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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Eles sabem tudo e não deixam nada

Filosofices
Era um homem culto. Aliás, costumava dizer: não me descartes, não me aristóteles, não me sócrates, não me parménides, não me pitágoras, não me diógenes, não me tales de mileto e assim sucessivamente...

Os que sabem tudo sobre futebol são os mesmos que sabem tudo sobre política, os mesmos que sabem tudo sobre cultura, os mesmos que sabem tudo sobre agricultura, os mesmos que sabem tudo sobre incêndios florestais, os mesmos que sabem tudo sobre justiça, os mesmos que sabem tudo sobre economia, os mesmos que sabem tudo sobre corrupção, os mesmos que sabem tudo sobre molduras penais, os mesmos que sabem tudo sobre racismo, os mesmos que sabem tudo sobre identidade de género, os mesmos que sabem tudo sobre saúde, os mesmos que sabem tudo sobre guerra, os mesmos que sabem tudo sobre poeiras africanas, os mesmos que sabem tudo sobre judeus sefarditas, os mesmos que sabem tudo sobre gastronomia, os mesmos que sabem tudo sobre limites do humor, os mesmos que sabem tudo sobre violência doméstica, os mesmos que sabem tudo sobre mudança da hora. Os mesmos que sabem tudo sobre saber tudo de tudo. Sempre os mesmos. Olhai bem para as vossas televisões, de manhã à noite, aquilo é que é sabedoria. Fosga-se, parecem barbeiros! Como se dizia antigamente na minha terra, e sem ofensa para os presentes, vá lá saber tudo ao caralho...

domingo, 5 de outubro de 2025

Entre átonas e tónicas, eu é com gin

A fama tem um preço
Na rádio, Renascença por acaso, o reclame a uma telenovela da SIC avisa: - A fama tem um preço! Pois tem. E o arroz carolino também. E a massa-cotovelo e as batatas e os alhos e o azeite, que está pela hora de morte. As próprias pessoas, diz-se, também têm um preço. Algumas, melhor colocadas na vida, têm dois ou três...

Dizer que. Já tinham o "Trófense", por causa de ser da Trofa, e depois inventaram os "ávenses", derivado a serem das Aves. Os rapazes do desporto da Antena 1, que é praticamente a única rádio que eu ouço, e gosto, têm um problema, eventualmente uma disfunção, com a maneira de dizer palavras. Logo eles, cuja profissão é, fino modo, dizer palavras. Um destes dias ainda os escutarei a falarem dos "fárenses", por serem de Faro, dos "pôrtuenses" por serem do Porto, dos "brácarenses" por serem de Braga, dos "pácenses" por serem de Paços de Ferreira ou, puxando a brasa à nossa sardinha, dos "fáfenses", por serem de Fafe. E quem diz os rapazes do desporto da Antena 1, diz os rapazes do desporto das outras rádios e de todas as televisões, que lhes vão logo atrás e, se não estou em erro, são sempre os mesmos.
É o falso dilema entre sílabas átonas e tónicas. Eu resolvo-o com gin.

Por também ser verdade, tenho de acrescentar o seguinte: há coisa de uma ou duas semanas, ouvi na Antena 1 um spot a anunciar o relato de um jogo do Trofense. Sim, Trofense, disse a voz, por sinal excelente. Exultei de alegria!