Mostrar mensagens com a etiqueta segurança. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta segurança. Mostrar todas as mensagens

sábado, 19 de setembro de 2026

Segurança do computador é comigo

Os cientistas, quem os inventou?
Quem é que inventou os cientistas? Esta parece-me fácil. Os cientistas só podem ter sido inventados por cientistas. Evidentemente. Mas quem é que inventou os cientistas? 

Eu levo muito a sério a segurança do computador. O meu, comprei-o há mais de 30 anos, está preso por quatro cabos de aço inoxidável 6x19, um de cada lado, profundamente cravados nas paredes de pedra maciça, e fixado à secretária com 32 parafusos classe 12.9 que me custaram os olhos da cara. Meti-lhe também dois bons calços de madeira, daqueles que estacam camiões, mais um tijolo à frente e outro atrás. De cimento, os tijolos, dentro de robustas almofadas de penas de ganso. Equipei-o com as apps universalmente consideradas essenciais ao fim em vista, isto é, capacete, botas de biqueira de aço, luvas anticorte, óculos de protecção, máscara cirúrgica, corta-unhas e colete reflector. E, pelo sim e pelo não, retirei-lhe a bateria e nunca o liguei à corrente eléctrica. Até à data, não tenho razão de queixa.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Os bons hábitos ainda moram em Fafe

Sodoma e Gomorra
Os sodomitas ficaram com a pior parte da fama. Os gomorritas safaram-se, vá-se lá saber porquê, e já ninguém sequer fala deles.

Apraz-me registar que, apesar da minha prolongada ausência, Fafe lá consegue aguentar-se, preservando pelo menos duas das suas mais icónicas e respeitáveis tradições: o jogo e a prostituição. Alegram-me sobremaneira as notícias que me vão chegando, de vez em quando. Notícias animadoras, aqui atrasado logo duas de uma vez, isto é, na mesma semana, a primeira dando conta de um apartamento que era usado em Fafe "para negócio de prostituição" e a segunda a propósito da detenção de catorze indivíduos num café "em Arões Santa Cristina por jogo ilegal". Detenção "em flagrante", no caso da batota, não sei em que circunstâncias no que diz respeito ao putedo, e eu gostaria muito de saber, porque, verdade seja dita, é sempre mais interessante de se ver. Por causa do corpo de delito.
Confesso. Eu já temia que, fruto de sucessivos banhos de cosmopolitismo e cultura de croquete, dados evidentemente nas minhas costas, Fafe se tivesse aos poucos deslavado e transformado numa dessas terras virtuosas e insossas, que nem coisam nem saem de cima, talvez até esquecendo e renegando as suas mais ancestrais e emblemáticas tradições, como por exemplo as corridas de jericos ou aquela tão bonita de afogar gatos no rio. Nos nossos rios e poças, que, não desfazendo, também são uma categoria. Mas não. Felizmente, não. Fafe mantém-se fiel ao seu passado glorioso, um farol civilizacional, uma metrópole de vanguarda moral, uma inapagável Las Vegas do vale do Ave com barragem e tudo, encravada entre a Póvoa de Lanhoso e Felgueiras, a zona de Basto, Vieira do Minho e Guimarães, consoante o lado por onde se lhe entre. E fiquei contente, claro que fiquei contente!
No caso da prostituição, o nosso apartamento, quero dizer, o de Fafe, funcionaria em estreita ligação com um outro apartamento localizado na Póvoa de Varzim, o que se compreende perfeitamente, uma vez que, como toda a gente sabe, a Póvoa de Varzim é Fafe no Verão. Já a conexão a um terceiro apartamento, em Viana do Castelo, poderá de alguma forma estar relacionada com as excursões que o meu avô da Bomba organizava antigamente a Fátima e, lá está, ao Alto Minho, com pernoita obrigatória em Viana. Prometo averiguar.
Quanto ao jogo ilegal, é a cara chapada de Fafe. Do pilas do Serafim Lamelas às madrugadas no Club Fafense ou no Fernando da Sede, do bilhar aos flippers no Peludo, em Fafe jogava-se a tudo, apostava-se por tudo e por nada. E sempre a dinheiro. E por isso daqui envio a minha mais compungida solidariedade aos catorze maduros, catorze magníficos, fafenses à antiga, que foram apanhados em Arões com as calças na mão, por assim dizer.
Foi um rude golpe. Juntamente com os jogadores propriamente ditos, dos 27 aos 83 anos, a GNR deteve também duas mesas e dezanove cadeiras consideradas perigosas, para além de um baralho de cartas há muito procurado pelas autoridades. Um rombo no negócio, um tiro no porta-aviões. Mas todos juntos haveremos de reerguer-nos. Bem hajam!

Claro que às vezes também há uns tiros e umas facadas, e isso é que era escusado, isso é que é imperdoável. Em todo o caso, foi sempre assim, infelizmente. Em Fafe, em Portugal, no mundo inteiro. Crime? Violência? Insegurança? Nem mais nem menos do que antigamente, provavelmente menos, mas com mais "notícias", com mais política, isto é, com maior "percepção"...

domingo, 29 de março de 2026

A problemática do bairro problemático

Prò maneta
Mandavam-lhe: - Espirre ou tussa para a dobra do cotovelo ou, de preferência, para um lenço de papel, e depois deite-o fora! Ele não fazia nem uma coisa nem outra. Era muito distraído e tinha medo de se enganar.

Não se pode dizer negro, não se pode dizer cigano, não se pode dizer anão, não se pode dizer maneta, não se pode dizer drogado, não se pode dizer gatuno, não se pode dizer pedinte, não se pode dizer pistoleiro, não se pode dizer sexo. Mas problemático pode dizer-se. A CMTV é especialista em problemático, sabe tudo sobre a problemática do problemático, e as outras cmtv também. Ainda agora, agora mesmo, olhei para a televisão e verifiquei que foi falecido a tiro um jovem de 24 anos num "bairro problemático". Um bairro problemático, querem eles dizer, é um bairro onde moram negros, ciganos, anões, manetas, drogados, gatunos, pedintes, pistoleiros e gajos e gajas que se dedicam à indústria do género. Mas isto que não saia daqui.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Bais à passage?

A ordem dos factores
Deitou as canas e apanhou os foguetes. Agora chamam-lhe Maneta.

A passagem de ano em Fafe era bem porreira no meu tempo. As motas juntavam-se e andavam sem escape à meia-noite, no Largo, como baratas tontas, sem rei nem roque, bebia-se Magos no velho café Peludo e, regra geral, vomitava-se abundantemente. Uma coisa verdadeiramente constada, uma festa inegavelmente de arromba! Vinha povo de fora, até de Guimarães como se fossem espanhóis, a Arcada enchia-se como um ovo, por baixo e por cima, por dentro e por fora. Era o delírio! Tremens. As motas eram sobretudo Zundapp e Sachs, faziam um cagaçal desgraçado e os tombos sem capacete eram saudados como se fossem golo do Benfica! Às vezes a festa metia também ambulância, num extraordinário espectáculo de som, luz e cor. O Magos era uma merda, mas naquela altura eu não sabia, faltava-me ainda o termo de comparação. Fazia também muito frio na rua, que era onde o ano passava, um frio literalmente de rachar, e já era uma sorte do caraças chegar a casa com o nariz e as orelhas inteiras, isto para não falar de outros acessórios corporais por norma mais recatados e indispensáveis. Na manhã do dia seguinte, que só começava, a bem dizer, à noite, o ano novo metia baixa.
Portanto, ia-se ao Largo ver o fim do ano, ia-se à "passage". O ano passava em Fafe apenas uma vez por ano, como no resto do mundo, embora no resto do mundo o ano não passe sempre à mesma hora, mas, não sei porquê, em Fafe parecia que o ano passava todos os dias, isto é, todas as noites. Os de agora podeis não acreditar, mas era assim a vida na nossa terra, e, garanto-vos, era de categoria.

A passagem de ano em Fafe actualmente chama-se Réveillon e é um certame, porque em Fafe hoje em dia tudo é certame, até uma festa profundamente religiosa como a Senhora de Antime, e se não é certame, pelo menos é evento e de certeza é icónica, a passagem de ano, porque em Fafe agora tudo é icónico. De acordo com os anúncios, o Réveillon 2025-2026 sucede no quentinho do Pavilhão Multiusos e apresenta uma série de peripécias com nomes estrangeiros, incluindo os artistas, tem área gold, área premium, área vip e área white, que deve ser o antigo peão, e todos os utentes, talvez prevenindo, devem usar pulseiras de cores diferenciadas como nas urgências dos hospitais. Motas a desbundar e ambulâncias em tinoni é que nada, em princípio, mas até pode ser que se arranje. Com efeito, está também prometida uma coisa chamada "pirotecnia de interiores", Deus queira que ninguém se aleije.