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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Armado em Bond

O pedinte e o pedante
Entre o pedinte e o pedante vai a diferença de uma vogal. A favor do pedante, evidentemente.

Ele tinha realmente a mania. Fosse aonde fosse, entrasse aonde entrasse, chegava ao balcão e pedia um "martini seco, agitado, não mexido". Nem que estivesse na Chapelaria Antunes, para comprar um guarda-chuva. E acrescentava, cheio de classe e charme: - O meu nome é Quim, Joa Quim.

sábado, 11 de abril de 2026

Um pirolito pra mim, um pirulito pra ti

O bebé que era sedentário
Estacionaram o carro junto à praia. A mulher saiu, morena e roliça, num refrescante vestido branco comprido à mãe-de-santo. O homem foi ao banco de trás buscar o filho e pousou-o no chão. O miúdo não gostou. Era ainda um bebezinho dos primeiros passos que quase não se tinha em pé. Se calhar por isso, sentou-se no empedrado, abriu as goelas e chorou o seu protesto. A mãe procurou por quem passava, era eu, e ralhou pedagógica e mansamente ao petiz, naquele português doce do Brasil: - Rodinei Uaxinton, chega! Que sedentarismo, minino!...

O Brasil, que tem dias para tudo, também tem o seu Dia do Pirulito. E é justo. O Brasil é um país tropical, abençoado por Deus e muito dado a carnavais de todas as espécies. No lado de lá, pirulito com "u" é uma guloseima feita de rebuçado ou chocolate enfiada num palito e que se come chupando ou lambendo. Isto é, corresponde, no lado de cá, ao nosso chupa ou chupa-chupa. No brasileirês corrente, a palavra pirulito serve também para identificar uma pessoa muito magra, o chamado pau de virar tripas, ou o órgão sexual masculino, especialmente de criança, igualmente dito bilola, bilunga, bimba, bimbinha, pimba e pimbinha. O Dia do Pirulito, no Brasil, decorre a 20 de Julho. Já pirolito com "o" era um refrigerante gasoso muito popular antigamente, e de que os da minha idade decerto ainda se lembram, significando, além disso, nome de um estribilho, pessoa muito pequena ou gole de água bebido sem querer, quando se está, por exemplo, a nadar.

terça-feira, 3 de março de 2026

A receita da remessa

A ciência
Está cientificamente provado: o álcool afecta de forma diferente o homem e a mulher. O mercurocromo não.

Uma infusa de satisfatórias dimensões. Vinho, branco ou tinto, e açúcar, de preferência amarelo, à moda de Fafe. Mexe-se com uma colher, se houver, ou com os dedos. Da mão. Junta-se-lhe cerveja ou, para coninhas, seven up. O equilíbrio das quantidades fica ao gosto do fabricante. Chama-se a isto "receita" ou "remessa" e deve beber-se bem fresco, mas sem gelo, porra! Os coninhas podem chamar-lhe cocktail...

Por outro lado. Há a questão das remessas familiares, tão importantes para a nossa economia, e neste caso as quantidades devem ser calculadas, ajustadas e acrescentadas em função do número de parentes presentes. Se, em famílias mais numerosas e capazmente apreciadoras, uma infusa não for suficiente, então a remessa pode muito bem ser elaborada e servida num cântaro, num balde, num alguidar, numa bacia, no depósito da água, no tanque ou na banheira, se estiver de vago.

domingo, 5 de outubro de 2025

Entre átonas e tónicas, eu é com gin

A fama tem um preço
Na rádio, Renascença por acaso, o reclame a uma telenovela da SIC avisa: - A fama tem um preço! Pois tem. E o arroz carolino também. E a massa-cotovelo e as batatas e os alhos e o azeite, que está pela hora de morte. As próprias pessoas, diz-se, também têm um preço. Algumas, melhor colocadas na vida, têm dois ou três...

Dizer que. Já tinham o "Trófense", por causa de ser da Trofa, e depois inventaram os "ávenses", derivado a serem das Aves. Os rapazes do desporto da Antena 1, que é praticamente a única rádio que eu ouço, e gosto, têm um problema, eventualmente uma disfunção, com a maneira de dizer palavras. Logo eles, cuja profissão é, fino modo, dizer palavras. Um destes dias ainda os escutarei a falarem dos "fárenses", por serem de Faro, dos "pôrtuenses" por serem do Porto, dos "brácarenses" por serem de Braga, dos "pácenses" por serem de Paços de Ferreira ou, puxando a brasa à nossa sardinha, dos "fáfenses", por serem de Fafe. E quem diz os rapazes do desporto da Antena 1, diz os rapazes do desporto das outras rádios e de todas as televisões, que lhes vão logo atrás e, se não estou em erro, são sempre os mesmos.
É o falso dilema entre sílabas átonas e tónicas. Eu resolvo-o com gin.

Por também ser verdade, tenho de acrescentar o seguinte: há coisa de uma ou duas semanas, ouvi na Antena 1 um spot a anunciar o relato de um jogo do Trofense. Sim, Trofense, disse a voz, por sinal excelente. Exultei de alegria!