quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Quando íamos aonde elas

Trocado por miúdos
O divórcio aos cinquenta anos foi-lhe um desgosto muito grande. Ainda por cima, trocado por dois rapazes de vinte e cinco.

No tempo em que dois mais dois eram catro e crescer era crecer e descer era decer e fruta era fruita e homem era home e ferrugem era ferruge e água era auga e ontem era onte e ordem era orde e depois era apois e bom era bô e quando era cando e entre, preposição, era antre, nesse tempo, no nosso velho Minho agalegado, nós íamos aonde elas. Assim de dizia, a minha mãe ainda diz, felizmente, e por acaso adoro ouvi-la dizer. Ir aonde ela ou ir aonde ele significava, isto é, significa, ir ter com ela ou com ele ao sítio onde ela ou ele estão, sobretudo quer dizer ir a casa dela ou a casa dele.
Coisa muito diferente, porventura mais impetuosa, e envolvendo pelo menos outras responsabilidades e consequências sociais, era ir para onde elas. Isso, ir para onde elas, porque também se verificava, a verdade é para ser dita. Ir para onde ela ou ir para onde ele correspondia a ir para casa dela ou ir para casa dele, creio que me faço entender, e usava-se frequentemente em casos da adultério, casamentos infelizmente escangalhados ou evidentes amantizações finalmente assumidas, divórcios é que não, porque em Fafe não havia.

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