quarta-feira, 3 de junho de 2026

A Associação, a Desportiva e o Fafe

O Estreito de Ormuz
Havia o Grosso da Coluna e o Maciço Central, robustos e tonificados. Agora temos o Estreito de Ormuz, esse lingrinhas.

Suspeito que seja caso único, talvez a nível mundial. Um importante clube de futebol que pode ter, e tem, quatro nomes autónomos e cada um deles suficiente e correcto, utilizando apenas as três palavras que lhe servem de identificação registada, portanto sem precisar de recorrer a alcunhas postiças, tipo águias, leões ou dragões, encarnados, verdes e brancos ou azuis e brancos, lampiões, lagartos ou andrades. E esse clube, tomai bem nota, é exactamente o nosso: a Associação Desportiva de Fafe, isto é, a Associação, aliás, a Desportiva, quer-se dizer, o Fafe. Um, dois, três, quatro.
Eu sou do tempo da Associação, era assim que dizíamos na minha geração - sou pela Associação, fui ver a Associação, golo da Associação! -, mas os mais velhos do que eu chamavam-lhe Desportiva - sou pela Desportiva, fui ver a Desportiva, golo da Desportiva! - e, no entanto, era tudo o mesmo. Com a "fusão" ainda fresca, creio que havia um certo pudor em chamar Fafe ao Fafe, que era palavra comum aos dois velhos emblemas que se apagaram, o Sporting Clube de Fafe e o Futebol Clube de Fafe, para darem à luz a Associação Desportiva de Fafe, em 1958. Naqueles primeiros tempos, era certamente melhor não incendiar rivalidades antigas e violentas, para que ninguém pensasse que os de um eram mais Fafe do que os do outro, isto é, que a nova colectividade era mais de uns do que dos outros ou, pior, a continuação de uma das partes à custa da extinção da outra. Evitava-se ferir susceptibilidades, abanar o vespeiro, mexer na crosta das feridas em cicatrização. Lembro-me muito bem desse ambiente ainda estremado, com discussões infindáveis e perigosas nos nosso tascos e cafés.
Fafe foi entrando aos poucos, já no meu tempo, e aí está. Um clube masculino e feminino, com quatro nomes e um só amor. O Fafe, a Desportiva, a Associação, a Associação Desportiva de Fafe, consoante a idade, a memória e o comprimento da língua de quem o diz. Já quanto aos "justiceiros", essa novidade de carregar pela boca, vou ali e venho já...

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