sábado, 15 de março de 2025

Os melhores anos da minha vida 2

Foto Tarrenego!

Faziam-se homens e pronto
No meu tempo era mais fácil fazer homens. Levavam-se os rapazes às putas, mandavam-se os rapazes para a tropa, e estava o assunto resolvido. Hoje em dia a coisa exige outros mimos, ciência...

Claro que crescíamos e éramos cada vez menos. As calças à boca de sino não ajudam muito à seriedade do acto e as guedelhas anticanónicas colocam-nos nos primeiros tempos pós-revolução do 25 de Abril de 1974. Por aí estávamos, de facto - o que me foi fatal. Já não éramos meninos. Procurávamos a abertura. Muitos escolheram sair, seduzidos pelos arejos da liberdade, a mim mandaram-me embora, vítima de uma espécie de saneamento fascista e sacrista, que hoje me dá para rir, mas na altura não. Eu era o líder da insurreição interna, que, assim cortada pela raiz, por ordem directa do bispo, morreu ali mesmo, confortada com os sacramentos da Santa Madre Igreja. Livres das más influências da maçã podre que eu era, alguns destes cromos desabrocharam, então, em padres, consta-me que já vão em cónegos, mas não sei de que categoria. Os cónegos, como já aqui expliquei, dividem-se em três partes.

Há três dias que olho para esta fotografia, e o que me vai realmente na alma não é para aqui chamado. Olho para a fotografia e parece-me (nunca me tinha apercebido) que, por um aviso qualquer, nos juntámos todos à volta do Miguel Carlos. Miguel Carlos Lobo Pinto de Oliveira, se não me engano. E nunca o esqueci.

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