sábado, 10 de maio de 2025

Diálogos fafenses 12

Nunca pior
- Então, está tudo?...
- Vamos andando...
- Mas está tudo?...
- Nunca pior...
- Isso é que interessa.

quinta-feira, 8 de maio de 2025

O Mola assobiava que era um mimo

Dou abraços em segunda mão
Andei a remexer nas gavetas, faço isso uma vez por ano, e no meio da papelada sem sentido encontrei duas dúzias de abraços antigos mas ainda em razoável estado de conservação, dois deles desirmanados e pelo menos um que de certeza não é meu, achei-o talvez, mas já não me lembro, pu-lo de lado e estou pronto a entregá-lo a quem provar pertencer-lhe. Quanto aos outros, deixei-os estar, devem ser sobras da pandemia e não sei o que me parece deitá-los fora. Se alguém os quiser, que diga. Eu dou-os!

A mola. Molas de roupa, há-as em madeira, em plástico e em aço. As molas de aço são difíceis de vergar e muito dadas à preguiça, quase tanto como os garfos. Sei razoavelmente de garfos porque, dizem-me, tenho um nas costas. Crê-se que as molas foram inventadas nas redondezas de 1700, em madeira, e que ganharam as suas formas actuais em 1853. O Dia da Mola celebra-se a 6 de Maio e só lhe ligam, um bocadinho, no Reino Unido, que são um povo que, apesar de nevoento, gosta de ter sempre alguma coisinha com que se entreter, como por exemplo as coscuvilhices da família real. E a mola. Mola em inglês diz-se clothes peg ou clothespin se for na América. O famoso jornal londrino The Telegraph considerou a mola de roupa a centésima maior invenção da humanidade. Depois da mola já foram inventados os computadores, a bomba atómica, o coração artificial, a televisão, o telemóvel, os antibióticos, as naves espaciais, o peido-engarrafado, o exoesqueleto, o clipe, a fita-cola, a cola-cientistas-ao-tecto, o post-it, o pós-modernismo, o velcro ou o pionés, e no entanto - tomai nota! - os mais virtuosos músicos das melhores, mais aclamadas e mais sofisticadas orquestras sinfónicas do mundo continuam a usar a mola, a modesta, a simplória, a velha mas competente mola de roupa para segurarem as sagradas partituras às respectivas estantes. O que é extraordinário.

O Mola. Mola, por outro lado, também pode ser masculino. Nesse caso escreve-se com maiúscula inicial, diz-se o Mola, e devo informar que morava, se não me engano, quem vai para a Fábrica do Ferro, resvés com a descida final, ali por alturas do Souto, frequentava evidentemente o velho Peludo e, por morte deste, o Arcada. É preciso também que se diga que o Mola trabalhou muitos anos no Vitória de Guimarães e depois na AD Fafe, que era um homem alto e barbado, elegantemente discreto, cordato, sábio, infalível aos amigos e discípulos, noctívago, malandro, apreciador de bandas filarmónicas e ele próprio exímio executante de assobio, económico nas palavras, e tinha piada fina. Grande Mola! Uma figura mítica, irrepetível, um fafense excelentíssimo.

E eu sou um gajo cheio de sorte. Num dos meus bissextos retornos a Fafe, há meia dúzia de anos, vi o Mola e já não o via há muito tempo. Calhámos eu e ele à hora de almoço no Fernando da Sede (Adega Popular) e comoveu-me o reencontro. Não falámos, porque eu não ousei. Eu estava com o meu filho e senti um prazer tremendo, uma vaidade sem medida, contando ao Kiko a grandeza daquele homem, a importância que ele teve na vida do meu amigo Pimenta e a importância que o Pimenta teve e tem na minha vida. Antes de sair e de dar o meu segundo abraço ao Fernando, mandei ao Mola um envergonhado sinal de "obrigado!" e ele deu-me em troca um sorriso tímido e límpido, talvez ausente, secreto, quem dera que pelo menos lhe tenha passado pela cabeça, ainda que por acaso, "acho que em tempos conheci aquele miúdo"...

terça-feira, 6 de maio de 2025

O cu pelo nariz acima

Águas mil
Era um bêbedo que realmente sabia estar. Cada vez que se urinava pernas abaixo, ele dizia, sem perder a compostura: - Rebentaram-me as águas. Levem-me à maternidade, por favor!

A Bó de Basto contava. Já não lembro se era história verdadeira derivada a alguém da família antiga ou apenas diz-que-diz-que a respeito de vizinhos lá da aldeia, liornas, às tantas. Sei é que era um casal e que o casal se tratava reciprocamente por vossemecê - forma de tratamento muito mais rústica e ancestral do que cuidam as "tias" e os "tios" do então-vá e as "sobrinhas" ou "sobrinhos" do veja-bem.
Naquele tempo e pelo menos na nossa zona, beber vinho era, à falta de outros horizontes, um honrado modo de vida. E, quanto ao casal da nossa história, marido e mulher também bebiam a sua pinguinha, que era uma forma modesta de dizer que passavam todo o santo dia com a malga de americano caseiro enfiada nos queixos. Que se segue: de vez em quando, à noite, o caldo entornava-se. Fosse pelo vinho, fosse pela falta de petróleo na candeia, que se chamava "luz", e os fósforos para a acender chamavam-se "lumes", também ditos "palhites", fosse pelo empurrão traiçoeiro do fogo da lareira, o casal desavinha-se. Nada de grave ou físico, apenas desconversa. Ralhava um, ralhava o outro, cada qual ameaçava, "caralho que!...", mas nada. Até que uma maré, ele - só podia ter sido ele -, sacramentalmente dono da última palavra e mortinho por ir para a cama, arrumou a questã a seu favor da melhor maneira que soube e pôde, que foi, virando-se para ela, atirar súpeto: "Ora meta-me o cu pelo nariz acima". Para logo remendar, coçando as partes com um entusiasmo que só visto: "Ora vá bardamerda, que até me enganei". E depois foram fazer meninos um com o outro, que naquela terra era assim e muito

Em Basto, no Inverno, no tempo em que havia estações do ano, o frio era muito, não existia electricidade nem televisão, era noite logo às cinco da tarde ou antes, mas ninguém se queixava e nasciam muitas crianças. Em Portugal era noite há mais de quarenta anos, e outros portugueses noutros sítios estariam ainda em pior situação, suspeitava-se de bico calado lá naquele fim do mundo alumiado a "pitroil". Por outro lado, nunca percebi como é que aquele povo não morreu inteiro vítima de uma epidemia de incêndios vínicos e domésticos. Já agora: se a "luz" fosse a pilhas, isto é, se fosse uma lanterna, ou "lenterna" ou "linterna", uma novidade que chegou a Passos com os anos de atraso do costume, então chamava-se "foxe", evidentemente por causa de ser um foco, um foco de luz, devendo dizer-se "focse". E, sim, escrevi mesmo questã, não lhe falta o ó final. Era assim que se falava, questã, respeitando o feminino.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Diálogos fafenses 11

Fectivamente escuto as conversas
- Vamos lá ver: quando você diz ralmente, o que é que realmente quer dizer?
- Ralmente.
- Quê?
- Quero dizer ralmente, o que é que havia de ser? Ralmente...
- Se bem percebo: quando diz ralmente, quer dizer realmente. É?
- Zatamente.
- Portanto: quando diz zatamente, quer dizer exactamente?
- Tomaticamente.
- Já sei: e quando diz tomaticamente, quer dizer automaticamente, não é?
- Fectivamente.

Nas mãos de Agustina

O jornalista cultural
Homem de cultura, presença assídua em verbenas poéticas e chás-dançantes, organizador de bienais e reuniões mensais, colaborador em jornais e televisões digitais, presidente de cineclubes diversos, nome com assinatura reconhecida nos melhores suplementos de artes e letras, inclusive blogues, Bonifácio de Montalvar foi ao cinema de ciclo. Viu "Guerra e Paz", de King Vidor, com Audrey Hepburn, Henry Fonda, Mel Ferrer e o italiano Vittorio Gassman. Gostou do enredo, ou da estória, como prefere escrever. E declarou à saída, alto e bom som, para que ficasse lavrado em acta: - Isto, sim, dava um bom livro.

Agustina Bessa-Luís (1922-2019) ocupou o cargo de directora de O Primeiro de Janeiro entre 1986 e 1987. Digo bem: ocupou o cargo. Fazendo o favor ao CDS e a Diogo Freitas do Amaral, a quem o jornal da portuense Rua de Santa Catarina tinha sido dado pela família Pinto de Azevedo. Agustina entrou e mandou logo mudar de sítio a secretária do sombrio gabinete da direcção, a sua secretária de trabalho, para melhor aproveitar a posição da janela e poder apanhar solzinho nas perninhas. É a grande marca do seu consulado. De resto, era bonito de se ver aquela mulherzinha de carrapito e xaile ou lenço pelas costas, sentada quase invisível, debruçada sobre o mesão, com os pés balançando a meio caminho do soalho, manuscrevendo laboriosamente numa letrinha mínima, encarreirada e esdrúxula que era preciso desvendar.
Ora bem. Durante muitos anos eu confundi Agatha Christie com Miss Marple. Quero dizer, a cara de Agatha Christie era, para mim, a cara da veterana actriz inglesa Margaret Rutherford, e só já bastante adulto e atirado à vida é que desfiz o equívoco, perante o verdadeiro retrato da famosa autora de romances policiais, porventura descoberto na badana de um livro. Mais curioso ainda é que, em Fafe, na minha infância, eu mantinha sob apertada vigilância meia dúzia de velhas senhoras que eram Miss Marple de certeza absoluta, por mais que tentassem disfarçar. Senhoras antigas, amiúde intrometidas, vestindo com quase cinquenta anos de atraso, senhoras assim como a nossa Milinha Vaqueiro ou como as manas Grilas em dias de maior asseio. E que quereis que vos diga? A Senhora Dona Agustina, assim que lhe pus a vista em cima, entrou logo também para a minha lista.
Alheia à agenda e à actualidade, Agustina escrevia para o jornal uns "editoriais" extraordinários, que eram tudo menos editoriais. Eram pérolas literárias, histórias, contos, ensaios, que viam a luz do dia no cantinho superior esquerdo, ou talvez direito, da primeira página.
A directora não sabia nada do jornal e o jornal também não queria saber dela. Um dia o chefe de redacção entrou-lhe no gabinete perguntando-lhe o que fazer com uma notícia eventualmente mais melindrosa e que agitava na mão. É, antigamente as notícias viajavam em folhas de papel. "Eu não sei nada disso", enxotou a directora, "vá falar com o chefe de redacção". E o chefe de redacção disse "Com certeza, senhora directora", e foi falar consigo mesmo, modalidade, aliás, em que ele era e ainda é campeão intercontinental.
A directora Agustina Bessa-Luís deixou O Primeiro de Janeiro depois dos pascácios da administração lhe terem feito a sacanagem de publicar, sem lhe dar cavaco, uma edição apócrifa do jornal, a pedido das bolachas Triunfo, acrescentando-lhe à sorrelfa a convocatória de uma assembleia, o relatório e contas ou algo do género, enfim, uma diligência qualquer que legalmente carecia de um certo prazo que já tinha sido ultrapassado, se bem me lembro. A escritora exigiu a demissão dos administradores, que se mantiveram nos seus lugares, agarrados ao tacho como lapas. Saiu ela.
Sei disto tudo e outro tanto porque conheço muito bem o tipo que revia os "editoriais" de Agustina no velho Janeiro e que, vítima do efeito dominó provocado pela honrada renúncia da directora, acabaria por ter de tomar conta da redacção. Conheço-o tão bem que é como se me visse ao espelho.

No Janeiro, onde entrei como revisor, após concurso, lidei também com os extraordinários gatafunhos do filósofo Sant'Anna Dionísio (1902-1991), um velhinho minúsculo, já algo distraído e inesperadamente simpático que nos visitava amiúde, com os bolsos do casaco quase pelos pés, atafulhado de folhas de papel manuscritas, riscadas, emendadas e acrescentadas numa letra desengonçada e a bem dizer indecifrável que me calhava sempre a mim, por ordens expressas do chefe da revisão, o sábio Professor Horácio. Sant'Anna Dionísio escrevia uma infindável série de artigos sobre o também filósofo Leonardo Coimbra (1883-1936), que tinha sido seu mestre e era o seu ídolo, por assim dizer. Por lá andavam também, cronicando, o cineasta António Lopes Ribeiro (1908-1995), Cruz Malpique (1902-1992) ou Daniel Constant (1907-1984), entre outros, mas José Augusto Santana Dionísio seria talvez o mais notável colaborador do prestigiado suplemente literário do PJ, "Das Artes Das Letras", no meu tempo coordenado pelo poeta presencista Alberto de Serpa (1906-1992), outro incorrigível praticante da escrita manual e razoável filho da mãe.

sábado, 3 de maio de 2025

Diálogos fafenses 10

O sobrevivente
- Que grande tragédia, meu senhor: morreram todos e só fiquei eu para contar...
- E então como é que foi?
- Matei-os.

quinta-feira, 1 de maio de 2025

O Homem da Música

Foto Hernâni Von Doellinger

Deus, cara a cara
Dizia: - Quanto mais conheço Deus, menos me interessa a Igreja.

Éramos accionistas maioritários de um banco. Um banco de jardim no Parque da Cidade do Porto, alameda de entrada-saída da Avenida da Boavista, quase em frente às bombas da Galp, quem vai para a igreja de Nevogilde. Eu e ele, o meu amigo Senhor Hernâni, o Homem da Música, ou Senhor Feliz, como prefere chamar-lhe a minha mulher.
As voltas da vida desviaram-me à falsa fé dos nossos encontros ecuménicos de fim de tarde. Ele adventista militante e eu católico sem frequência, falávamos de artes, de paz, das crianças e dos velhos, da família, do amor, de afectos, da memória, do mundo, de tudo e de nada, de Deus, da alegria de viver com Deus. O Senhor Hernâni tentava missionar-me, converter-me, contava-me da sua Igreja, cantava-me hinos de louvor à vida e ao "Senhor Jesus". Enfeitava-os com um trejeitinho de fado, às vezes de folk americano, palavra de honra. Eu tinha para a troca o "Tantum Ergo" que aprendi no seminário e o "Queremos Deus" que trouxe das excursões do meu avô a Fátima, mas guardava os latinórios para mim, e creio que era sensato, o meu amigo não merecia semelhante castigo.

O Homem da Música fez o favor de me deixar começar a ser seu amigo parece-me que há coisa de quinze anos. Calhava perdermo-nos de vista por umas temporadas, mas felizmente lá tornávamos ao reencontro no banco do costume - um banco de confiança. Uma vez o Senhor Hernâni apareceu-me com instrumental novo e a superbicicleta cada vez mais artilhada: até já tinha relógio-despertador, peça fundamental em velocípede que se preze. Acertámos a conversa em atraso. Contou-me que o jeito para as engenhocas lhe vinha do ofício antigo, mais de trinta anos como afinador de máquinas numa grande fábrica em Rio Tinto. E que o amor pela música era de sempre, desde que se lembra de começar a contar os 77 anos que então levava.
Falou-me da mulher, que tinha "menos dez anos" do que ele e doenças que chegassem para os dois. Dos filhos, três, um dos quais "trabalha numa agência e sabe as línguas todas". Da ventura de alma que lhe é "louvar e amar o Senhor". Do seu Bairro da Fonte da Moura. Da lambreta cor-de-laranja em avançado processo de tuning caseiro. Das viagens em bicicleta até Arcozelo, em Gaia, ou até São Mamede de Infesta, para tocar. Só para tocar. Tocar por tocar. E pelo caminho já cantava e tocava - o que houvesse a resolver com o trânsito, era "pelos retrovisores"...
Outra vez, há meses que não o via, o Senhor Hernâni justificou as faltas. Contou-me que passara a ir alegrar as tardes da rapaziada da idade dele que frequentava o centro de dia da então Junta de Aldoar. Levava-lhes música, porque lhe apetecia e fazia gosto. Ninguém lhe encomendara o serviço, nada disso. Era bondade em estado puro. "Eles vêm cá para fora e eu toco", diz-me, quase envergonhado da felicidade serena que lhe baila nos olhos. "Quer ver? Quer ver?", e rapa da harmónica e do pandeiro e oferece-me uma bela modinha americana que, na verdade, é um hino religioso. Agradeço-lhe. Digo "Muito bem!", pigarreio, para esconder a comoção que também me embaraça. Lembro-me do verso de António Gancho, que diziam louco: "A música vinha duma mansidão de consciência", e ali vinha, meu Deus! Conto-lhe como tenho sentido a falta dele no banco do Parque e que andava preocupado. Não estou a mentir, o Senhor Hernâni diz-me respeito. O Homem da Música percebe, ri, rouba duas ou três notas ao teclado que tem em cima dos joelhos, para que eu saiba que a coisa funciona. E funciona. O Homem da Música tem um dom, dá vida a tudo o que toca, e toca tudo, acordeão, concertina, gaita, e até microfone e até rádio, e faz instrumentos de velhos rádios desactivados, transforma-os em artefactos musicais, amiúde "electrónicos". Toca. O meu amigo é tocador de corações. Isso. A coisa funciona.
Ele quer que eu fique mais um bocado. Fico. Gosto do Homem da Música. Ainda por cima tem um nome próprio que, não desfazendo, lhe calha muito bem - é Hernâni como eu. Senhor Hernâni. Senhor, verdadeiramente, que eu não sou.

De vez em quando eu ia sabendo do Senhor Hernâni. Os recados, avulsos, diziam-me que ele estava bem. Isto é, assaltaram-no, roubaram-lhe os documentos e andava a tratar dos papéis novos, sobretudo da carta de condução, que era o que mais o afligia. Teve de ir à Junta de Aldoar, e a minha mulher, que lá trabalhava então, apresentou-se-lhe. O meu amigo fez-lhe uma festa bonita e aproveitou para mandar-me um abraço que me soube pela vida, e repetiu a façanha dois dias depois, forçando novo encontro com ela, como quem não quer a coisa, mais um abraço para mim, e eu fiquei mais feliz ainda.
Portanto, o Senhor Hernâni esteve com a minha mulher em duas breves ocasiões, e foi talvez há sete ou oito anos. Em 2023, aposentada de fresco, a minha mulher precisou de ir ao antigo emprego, e quem é que ela encontra à porta, por extraordinário acaso? O Senhor Hernâni, que, ao vê-la aproximar-se, atira à queima-roupa: - A senhora é a familiar do senhor Hernâni que mora em Matosinhos, não é? Ele como está? Quando chegar a casa, dê um abraço ao seu marido e diga-lhe que foi o Hernâni que mandou. Diga-lhe que eu estou bem, que vou fazer 90 anos, que continuo muito contente, porque acredito em Deus, diga-lhe que continuo a cantar e a tocar...
E cantou. Cantou. Ali! O meu amigo Senhor Hernâni cantou para a minha mulher, como costumava cantar para mim.