Viva a liberdade! Abaixo as cuecas!
Christina Aguilera informou que não usa cuecas. A cantora norte-americana fez saber que gosta de se sentir livre, e as cuecas não deixam. E eu ponho-me a cismar: às tantas, quando os nossos governantes nos mandam baixar as calças, só estão a pensar no nosso bem...
Entrava o mês de Março e o carnaval já tinha sido. Um bando de moças desce as escadas que levam até aos bares do Molhe, na Foz, Porto fino. São seis ou sete, modernas, todas meninas do sexo feminino, bem vestidas, galhofeiras. Topam o velho, quer-se dizer, a minha pessoa, e resolvem gozar o prato. Uma das raparigas, guapa sim senhora, despe a gabardina e exibe-se com um vestido de "espanhola". Vermelho e preto, por supuesto, e com um letreiro ao peito que sai ao pai. Penso: coitadinhas, chegaram atrasadas ao carnaval; ou então são palerminhas das praxes; ou então são palerminhas das praxes que chegaram atrasadinhas ao carnaval.
Com manias de jornalista de antigamente, aproximo-me para proceder à competente desambiguação. O letreiro, escrito à mão e colocado dentro de uma mica, diz: "Felicita-me ou não. Vou-me casar". Percebo logo tudo, oh juventude irreverente e criativa! É um novo ritual de despedida de solteira. Só pode ser. Ou publicidade ao viagra; ou uma partida para os apanhados.
Comovem-me a simpatia e a originalidade da ideia. Esta espécie de performance, teatro de rua, flash mob talvez, em vez do tradicional striptease masculino em recinto fechado. Que coisa bem sacada! A "espanhola" apercebe-se de que eu estou na onda, aproxima-se de mim, toda gaiteira, com umas cuequinhas verdes na mão direita e umas cuequinhas cor-de-rosa na mão esquerda. Que giro! Fala em castelhano, e eu preferia que fosse em galego, nosso, mas que se há-de fazer?...
Comovem-me a simpatia e a originalidade da ideia. Esta espécie de performance, teatro de rua, flash mob talvez, em vez do tradicional striptease masculino em recinto fechado. Que coisa bem sacada! A "espanhola" apercebe-se de que eu estou na onda, aproxima-se de mim, toda gaiteira, com umas cuequinhas verdes na mão direita e umas cuequinhas cor-de-rosa na mão esquerda. Que giro! Fala em castelhano, e eu preferia que fosse em galego, nosso, mas que se há-de fazer?...
- Olá. Vou casar amanhã. Podes dizer-me que cuecas devo usar? Estas ou estas?
- Amanhã? Nem umas nem outras, minha senhora. Sem cuecas é que vai bem - respondo eu, sumariamente ponderado o assunto em questão.
As "amigas" riem e tiram fotografias. Eu fico nos retratos, não sei se filme.
Vermelha-e-preta e radiante, la novia insiste:
- Ningunas?
- É como lhe digo, minha senhora. Se o caso é casamento, primeiro noite e tudo, sem cuecas é que usted vai bem.
A moçoila parece-me ter ficado algo desconsolada com a minha resposta. Condoo-me. Eu, que, como sempre, só quero ajudar, dou-lhe então uma segunda oportunidade:
- Amanhã? Nem umas nem outras, minha senhora. Sem cuecas é que vai bem - respondo eu, sumariamente ponderado o assunto em questão.
As "amigas" riem e tiram fotografias. Eu fico nos retratos, não sei se filme.
Vermelha-e-preta e radiante, la novia insiste:
- Ningunas?
- É como lhe digo, minha senhora. Se o caso é casamento, primeiro noite e tudo, sem cuecas é que usted vai bem.
A moçoila parece-me ter ficado algo desconsolada com a minha resposta. Condoo-me. Eu, que, como sempre, só quero ajudar, dou-lhe então uma segunda oportunidade:
- Olhe, espere lá, vou ver se mudo de ideia: arregace aí as saias e experimente as duas cuecas, uma de cada vez, mas devagar, devagarinho, lentamente, posso pôr música?...
- ...
E desejei-lhe muitas felicidades e vivam as noivas.
E desejei-lhe muitas felicidades e vivam as noivas.
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