sábado, 2 de maio de 2026

A minha mãe ouviu um too

Esta janela não é de fiar
O meu telemóvel garante-me que lá fora, a esta hora, chove copiosamente. Olho agora mesmo pela janela e está um rico dia de sol. Quando apanhar um bocanho, vou mandar arranjar a janela.

A minha mãe disse-me que ouviu um too. Durante a noite, ouviu um too, muito forte, retumbante, abanador, assustador. A minha mãe ficou muito admirada por ser só um. Ainda admitiu, a rir-se com os botões, que fosse uma bomba, como a seguir ao 25 de Abril, mas não, o que ouviu foi mesmo um too, tinha a certeza.
É este falar antigo, escorreito, musical, tão galego nosso, que me apaixona tanto, e suspeito e lamento que sejam já poucos os que o guardam em Fafe. Atenção: a minha mãe falou bem. A minha mãe fala sempre bem. Toar é sinónimo de trovejar e portanto um trovão é um too. Lê-se e diz-se tôo e não tu, à estrangeira. A minha mãe ouviu um too e deram-me umas saudades desgraçadas, ai que peninha deste falar que está a morrer! Por sorte, a minha irmã Nanda também ouviu...

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