Fino como um alho
Burro como um soco. Duro como um corno. Bêbado como um cacho. Quer-se dizer: o soco, o corno e o cacho, que culpa é que têm?...
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segunda-feira, 2 de novembro de 2026
Casas que ninguém vê
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domingo, 6 de setembro de 2026
Jogando ao pau com os ursos
Cada macaco no seu galho
"Em que ramo é que trabalhas?", perguntaram-lhe. E o macaco respondeu: "No de baixo, derivado às vertigens..."
E antes que me esqueça: por exemplo, o jogo do pau. O nosso indesmentível jogo do pau, que é tão nosso como dos outros. Porque não? Ou o berlinde, a carica, o pião, o espeto, a macaca, o moche, o tene, a cabra-cega, o arranca-cebolas, o mamã-dá-licença, o esconde-esconde. Ou o jogo da malha. Ou o jogo da bisca. Ou o jogo Benfica-CUF de 22 de Março de 1959. Porque não?
Por exemplo, as Janeiras, os Reis, as novenas, o terço e a bênção do Santíssimo. A incomparável procissão da Senhora de Antime e o pagamento de promessas de joelhos em Fátima. Porque não? As marchas de Lisboa e as rusgas do Porto e o Pai das Orelheiras e o carnaval de Ovar e as arruadas das bandas de Revelhe e Golães e a bicha das sete cabeças e a chega de bois e as "Velhas" da Terceira e as adufeiras de Monsanto e a Justiça de Fafe e a Porca de Murça e as pedras parideiras de Arouca e os zés-pereiras e os cabeçudos e os gigantones. Ou a cantiga no duche, ou a lengalenga do avô, ou a arenga de bêbado, ou o apita-o-comboio, ou o atirei-o-pau-ao-gato, ou o areias-era-um-camelo. Ou o canto pimba, ou o canto neiro. Porque não?
Por exemplo, os ranchos folclóricos, os conjuntos típicos, a Maria Albertina e o António Mafra, os grupos excursionistas, os motoclubes e as motosserras, que são serras onde se anda de mota. Ou as bandas de música de um modo geral, filarmónicas e copofónicas, indispensáveis. Porque não? Ou os bandos de malfeitores, banqueiros ou governantes, os salgados e os doces, da alheira de Mirandela ao pastel de Belém. Porque não?
Por exemplo, o manguito do Bordalo. Ou o caralho das Caldas. Porque não?
Por exemplo, o assobio. O assobio com dedos ou com as mãos em concha. Porque não?
Somos um país para o Guinness. É património até dar com um pau. É património sem mãos a medir. Com assinalável pertinácia, Portugal mete os dedos à boca e, com vossa licença, vomita património imaterial da humanidade por todos os lados. Um destes dias, sem darmos fé, estamos todos condecorados. Da cabeça aos pés.
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sexta-feira, 14 de agosto de 2026
A mania das grandezas
Para o Guinness
E finalmente colocou a melancia em cima do bolo. Era um bolo para o Guinness, é preciso que se note...
Portugal tem a Maior Renda de Bilros do Mundo, o Maior Arroz de Lapas do Mundo, a Maior Aula de Judo do Mundo, a Maior Aula de Surf do Mundo, a Livraria Mais Antiga do Mundo, o Maior Sobreiro do Mundo, a Maior Sardinhada do Mundo, o Maior Assador de Castanhas do Mundo, a Maior Concentração de Motas Antigas do Mundo, o Maior Pão com Chouriço do Mundo, o Maior Número de Não-Mágicos a Fazer Um Truque de Magia Num Único Local, a Maior Largada de Bolas do Mundo, o Maior Castelo Insuflável do Mundo e um Megaprato de Bacalhau Dourado que é o maior do mundo, tudo devidamente homologado pelo Livro dos Recordes do Guinness. Tem igualmente o Jornal Mais Pequeno do Mundo, a Maior Distância Percorrida em Cadeira de Rodas por 24 Horas, a Maior Omeleta do Mundo, a Maior Colecção de Garrafas de Uísque do Mundo, o Maior Número de Aviões de Papel Lançados Simultaneamente, o Maior Logótipo Humano do Mundo, o Maior Número de Horas Seguidas a Tocar Bateria, a Maior Onda Surfada, o Maior Número de Toques Numa Tecla de Piano Num Minuto e o Aplauso Mais Ruidoso do Mundo. Outro dia, Vila Verde informou que "entrou para a história", ao "conseguir a maior concentração do mundo de pessoas a dançar o vira minhoto", e eu, palavra de honra, não percebo porque é que Fafe se fica. Para além disso, Portugal tem ainda o inesgotável Cristiano Ronaldo, que, só à sua conta, dá ao país mais de trinta recordes, sem exagero. Com exagero, serão mais de cem...
Somos um país pela medida grande. É também nosso, e oficialmente certificado, o Maior Andor do Mundo: costuma sair à rua na Aparecida, em Torno, Lousada, a meio de Agosto. O famoso andor mede de alto quase 23 metros, pesa tonelada e meia e é transportado, diz-se, por mais de cem homens do sexo masculino. Aqui há uns anos, durante a procissão, o maior andor do mundo virou, caiu e feriu sete pessoas, número que, infelizmente, ficou muito longe de constituir recorde - e seria mais um para a conta. O desastre estava, no entanto, previsto: Deus, que gosta pouco de abusos de confiança, já se sentira incomodado com a Torre de Babel, e armou a confusão que se sabe.
Eu se fosse aparecidense - aparecidense e festeiro - e também tivesse a vaidade de pôr o nome da terra no índice do Livro dos Recordes, seria porém mais modesto, terreno e prático do que os construtores de sacristismos em altura. E não ia muito longe. Ficava-me ali pelas redondezas da capela e chamaria os do Guinness para provarem o cabrito assado no forno da Pitarisca. Evidentemente o melhor cabrito assado do mundo, estou farto de dizer, e não é preciso usar capacete.
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