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terça-feira, 30 de setembro de 2025

Acampado no multibanco

Duzentos e vinte e quatro
Foi julgado e condenado por ter ligado a pedir o 224. O 112 achou que era gozo, chamada falsa. A verdade é que foram mesmo necessárias duas ambulâncias.

Sabeis aquele senhor que vai à vossa frente ao multibanco e paga a água e paga a luz e paga o gás e paga o telefone e paga a tv cabo e paga a prestação do colchão ortopédico e paga a consulta do cardiologista e paga o IUC e paga o IMI e paga o IRS e paga o seguro do carro e paga as quotas da AD Fafe e da funerária e paga o lar da sogra e paga o infantário dos netos, que são seis, todos em infantários diferentes, e paga o condomínio dos filhos, que são quatro, todos em condomínios diferentes, e procura nos bolsos e mete nos bolsos e não tem bolsos que cheguem e está sempre a enganar-se e a anular e a recomeçar as operações, e, no fim, consulta o saldo, três vezes - sabeis? Calhou-me hoje um desses e não aguentei a espera. Deu-me a fraqueza, desacordei e teve de vir o INEM. Para a próxima, vou prevenido: levo cadeira, saco-cama, toldo e merendeiro.

Ó filha, se mo desses!...

Para o maneta
O povo é tolo, e manda tudo para o maneta. O Maneta aproveita, já comprou carro novo e está a fazer obras em casa. À pala.

Era uma senhora de idade, e quando digo senhora de idade quero dizer uma senhora um bocadinho mais velha do que eu, que também sou um senhor de idade. A senhora estava aflita no multibanco, à boca da rua, mesmo no centro de Fafe, e ainda por cima era quarta-feira. Que confusão! A senhora pretendia consultar o movimento da conta, a opção não se encontrava disponível, a máquina não dava talões, ela queria vir embora, sair dali, ir para casa, mas não sabia o que fazer para reaver o cartão, que continuava enfiado lá nas profundezas da ranhura, como se tivesse caído num buraco negro. A senhora pediu ajuda a quem passava e uma alma caridosa mandou-a carregar na "tecla vermelha", ela carregou, nervosa, atabalhoada, enganou-se, tornou a carregar, e enquanto isso já a máquina lhe solicitava, em alta voz, feminina e maviosa, "Por favor, retire o seu cartão!", e o Largo inteiro a ouvir. A voz solicitou uma, solicitou duas vezes, "Por favor, retire o seu cartão!", parecia que impaciente, acusadora. E a senhora, cheia de vergonha e já de cabeça perdida, respondeu-lhe no mesmo tom, em desespero de causa: - Ó filha, se mo desses!...