maneta.
A passagem de ano em Fafe era bem porreira no meu tempo. As motas juntavam-se e andavam sem escape à meia-noite, no Largo, como baratas tontas, sem rei nem roque, bebia-se Magos no velho café Peludo e, regra geral, vomitava-se abundantemente. Uma coisa verdadeiramente constada, uma festa inegavelmente de arromba! Vinha povo de fora, até de Guimarães como se fossem espanhóis, a Arcada enchia-se como um ovo, por baixo e por cima, por dentro e por fora. Era o delírio! Tremens. As motas eram sobretudo Zundapp e Sachs, faziam um cagaçal desgraçado e os tombos sem capacete eram saudados como se fossem golo do Benfica! Às vezes a festa metia também ambulância, num extraordinário espectáculo de som, luz e cor. O Magos era uma merda, mas naquela altura eu não sabia, faltava-me ainda o termo de comparação. Fazia também muito frio na rua, que era onde o ano passava, um frio literalmente de rachar, e já era uma sorte do caraças chegar a casa com o nariz e as orelhas inteiras, isto para não falar de outros acessórios corporais por norma mais recatados e indispensáveis. Na manhã do dia seguinte, que só começava, a bem dizer, à noite, o ano novo metia baixa.
Portanto, ia-se ao Largo ver o fim do ano, ia-se à "passage". O ano passava em Fafe apenas uma vez por ano, como no resto do mundo, embora no resto do mundo o ano não passe sempre à mesma hora, mas, não sei porquê, em Fafe parecia que o ano passava todos os dias, isto é, todas as noites. Os de agora podeis não acreditar, mas era assim a vida na nossa terra, e, garanto-vos, era de categoria.