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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Raios e Corisco

Cuidado com a língua!
"Raisparta isto!", disse Zeus, arreliado e meio distraído. E foi o fim do mundo.

Como se sabe, Zeus é o pai dos deuses, o deus dos céus, dos raios e dos relâmpagos, o fiscal que mantém em sentido toda a mitologia grega, e em Roma chama-se Júpiter. Os raios eram lanças muito grandes produzidas em série pelos gigantes ciclopes, criaturas de um olho só, como o Luís de Camões ou a gaita do Bitó. Estas lanças, suponho que de fogo, depois de prontas eram entregues ainda quentinhas a Zeus, que as atirava com toda a força sobre os homens pecadores e arrogantes, quanto mais longe melhor, e assim começaram os Jogos Olímpicos.
Foi aí que apareceu o Franklin. Benjamin Franklin, polímata americano que, entre outras habilidades, inventou o pára-raios, segundo aprendi na Escola da Feira Velha. E foi a nossa sorte. Assim se livrou a humanidade da fúria de Zeus, regra geral, e dos seus raios e coriscos. O Corisco, faço notar no entanto, era um cãozinho de banda desenhada no antigo jornal O Primeiro de Janeiro, que morreu sem que ninguém em Portugal se importasse. O jornal. O jornal é que morreu, como outros jornais que também morreram sem notícia na necrologia. Se fosse um cão, seria uma tragédia...

sábado, 2 de maio de 2026

A minha mãe ouviu um too

Esta janela não é de fiar
O meu telemóvel garante-me que lá fora, a esta hora, chove copiosamente. Olho agora mesmo pela janela e está um rico dia de sol. Quando apanhar um bocanho, vou mandar arranjar a janela.

A minha mãe disse-me que ouviu um too. Durante a noite, ouviu um too, muito forte, retumbante, abanador, assustador. A minha mãe ficou muito admirada por ser só um. Ainda admitiu, a rir-se com os botões, que fosse uma bomba, como a seguir ao 25 de Abril, mas não, o que ouviu foi mesmo um too, tinha a certeza.
É este falar antigo, escorreito, musical, tão galego nosso, que me apaixona tanto, e suspeito e lamento que sejam já poucos os que o guardam em Fafe. Atenção: a minha mãe falou bem. A minha mãe fala sempre bem. Toar é sinónimo de trovejar e portanto um trovão é um too. Lê-se e diz-se tôo e não tu, à estrangeira. A minha mãe ouviu um too e deram-me umas saudades desgraçadas, ai que peninha deste falar que está a morrer! Por sorte, a minha irmã Nanda também ouviu...