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sábado, 14 de março de 2026

No urinol, o telemóvel (não) pode esperar

Óculos sem bateria
É desagradável. Pousar os óculos e depois não saber onde. E precisar deles para os procurar. E pegar no telemóvel para lhes ligar, obrigando-os a darem sinal de si. E então lembrar-me de que nunca pus os óculos a carregar.

Eu nunca tinha visto. Um indivíduo, jovem, bem apessoado, tipo actor de telenovela, no urinol da impecável casa de banho do restaurante, mesmo ao meu lado, a mijar sem mãos. Ou, por outra, a mijar de mãos-livres, ocupadas com outros afazeres. Palavra de honra. Fiquei assarapantado. Porque o rapaz realmente não era maneta, pelo contrário. As mãos estavam entretidas com o telemóvel, a mandar mensagens, não sei se também fotografias, o moço deveras compenetrado na operação, e enquanto isso, lá em baixo, mijava-se satisfatoriamente, era pelo menos o que se ouvia, é o que suponho que acontecia, porque, a verdade é só uma, eu não fui lá espreitar...

quinta-feira, 6 de março de 2025

Elas urinavam de pé

O maneirismo
O maneirismo desponta na Europa em meados do século XVI e logo começa a ser criticado. A homofobia é, com efeito, uma doença muito antiga.

Antigamente as mulheres urinavam de pé. Quem for de Fafe e provecto, faz uma ideia, embora não seja uma coisa bonita de se pensar. Não vou explicar pormenores, a não ser que me peçam muito, mas urinavam de pé, as mulheres. De pé, como as falecidas árvores da Senhora Dona Palmira Bastos. De pé, como as vítimas da fome. De pé, como os homens em geral. De pé! Homens e mulheres eram iguais. Depois as mulheres resolveram amouchar para o acto e passaram a ir aos pares à casa de banho. Hoje em dia as mulheres queixam-se de discriminação de género.