Aquela altura do ano
Uma vez em Agosto. "Cão deixado no lixo dentro de um saco gera onda de solidariedade em Vila Real", anunciava o jornal. Acrescentando: "Plataforma Proanimal alerta que nesta altura do ano há mais animais abandonados e menos pessoas disponíveis para os acolher." Verdade como punho, ontem como hoje. Embora não gere nenhuma "onda de solidariedade", está curiosamente a acontecer o mesmo com os velhos e com os recém-nascidos, por assim dizer, humanos - cada vez mais abandonados e com cada vez menos pessoas disponíveis para os acolher. É. Vivemos realmente uma "altura do ano" perigosíssima. Mas os cãezinhos, Senhor...
O cidadão Fernando Alves. O Animal, chamam-lhe, ou o Emplastro, que, segundo o semanário Expresso, foi contratado por agências turísticas para acompanhar os passeios pelo menos bêbados de mais de 15 mil finalistas universitários portugueses a Espanha, isto só em 2008. Quinze mil doutores, em dinheiro de hoje em dia, e devem estar todos agora a mandar no país. O extraordinário Emplastro que até foi ao Herman SIC e teve direito a dentes novos, dados por um desinteresseiro benemérito, ó que publicidade tão bem empregue.
Eu sei que há guerras por esse mundo fora, cá em casa Portugal arde, o país é assumidamente racista, já sem pedir desculpa, as crianças nascem na rua ou nas ambulâncias, bebés são deitados ao lixo e velhotes também, os ministros enrodilham-se em contas malfeitas e histórias mal contadas, os novos fascistas medram como cogumelos, as mulheres regressam à cozinha, até Deus anda metido com indivíduos da pior espécie, mas o campeonato de futebol começou e, portanto, o nosso Fernando apresentou-se ao serviço. A televisão sem ele é uma seca, e com ele também, mas o Fernando tem pinta. Tudo continua normal, normalíssimo, e cá vamos andando com a cabeça entre as orelhas, como dizia Sérgio Godinho, o escritor de canções. O pior é mesmo o defeso futebolístico, que, felizmente, já lá vai. No defeso, como o próprio nome indica, ninguém quer saber se o Fernando é herdeiro do Pinto da Costa ou filho do Luís Filipe Vieira, ou pai do Frederico Varandas ou sócio do António Salvador, e então o que é que se passa? Isto: sem câmaras de televisão para preencher, o Emplastro monta base à porta de um restaurante de Matosinhos, não sei se convidado ou somente tolerado pela gerência, e abrilhanta, à saída, copos de brutos, hic!, quero dizer, fotos de grupos, gente bem. Nos intervalos das suas pertinentes intervenções (faz cara de Emplastro, só lhe pedem isso), o Fernando deita-se na soleira da porta ao lado e então faz papel de famélico de Calcutá, o que lhe fica um bocado mal, estando ele gordo como um chino. E pede, se vê uma máquina fotográfica, "Uma moedinha, é para comer, é para comer..." - o número do costume. Não sei quem é que actualmente lhe está a cuidar da imagem e da carreira, o superagente Jorge Mendes não é de certeza, mas há ali qualquer coisa que não bate certo. Eu sei, já disse, é no defeso, mas isso não explica tudo.
Eu sei que há guerras por esse mundo fora, cá em casa Portugal arde, o país é assumidamente racista, já sem pedir desculpa, as crianças nascem na rua ou nas ambulâncias, bebés são deitados ao lixo e velhotes também, os ministros enrodilham-se em contas malfeitas e histórias mal contadas, os novos fascistas medram como cogumelos, as mulheres regressam à cozinha, até Deus anda metido com indivíduos da pior espécie, mas o campeonato de futebol começou e, portanto, o nosso Fernando apresentou-se ao serviço. A televisão sem ele é uma seca, e com ele também, mas o Fernando tem pinta. Tudo continua normal, normalíssimo, e cá vamos andando com a cabeça entre as orelhas, como dizia Sérgio Godinho, o escritor de canções. O pior é mesmo o defeso futebolístico, que, felizmente, já lá vai. No defeso, como o próprio nome indica, ninguém quer saber se o Fernando é herdeiro do Pinto da Costa ou filho do Luís Filipe Vieira, ou pai do Frederico Varandas ou sócio do António Salvador, e então o que é que se passa? Isto: sem câmaras de televisão para preencher, o Emplastro monta base à porta de um restaurante de Matosinhos, não sei se convidado ou somente tolerado pela gerência, e abrilhanta, à saída, copos de brutos, hic!, quero dizer, fotos de grupos, gente bem. Nos intervalos das suas pertinentes intervenções (faz cara de Emplastro, só lhe pedem isso), o Fernando deita-se na soleira da porta ao lado e então faz papel de famélico de Calcutá, o que lhe fica um bocado mal, estando ele gordo como um chino. E pede, se vê uma máquina fotográfica, "Uma moedinha, é para comer, é para comer..." - o número do costume. Não sei quem é que actualmente lhe está a cuidar da imagem e da carreira, o superagente Jorge Mendes não é de certeza, mas há ali qualquer coisa que não bate certo. Eu sei, já disse, é no defeso, mas isso não explica tudo.
O Fernando fez-se Emplastro a pulso, porque não é tolo nenhum - ao contrário do que muitas pessoas possam pensar -, mas também deu jeito a certas e determinadas televisões que ele fosse assim. E aos jornais. E às revistas. Pois se até o "entrevistavam" e lhe fizeram o "perfil"! Por outro lado, também já mete um bocado de nojo, não é verdade? Às tantas ainda o mandam para a Arábia Saudita.
Posso dar um palpite? Posso e é o seguinte: ninguém vai querer saber do Emplastro, quando o Fernando estiver deitado na soleira e for a sério (à séria, se lido em Lisboa). Nem os comensais arrotantes nem os estudantes terminais. Quem ousará sobressaltar-se quando o Animal for realmente abandonado?...
Posso dar um palpite? Posso e é o seguinte: ninguém vai querer saber do Emplastro, quando o Fernando estiver deitado na soleira e for a sério (à séria, se lido em Lisboa). Nem os comensais arrotantes nem os estudantes terminais. Quem ousará sobressaltar-se quando o Animal for realmente abandonado?...
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