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quarta-feira, 4 de março de 2026

Não andei contigo na escola!

O homem profundo
Ele era um homem profundo. E metódico, com horário. Sentava-se em cima da Arcada e dizia, não raro: - Penso agora, logo existo.

Igualha. Identidade ou igualdade de condição social, moral ou da maneira de ser - é assim, regra geral, que os dicionários definem a velha palavra igualha. "Eu não sou da tua igualha", dizia-se para ostentar superioridade, reclamando diferença de nível ou de classe ou de educação ou de estatuto em relação a outro ou outra, considerado ou considerada abusador ou abusadora, atrevido ou atrevida, põe-te mas é no teu lugar. E "eu não sou da tua igualha" queria dizer "mas conheces-me de algum lado?" ou "algum dia te dei confiança?" ou "já me viste mais gordo?" ou "sabes com quem é que estás a falar?" ou "estás agora armado em quê?" ou "por acaso andei contigo na escola?" ou todas as seis frases encadeadas no mesmo discurso, em casos particularmente bicudos, isto antes de se partir para a estalada, que também fazia parte da gramática, e era plural.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Filósofos à moda de Fafe

"Souvenir"
Ainda hoje guardo religiosamente a mão com que uma vez, há mais de trinta anos, cumprimentei mestre Agostinho da Silva.

Eu ouvia-os. Ouvia-os atentamente. E aprendia. O Sr. Ferreira do Hospital, o Sr. José do Santo, o Lininho Leite, o David Alves, o Zé Manel Carriço, o Mola, o Sr. Lem, o Landinho Bacalhau, o Sr. Aristeu da Loja Nova, o Aristides Carteiro, o Tónio da Legião, o Sr. Saldanha, o Cunha da Fazenda, o Zé de Castro, o Manel da Pinta, Nélson Fafe, o Guia, o Júlio Barbeiro, o Zé do Registo, o Quinzinho da Farmácia, Nelinho Barros, o professor Alberto Alves, o Carlos Alberto, o Pimenta, o Toninho da Luísa, o Varinho Dantas, Serafim d'Eiteiro. Era. Eu ouvia-os. Atenta e reverentemente. E aprendia vida. Mas ainda não sabia que eles eram filósofos.